Díaz-Canel publicou uma série de declarações breves nas redes sociais depois que Trump sugeriu que Cuba "feche um acordo, antes que seja tarde demais". O presidente americano não especificou que tipo de acordo estaria propondo.
Segundo Díaz-Canel, para que "as relações entre os EUA e Cuba progridam, elas devem ser baseadas no direito internacional, e não em hostilidade, ameaças e coerção econômica".
"Sempre estivemos dispostos a manter um diálogo sério e responsável com os diversos governos dos EUA, incluindo o atual, com base na igualdade soberana, no respeito mútuo, nos princípios do Direito Internacional e no benefício mútuo, sem interferência em assuntos internos e com pleno respeito à nossa independência", acrescentou.
As declarações do presidente cubano foram republicadas pelo ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez.
No domingo, 11, Trump escreveu que Cuba não viveria mais do petróleo e do dinheiro da Venezuela, país que os EUA atacaram em 3 de janeiro em uma operação surpresa que matou 32 oficiais cubanos e levou à prisão do ditador Nicolás Maduro.
Antes do ataque americano, Cuba recebia cerca de 35 mil barris de petróleo por dia da Venezuela, além de aproximadamente 5,5 mil barris diários do México e cerca de 7,5 mil da Rússia, segundo Jorge Piñón, do Instituto de Energia da Universidade do Texas em Austin, que monitora os carregamentos.
Mesmo com os envios de petróleo venezuelano, apagões generalizados persistem em Cuba devido à escassez de combustível e à precariedade da rede elétrica. Especialistas temem que a falta de petróleo agrave ainda mais as múltiplas crises enfrentadas pela ilha.
A situação entre os EUA e Cuba é "muito triste e preocupante", disse Andy S. Gómez, reitor aposentado da Escola de Estudos Internacionais e pesquisador sênior em Estudos Cubanos na Universidade de Miami.
Segundo ele, os comentários de Díaz-Canel representam "uma tentativa de ganhar um pouco de tempo para que o círculo interno decida quais medidas tomará". Gómez afirmou que não imagina Cuba buscando contato com autoridades americanas neste momento.
"Eles tiveram todas as oportunidades quando o presidente Barack Obama abriu as relações diplomáticas com os EUA, e mesmo assim não ofereceram nem um café cubano", disse. "É claro que Cuba vive tempos desesperadores."
Michael Galant, pesquisador sênior e associado de extensão do Centro de Pesquisa Econômica e Política em Washington, D.C., afirmou acreditar que Cuba possa estar disposta a negociar.
"Cuba tem demonstrado interesse em encontrar maneiras de aliviar as sanções", disse. "Não é que Cuba não esteja cooperando."
Galant avaliou que os temas de discussão poderiam incluir migração e segurança, acrescentando que Trump não parece ter pressa.
"Trump espera agravar a crise econômica na ilha, e não há grandes custos para Trump em esperar que isso se resolva", afirmou. "Não acho provável que haja qualquer ação drástica nos próximos dias, porque não há pressa para se sentar à mesa de negociações."
O presidente cubano reiterou nas redes sociais que "não há negociações com o governo dos EUA, exceto por contatos técnicos na área de migração".
O governo comunista da ilha afirmou que as sanções impostas pelos EUA custaram ao país mais de US$ 7,5 bilhões entre março de 2024 e fevereiro de 2025.
*Com informações da Associated Press.
(Com Agência Estado)
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