Dez dias após a cassação do ex-presidente da Câmara de Cuiabá, João Emanuel (PSD), o vereador Toninho de Souza (PSD) comentou os motivos do seu voto e disse não ver razão para ser punido pela sigla. O PSD exigiu explicações sobre seu voto favorável à cassação do companheiro, que perdeu o mantado no dia 25 de abril por quebra de decoro. “A resolução (do PSD) chegou tarde demais, eu não poderia votar em plenário contra a cassação se votei a favor na elaboração do relatório”, afirma o social-democrata.
No dia 17 de abril, um dia antes da primeira sessão para a cassação de João Emanuel, o PSD enviou a Toninho de Souza uma resolução que dizia que filiados ao partido não poderiam votar contra colegas da sigla.
Segundo o parlamentar, a decisão chegou tarde demais, pois ele já havia votado pela punição do ex-presidente, durante a elaboração do relatório da Comissão de Ética da Câmara, da qual faz parte, junto com Ricardo Saad (PSDB) e Oséas Machado (PSC). O relatório foi entregue no dia 3 de abril com decisão unânime sobre a cassação de João Emanuel.
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“A resolução (do PSD) chegou tarde demais, eu não poderia votar em plenário contra a cassação se votei a favor na elaboração do relatório”, afirmou Toninho. Segundo o parlamentar se tivesse recebido o pedido do partido antes, teria se declarado suspeito e deixado a Comissão de Ética.
Além disso, o vereador alega que o próprio João Emanuel, quando ainda era presidente da Câmara, lhe enviou um requerimento pedindo que fosse investigado pelas suspeitas do Ministério Público (MP) na operação “Aprendiz”, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco). “Vou enviar essa peça do processo, ele mesmo quis ser investigado”, afirmou.
João Emanuel foi cassado por quebra de decoro, sob suspeita de fraude em licitação e de liderar um esquema de grilagem de terras. Ele foi afastado da presidência da Câmara em novembro de 2013, após a deflagração da Operação Aprendiz e chegou a ser preso no dia 26 de março, mas foi solto dois dias depois. A sessão que cassou o parlamentar teve 20 votos favoráveis à punição, quatro abstenções e uma ausência, a do próprio João Emanuel.
ACUSAÇÃO
Na semana passada, o deputado estadual José Riva, também do PSD, acusou Toninho de Souza de extorquir João Emanuel em troca de apoio no processo de investigação. Segundo Riva, seu genro, João Emanuel, foi extorquido por vários parlamentares e já montou um dossiê, que ainda não foi divulgado. Apenas o nome de Toninho foi citado, Riva afirmou que ele também deve responder pela extorsão no PSD.
“O Toninho de Souza deverá responder dentro do partido sobre essa situação. Mas ele terá amplo direito de defesa. Ele terá um julgamento justo, coisa que não houve na câmara com o João. Então ele vai explicar porque extorquiu o João, que teve que recorrer a factoring para atender o vereador”, disse Riva confirmando a entrevista que deu na Rádio Mix (94.3).
Toninho preferiu não comentar a acusação de extorsão, nem seus motivos, apenas acredita que seja um respaldo do processo eleitoral. Ele disse que sua única pendência como PSD é em relação a seu voto e questionou os motivos do ex-presidente não oficializar a denúncia de extorsão. “Ele (José Riva) fez apenas insinuações, eu já disse que ele deveria ter feito uma denúncia no Ministério Público”, afirmou. “João Emanuel é assunto passado. Queremos esquecer João Emanuel na Câmara, ele é página virada”, disse o parlamentar.
Riva explicou que a decisão do seu genro em não apresentar as denuncia antes da votação de sua cassação, foi para não parecer chantagem do ex-vereador com os colegas. “O João foi correto em não apresentar a denúncia porque poderia parecer pressão e chantagem. Então ele esperou ser cassado porque ele sabia disso, porque forças estranhas se uniram para linchá-lo. Só que agora ele não terá saída. Ele terá que denunciar. Porque a justiça tem que ser para todos, e quando ele apresentar a denuncia na justiça, os outros nomes irão aparecer e terão que se explicar”, argumentou o socialdemocrata.
O presidente do diretório municipal do PSD, o ex-deputado estadual Wilson Teixeira, o Dentinho, disse que o partido aguarda a defesa de Toninho de Souza em relação a seu voto contra João Emanuel. E que a sigla tem conhecimento das denúncias de José Riva em relação à extorsão e que já está tomando providências. “Conhecendo o deputado Riva sei que ele não iria falar algo sem ter provas”, declarou Dentinho. Segundo ele, qualquer apuração em relação a Toninho será feita segundo o estatuto do partido.
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