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Polícia Sábado, 09 de Maio de 2026, 08:00 - A | A

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Sábado, 09 de Maio de 2026, 08h:00 - A | A

VIDAS INTERROMPIDAS

MT registra 16 feminicídios em 2026 e supera casos registrados no mesmo período de 2025

Casos de Valéria Araújo, Elzilene Alves e da empresária Nilza Moura evidenciam avanço da violência contra mulheres no estado; maioria das vítimas foi morta por companheiros ou ex-companheiros.

SILVÉRIO ALMEIDA
Da redação

Mato Grosso chegou à marca de 16 mulheres vítimas de feminicídio em 2026 após a morte da estudante de direito Valéria Araújo Corrêa, de 28 anos, em Tangará da Serra (242 km de Cuiabá), e a prisão do seu agressor. Somente nesta semana, três casos chocaram o estado e reforçaram o avanço da violência contra mulheres: os assassinatos de Valéria, Elzilene e da empresária Nilza Moura de Souza Antunes.

Natural de Minas Gerais, Valéria foi encontrada morta na noite de quarta-feira (6), dentro da quitinete onde morava, no bairro Jardim Itália, em Tangará da Serra. A jovem estava com as mãos e os pés amarrados e apresentava diversos ferimentos provocados por faca, principalmente na região do pescoço. O corpo foi localizado enrolado em colchas e lençóis dentro do imóvel. Segundo a Polícia Civil, ela foi morta com 31 facadas, sendo 26 apenas no pescoço. Após investigações, um jovem de 20 anos foi preso nesta sexta-feira (8) e confessou o crime. Conforme a polícia, o suspeito era cliente da estudante, que também trabalhava com programas sexuais. Ele foi autuado em flagrante pelos crimes de feminicídio, estupro e roubo.

O marido de Elzilene, Francisco Carlos Pereira da Silva, de 68 anos, foi preso após se entregar à Polícia Civil e confessar o crime. A vítima estava desaparecida desde terça-feira (5) e o corpo foi encontrado nesta quinta-feira (7), em uma área de mata no bairro Marajoara, em Várzea Grande.
Segundo a investigação, Francisco matou a companheira após suspeitar de uma suposta traição. Ele relatou aos policiais que atraiu a vítima até o local do crime, onde ela foi agredida e esfaqueada.

Já Nilza Moura de Souza Antunes foi assassinada na última segunda-feira (4) e teve o corpo enterrado no quintal da própria residência, no bairro Parque Cuiabá, em Cuiabá. O companheiro dela é investigado pelo crime após registrar boletins de ocorrência falsos, apresentar versões contraditórias e tentar simular o desaparecimento da vítima. O caso também é tratado como feminicídio.

 

CASOS AUMENTAM EM RELAÇÃO A 2025

Os números de feminicídios em Mato Grosso já superam os registrados no mesmo período do ano passado. Dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público Estadual, apontam que entre janeiro e abril de 2025 foram contabilizados 11 casos.

Vale lembrar que em todo ano de 2025, foram 54 casos confirmados.

Em 2026, o estado já soma 13 feminicídios no mesmo período, além de outros três assassinatos registrados nos primeiros dias de maio.

Arte / HNT

Feminicídio em MT 2026 Maio

 

Arte / HNT

Dados Feminicídios_Maio_2026

 

 

MAIORIA DAS VÍTIMAS CONHECIA OS AGRESSORES

Levantamento do Observatório Caliandra mostra que a maioria dos feminicídios registrados em Mato Grosso neste ano foi praticada por companheiros ou ex-companheiros das vítimas.

Das 15 mulheres assassinadas em 2026, apenas uma possuía medida protetiva contra o agressor. Ainda segundo os dados, somente cinco vítimas registraram boletins de ocorrência antes dos crimes.

As estatísticas reforçam o cenário de violência doméstica no estado. Em 2026, Mato Grosso já contabiliza 6.532 medidas protetivas expedidas pela Justiça.

 

PODER PÚBLICO AMPLIA AÇÕES DE COMBATE À VIOLÊNCIA

Em abril, o governador em exercício Otaviano Pivetta lançou um pacote de ações voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher em Mato Grosso.

“Não podemos aceitar a violência como algo normal. Esse programa representa um conjunto de medidas integradas para reduzir a violência e garantir mais segurança e dignidade às mulheres de Mato Grosso”, afirmou.

Nesta quarta-feira (6), foi inaugurada a nova Delegacia da Mulher de Várzea Grande, instalada na Avenida Filinto Müller. A unidade contará com delegados, escrivães e investigadores capacitados para atendimento humanizado das vítimas e funcionará em regime de plantão 24 horas.

O objetivo é ampliar o atendimento às vítimas de violência doméstica, violência sexual e outras situações de vulnerabilidade no município.
Também estão previstas novas delegacias em Lucas do Rio Verde e Sorriso. Municípios como Rosário Oeste, Nobres e Campo Verde receberão núcleos especializados de atendimento.

Na Assembleia Legislativa, entrou em vigor a Lei 13.243/2026, de autoria do deputado estadual Dilmar Dal Bosco, que cria multa administrativa para autores de violência contra mulheres em Mato Grosso.

A legislação abrange casos de violência doméstica, feminicídio, estupro, violência obstétrica e violência institucional, funcionando de forma complementar à Lei Maria da Penha.

Nesta quarta-feira (6), também foi entregue o relatório final da Câmara Setorial Temática (CST) de Enfrentamento ao Feminicídio, com diagnósticos e recomendações voltadas aos poderes públicos estadual e municipal.

 

RELEMBRE OS CASOS

Cada nome nesta lista representa muito mais do que um número nas estatísticas da violência. São 16 histórias interrompidas de forma brutal em Mato Grosso apenas nos primeiros meses de 2026. Mulheres que tinham sonhos, rotinas, famílias, planos e pessoas que as amavam. As mortes deixaram marcas profundas em filhos que perderam mães, pais que enterraram filhas, irmãos, netos, amigos e comunidades inteiras abaladas pela dor e pela ausência.
Os feminicídios registrados neste ano escancaram não apenas a violência contra a mulher, mas também o sofrimento silencioso carregado por famílias destruídas pela violência.

 

 

Montagem / HNT

Vitimas de feminicídio_Maio_2026

 

 

 

Janeiro

• Ana Paula Lima Carvalho, 48 anos, morreu após ser esfaqueada dentro de casa em Chapada dos Guimarães.
• Laila Carolina Souza da Conceição, 29 anos, foi encontrada morta com golpes de faca em Nova Maringá.

Fevereiro

• Jaqueline de Araújo dos Santos, 40 anos, foi morta a facadas pelo companheiro em Lucas do Rio Verde.
• Luciene Naves Correia, 51 anos, foi assassinada em Cuiabá mesmo possuindo medida protetiva.

Março

• Gabia Socorro da Silva foi morta a facadas em São José do Xingu.
• Estefany Pereira Soares, 17 anos, teve o corpo encontrado após desaparecer.
• Simone da Silva Matiuzi, 33 anos, foi agredida e atropelada em Vila Bela da Santíssima Trindade.
• Luiza Regina Oliveira Zanoni, 29 anos, foi assassinada em Rondonópolis.
• Luzia do Nascimento Ramos, 50 anos, grávida, foi morta em Sinop.
• Mariana Bittencourt Santana, 19 anos, foi assassinada a tiros em Porto dos Gaúchos.

Abril

• Márcia Gaston da Silva, 50 anos, foi morta em Brasnorte.
• Raissa Pereira da Silva, 24 anos, foi encontrada morta dentro de casa em Sinop.
• Júlia Vitória do Prado da Silva, 20 anos, foi assassinada em Tapurah.

Maio

• Nilza Moura de Souza Antunes foi assassinada e enterrada no quintal da própria casa, em Cuiabá.
• Elzilene Alves do Nascimento, 49 anos, foi encontrada morta em uma área de mata em Várzea Grande após o marido confessar o crime.
• Valéria Araújo Corrêa, 28 anos foi encontrada morta em sua casa com as mãos e os pés amarrados e enrolada em colchas e lençóis. Segundo a Polícia Civil a vitima foi morta com 31 facadas.

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