Na decisão, o magistrado ordenou o envio de um pedido formal às autoridades americanas "a efeitos de solicitar a extradição de Nicolás Maduro Moros", com base no tratado bilateral de extradição entre Argentina e Estados Unidos.
O caso teve início em 2023, a partir de uma denúncia apresentada por organizações não governamentais em nome de cidadãos venezuelanos.
A investigação envolve acusações de detenções ilegais, tortura, perseguição política e outros abusos contra opositores e manifestantes durante protestos realizados na Venezuela. Entre os investigados também estão o ex-comandante da Guarda Nacional Bolivariana Justo José Noguera Pietri e o ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello.
De acordo com os denunciantes, haveria na Venezuela um "plano sistemático de repressão" em vigor desde 2014, com desaparecimentos forçados, tortura, homicídios e perseguição a dissidentes. Com base nessas alegações, a Justiça argentina já havia ordenado, em setembro de 2024, a captura internacional de Maduro e dos demais acusados.
Após a confirmação da detenção de Maduro durante uma operação militar dos Estados Unidos em território venezuelano, em 3 de janeiro, o procurador federal Carlos Stornelli solicitou que a Argentina requeresse formalmente a extradição do ex-presidente para que ele seja ouvido no processo. Ramos acolheu o pedido.
A Argentina recorre ao princípio da jurisdição universal para investigar crimes de lesa humanidade cometidos fora de seu território. O país tem histórico nesse tipo de iniciativa, embora a maioria das ações contra líderes estrangeiros não tenha resultado em detenções ou extradições.
A decisão ocorre em um contexto de aproximação política do governo do presidente argentino, Javier Milei, com o governo Trump, após elogios de Milei à intervenção norte-americana na Venezuela.
*Com informações da Associated Press
(Com Agência Estado)
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