Mundo Sábado, 26 de Novembro de 2011, 09:38 - A | A

Sábado, 26 de Novembro de 2011, 09h:38 - A | A

MANIFESTAÇÕES

Novos distúrbios são registrados no Egito a 2 dias das eleições

Tensões tiveram início quando as forças de segurança pediram aos opositores presentes que se retirassem

FOLHA DE SÃO PAULO

Novos distúrbios foram registrados neste sábado na capital egípcia, Cairo, entre as forças de segurança e manifestantes que pedem a saída imediata da junta militar que governa o Egito desde a queda do ex-ditador Hosni Mubarak.

Ao menos uma pessoa morreu durante os confrontos entre policiais e manifestantes que permaneciam concentrados na frente da sede do Conselho de Ministros do Egito, segundo informou o Ministério da Saúde.

De acordo com a emissora de TV estatal egípcia, as tensões tiveram início quando as forças de segurança pediram aos opositores presentes que se retirassem. O grupo aglomerado no local, porém, tomou uma postura mais agressiva ao ver uma viatura dar ré e atropelar dois cidadãos.

Um deles, de 21 anos, morreu e outro ficou ferido, disse o diretor do hospital de Al Munira, Mohammed Shauki, à agência oficial de notícias "Mena".

Os manifestantes passaram a noite acampados na sede do Conselho de Ministros para impedir que o novo primeiro-ministro, Kamal Ganzouri, apontado pelo CSFA (Conselho Supremo das Forças Armadas), entrasse no prédio.

Na praça Tahrir, a movimentação continua alta, mas o ambiente estava mais calmo. Dezenas de voluntários limpavam os restos da grande manifestação que ontem exigiu aos militares que abandonassem o poder imediatamente.

Grupos opositores propõem um governo de salvação nacional liderado pelo prêmio Nobel da Paz e candidato presidencial Mohamed ElBaradei, uma opção rejeitada pelo Exército.

Durante a grande manifestação de ontem, ElBaradei, também ex-diretor da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), se uniu às dezenas de milhares de pessoas no local para apoiar a causa de fim do poder do Exército.

 

Esam Al-Fetori / Reuters

Garoto participa de manifestação contra junta militar levando uma pequena bandeira nacional

APELO EXTERNO

A mobilização popular lembra a rebelião que derrubou em fevereiro o ditador Hosni Mubarak. Os manifestantes voltaram desde sábado às ruas do Cairo e de outras cidades, depois de o governo provisório divulgar um anteprojeto constitucional que blindaria as Forças Armadas de qualquer supervisão civil.

Tentando acalmar a situação, a junta militar demitiu o primeiro-ministro Essam Sharaf e prometeu antecipar em seis meses a eleição presidencial, inicialmente programada para o final de 2012. Na segunda-feira, começa no Egito uma eleição parlamentar em várias etapas, que vai até o começo de 2012.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu novamente ao conselho militar que garanta uma transição pacífica de poder aos civis após conversar com representantes das autoridades egípcias, segundo seu porta-voz Martin Nesirky.

Ban falou com o líder do conselho, Hussein Tantawi, por telefone e renovou o apelo por uma "transição pacífica, inclusiva e ordenada que vá de acordo com as aspirações legítimas do povo egípcio através de eleições transparentes que levem a um governo civil", citou Nesirky.

Na sexta-feira, a Casa Branca também afirmou que a transferência de poder a um governo civil no Egito deve acontecer o mais rápido possível e lamentou a perda de vidas durante os últimos protestos pró-democracia.

"A plena transferência de poder para um governo civil tem de ocorrer de uma maneira justa e inclusiva que responda às legítimas aspirações do povo egípcio, tão logo quanto possível", afirmou o secretário de imprensa da Casa Branca, Jay Carney.

Ao menos 42 pessoas morreram em uma semana de manifestações contra o controle do Egito pelos militares. Os Estados Unidos instaram as autoridades a realizar uma investigação independente sobre as circunstâncias dessas mortes, segundo comunicado.

 

Bernat Armangue/Associated Press

Cartaz de manifestantes no Cairo promete não esquecer dos mártires, em referência às mortes nos protestos

ELEIÇÕES

Já neste sábado mais de 100 mil egípcios morando no exterior votaram nas eleições parlamentares em embaixadas e consulados ao redor do mundo, segundo fontes do governo citadas pela emissora de TV Al Jazeera, com sede no Qatar. É a primeira vez que expatriados podem votar.

Segundo o site "Ahram Online", apenas 300 mil de um total estimado em 8 milhões de egípcios vivendo fora do país se registraram para votar.

No Egito, a população começa a ir às urnas na segunda-feira. Segundo a agência estatal de notícias Mena, os egípcios terão mais dois dias para votar em cada uma das três fases nas quais as eleições serão realizadas.

O primeiro turno da primeira fase acontecerá em províncias como Cairo e Alexandria nos dias 28 e 29, enquanto o segundo turno ocorrerá em 5 e 6 de dezembro. A segunda fase será realizada nos dias 14 e 15 de dezembro, e 21 e 22 de dezembro.

A terceira rodada acontecerá em locais como Minya (centro) e a Península do Sinai nos dias 3 e 4 de janeiro, sendo o segundo turno uma semana mais tarde.

Analistas e ativistas haviam denunciado que, dado o tamanho da população egípcia --mais de 80 milhões de pessoas-- seria impossível que todo o mundo votasse em um só dia.

NOVO PREMIÊ

O novo primeiro-ministro egípcio, Kamal Ganzouri, disse ontem vai dispor de "mais poderes do que qualquer outro chefe de governo" no passado, e que vai buscar "prerrogativas completas para servir ao Egito".

Segundo o ex-membro do regime de Mubarak, não será possível formar um governo antes das eleições parlamentares. Ele acrescentou que o presidente da Junta Militar, o marechal Hussein Tantawi, "não tem intenção de se manter no poder".

"Se eu soubesse que o marechal tinha intenção continuar [no poder], não haveria aceitado essa missão", afirmou, para acrescentar que, se a pessoa designada para o gabinete "esperasse receber instruções, não mereceria o posto".

Apesar da insistência dos manifestantes em pedir a renúncia da Junta Militar, o CSFA afirmou que deixar o poder nesse momento significaria uma "traição" contra a confiança da população, ressaltando que o Exército não perderia a liderança por conta de uma multidão "entoando coros".

Ganzouri foi premiê durante o regime de Hosni Mubarak de 1996 a 1999. O ex-ditador renunciou em 11 de fevereiro após sofrer pressão de uma revolta popular.

Durante os três anos em que foi premiê, ele introduziu algumas medidas de liberalização econômica. Muitos egípcios o viam como uma autoridade "não contaminada" pela corrupção, mas o seu mandato durante a era Mubarak pode gerar oposição dos exigem uma ruptura com o passado político.

Após a revolta que derrubou Mubarak, Ganzouri se mostrou, em várias ocasiões, favorável aos manifestantes.

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