O desaparecimento de uma pessoa deixa familiares e amigos diante de uma espera marcada pela incerteza. Em Mato Grosso, os números mostram a dimensão desse problema: 8.988 registros de desaparecimento foram contabilizados entre 2022 e 2025. No mesmo período, houve 3.706 registros de pessoas localizadas, volume equivalente a aproximadamente 41% do total de desaparecimentos registrado nesses quatro anos.
Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com informações referentes aos anos de 2022 a 2025, reunidas nas edições de 2024 e 2026 da publicação. Embora o número de localizações represente um avanço nas buscas, a comparação entre os totais anuais não permite afirmar que as pessoas encontradas sejam necessariamente as mesmas que desapareceram no período.
Por isso, os números não correspondem a uma taxa individual de resolução dos casos nem permitem determinar quantas pessoas continuam desaparecidas.
Em números absolutos, Mato Grosso registrou 2.186 desaparecimentos em 2022, 2.419 em 2023, 2.271 em 2024 e 2.112 em 2025. O maior volume ocorreu em 2023, seguido por duas reduções consecutivas.
Apesar da queda observada nos últimos anos, o estado ainda apresenta uma taxa de desaparecimentos superior à média nacional quando considerada a proporção por habitantes.
MT ACIMA DA MÉDIA NACIONAL
Em 2025, Mato Grosso registrou 54,2 desaparecimentos por 100 mil habitantes, enquanto a taxa brasileira foi de 39,5. Isso significa que o indicador estadual ficou aproximadamente 37% acima da média nacional.
A diferença também foi expressiva em 2023, quando Mato Grosso alcançou 66,1 registros por 100 mil habitantes, contra 39,5 no país. Nos anos seguintes, o indicador estadual apresentou redução, mas permaneceu acima do índice nacional.
No Brasil, o número de desaparecimentos cresceu de forma contínua no período analisado. Foram 77.823 registros em 2022, 80.317 em 2023, 81.040 em 2024 e 84.269 em 2025, um aumento de aproximadamente 8,3% entre o primeiro e o último ano.
Os dados nacionais também mostram crescimento no número de pessoas localizadas, que passou de 43.384 em 2022 para 61.305 em 2025. Em Mato Grosso, os registros de localização aumentaram de 740 para 1.130 no mesmo intervalo.
QUEM SÃO AS PESSOAS DESAPARECIDAS?
Os dados nacionais ajudam a compreender o perfil das pessoas desaparecidas. Conforme o Relatório Estatístico Anual de Pessoas Desaparecidas e Localizadas (2022-2023), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), os homens representam 64,9% dos registros analisados, enquanto 64,4% das ocorrências envolvem pessoas entre 18 e 59 anos.
A população negra, formada por pessoas pretas e pardas, corresponde a 45,2% dos registros com informação de raça ou cor. O relatório, no entanto, aponta limitações no preenchimento desse dado, o que exige cautela na interpretação dos números.
A categoria de desaparecimento reúne situações distintas. Uma pessoa pode sair de casa voluntariamente, perder contato com familiares, sofrer um acidente, ser vítima de violência ou desaparecer em circunstâncias relacionadas a outros crimes. Há também casos em que a pessoa morre e o corpo não é encontrado ou permanece sem identificação.
Por isso, o desaparecimento não deve ser interpretado automaticamente como indício de crime, assim como a ausência de informações sobre o paradeiro não permite concluir o que aconteceu com a vítima. Cada situação exige procedimentos de busca e investigação compatíveis com suas circunstâncias.
A possibilidade de que alguns casos estejam relacionados à violência e a disputas entre organizações criminosas também reforça a necessidade de investigações capazes de esclarecer o destino das vítimas, inclusive quando há suspeita de ocultação de cadáveres.
BANCO DE DNA EM MT AUXILIA NA IDENTIFICAÇÃO
Em Mato Grosso, a genética forense é uma das ferramentas utilizadas para auxiliar na identificação de pessoas desaparecidas e de restos mortais sem identificação. A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) participa da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos, iniciativa que permite comparar informações genéticas entre diferentes unidades da Federação.
O sistema reúne perfis de DNA obtidos de vestígios coletados em locais de crimes, familiares de pessoas desaparecidas, restos mortais não identificados e outras categorias previstas nos protocolos de identificação. As comparações podem apontar correspondências que ajudem a esclarecer investigações e a estabelecer a identidade de pessoas.
A estrutura utiliza o Codis, sigla em inglês para Sistema Combinado de Índices de DNA, desenvolvido pelo FBI, dos Estados Unidos. A ferramenta permite armazenar, organizar e comparar perfis genéticos, ampliando as possibilidades de identificação para além dos limites territoriais de um estado.
De acordo com os dados fornecidos pela Politec, Mato Grosso inseriu mais de 3 mil perfis de DNA no Banco Nacional de Perfis Genéticos nos cinco anos anteriores ao levantamento. A ampliação da base está relacionada a iniciativas como a coleta de material genético de familiares de desaparecidos, a inclusão de perfis de condenados, a modernização dos equipamentos do Laboratório de DNA e o aperfeiçoamento dos procedimentos periciais.
O sistema Codis operado em Mato Grosso contabiliza 31 identificações de pessoas desaparecidas, conforme as informações apresentadas. Além disso, entre novembro de 2025 e maio de 2026, perfis genéticos coletados e inseridos pela Politec contribuíram para 14 investigações dentro e fora do estado.
Os resultados demonstram como a integração entre as forças de segurança, os laboratórios periciais e as famílias pode ampliar as possibilidades de esclarecimento de casos que, sem essas ferramentas, poderiam permanecer sem resposta.
RESPOSTAS ÀS FAMÍLIAS
Os números reforçam a necessidade de ampliar as políticas públicas de prevenção, busca e identificação de pessoas desaparecidas. Em Mato Grosso, iniciativas como o banco de perfis genéticos da Politec mostram como a tecnologia pode ajudar a esclarecer casos e oferecer respostas às famílias.
Além de fortalecer as investigações e integrar informações, é fundamental investir em ações que evitem novos desaparecimentos. Mais do que reduzir estatísticas, o objetivo é garantir que cada caso tenha uma resposta, seja pelo reencontro em vida, seja pela identificação de quem morreu, trazendo alívio aos familiares que aguardam por notícias.
CASO BRENO
O desaparecimento do professor Breno Antonio Humberto de Moraes, de 25 anos, é um dos casos recentes que evidenciam a angústia enfrentada por familiares à espera de respostas. Ele desapareceu em 26 de setembro, após sair de casa, no bairro Capela do Piçarrão, em Várzea Grande. Depois de 12 dias de buscas, o corpo foi encontrado na noite de 8 de outubro, em uma área de brejo alagado no bairro 13 de Setembro, no mesmo município.
A localização ocorreu após a prisão de Elias Samuel Delgado da Silva, na região do Lago do Manso, em Cuiabá. Segundo informações da investigação, o suspeito indicou aos policiais o local onde o corpo havia sido abandonado.
Nesta quinta-feira (16), o desaparecimento de Breno completou 21 dias, e a Polícia Civil continua investigando as circunstâncias do assassinato. A possível ocorrência de tortura também é apurada, enquanto os investigadores buscam identificar outros envolvidos e esclarecer a dinâmica do crime.
O caso evidencia que, por trás das estatísticas de desaparecimentos, existem histórias e famílias que enfrentam dias de incerteza à espera de notícias. A localização de Breno trouxe respostas sobre seu paradeiro, mas também reforçou a importância de investigações que esclareçam as circunstâncias de cada desaparecimento e responsabilizem os envolvidos quando houver comprovação de crime.
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.










