"Nosso objetivo é construir uma capacidade conjunta de defesa contra mísseis balísticos para a Europa", afirmaram as 10 nações em um comunicado divulgado em Paris, durante uma reunião com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenski.
Ele buscava apoio de cerca de duas dezenas de líderes para desenvolver medidas contra os ataques de mísseis russos que têm devastado a Ucrânia e aumentado a preocupação de outros países europeus com as ambições mais amplas de Moscou no continente.
Zelenski e os líderes de Alemanha, Dinamarca, Espanha, França, Holanda, Itália, Noruega, Reino Unido e Suécia afirmaram reconhecer "a crescente ameaça representada pelos mísseis balísticos", que são mais difíceis de interceptar do que mísseis de cruzeiro e drones.
"Consideramos que proteger a Europa exige uma solução abrangente, na forma de uma arquitetura integrada de defesa antimísseis, capaz de dissuadir e neutralizar futuras ameaças de mísseis", afirmou o comunicado. "Reconhecemos a experiência única da Ucrânia, adquirida em sua defesa contra a guerra de agressão promovida pela Rússia."
O comunicado não informou um prazo para a implementação do sistema de defesa e afirmou que o projeto permanece aberto à adesão de outros países.
Putin não dá sinais de que a Rússia pretende recuar
O presidente russo, Vladimir Putin, manteve uma postura irredutível nesta segunda-feira e prometeu uma retaliação "contundente" aos recentes ataques de longo alcance de Kiev contra refinarias, navios-tanque e terminais, que provocaram uma ampla escassez de combustível.
"Em qualquer lugar onde tentarem atacar o território russo, responderemos à altura, mas nossos ataques serão várias vezes mais poderosos", afirmou Putin durante uma reunião com ativistas pró-Kremlin.
Ministros das Relações Exteriores europeus se reuniram separadamente em Bruxelas para discutir as necessidades da Ucrânia e as ameaças da Rússia ao continente.
Zelenski busca acelerar, junto aos países europeus, os esforços para desenvolver as defesas aéreas da Ucrânia antes do inverno, quando a Rússia costuma intensificar seus ataques para deixar os ucranianos sem eletricidade, aquecimento e água.
Autoridades ucranianas foram a Paris para apresentar uma proposta de Programa Antimísseis Balísticos e se reunir com líderes de governo, assessores de segurança nacional e empresas de defesa que poderiam participar do projeto, afirmou Zelenski.
A promessa feita na semana passada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de conceder à Ucrânia uma licença para produzir sistemas de defesa aérea Patriot contra mísseis balísticos pode representar um avanço significativo para Kiev. No entanto, especialistas e autoridades ucranianas alertam que transformar a proposta em realidade provavelmente levaria anos. Ainda não está claro quanto tempo levaria para que um sistema europeu fosse desenvolvido.
Líderes europeus demonstram compromisso com Kiev
A reunião em Paris da chamada Coalizão dos Dispostos, que reúne mais de 30 países e cerca de 25 chefes de Estado e de governo, pareceu representar uma demonstração de compromisso de longo prazo com a Ucrânia e um recado à Rússia, enquanto Moscou testa a capacidade de resistência da Europa.
A viagem de Zelenski à capital francesa ocorreu após a morte do senador americano Lindsey Graham, um dos mais ferrenhos apoiadores de Kiev em Washington. O deputado ucraniano Oleksandr Merezhko chamou Graham de "o elo mais próximo entre a Ucrânia, nosso presidente e Trump".
A visita também ocorre em meio a uma ampla reformulação no governo de Zelenski, após a renúncia da primeira-ministra Yulia Svyrydenko no domingo, 12.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou que convocará o embaixador russo em Paris e aplicará sanções contra hackers russos. Em entrevista à BFMTV-RMC, ele disse que o caso envolve "uma ampla campanha cibernética de sabotagem e espionagem conduzida pela Rússia em cerca de 10 países europeus".
Os países vizinhos da Ucrânia também têm sentido os impactos da guerra. No episódio mais recente, um drone lançado durante ataques noturnos da Rússia contra a região ucraniana de Odessa caiu e explodiu em território da Moldávia, informou o Ministério das Relações Exteriores moldavo nesta segunda-feira. A pasta classificou o incidente como "grave e inaceitável".
*Com Informações da Associated Press (AP).
(Com Agência Estado)
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