Segundo conselheiros do presidente brasileiro, até esta sexta-feira, dia 12, não houve um pedido de encontro por parte do Palácio do Planalto, tampouco da Casa Branca, para que eles voltem a se reunir.
O governo Lula não enxerga espaço para discutir temas conflitantes da agenda bilateral na reunião do G7, nem para reverter a classificação das organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas ou bloquear a proposta dupla de novo tarifaço sobre exportações com base na Seção 301, um de 25% por supostas práticas desleais e outra de 12,5%, relacionada ao trabalho forçado.
O governo não vê sentido ou motivação política para uma nova interação agora e descarta que Trump possa mudar de rota de decisões de governo discutidas há meses e recentemente oficializadas, apenas por uma conversa dos dois líderes.
Segundo um conselheiro do presidente, não seria realista contar com essa mudança e não existe necessidade de uma reunião agora. Ele diz que seria uma desmoralização para Trump retirar a designação das facções e que Lula não pode agora "suplicar" por uma revisão, mas continuar a cooperação técnica entre polícias e estruturas de segurança pública.
Além disso, o prazo administrativo estabelecido pelo Representante Comercial da Casa Branca (USTR) para negociações vai até 15 de julho e continuam em andamento contatos comerciais em nível técnico. Por isso, o Palácio do Planalto entende que Trump responderia apenas que vai aguardar o fim das tratativas comerciais.
Uma nova reunião política de status ministerial, entre o ministro Márcio Elias Rosa (Mdic) e o embaixador Jamieson Greer (USTR), estava prevista para esta semana e deve ocorrer em breve para discutir setores e tarifas.
Segundo integrantes do governo, até agora não houve uma decisão de discutir tarifas específicas, como a do etanol, cujas lideranças se reuniram com Lula nesta semana. Nas reuniões anteriores, o governo indicou áreas em que poderia negociar a tarifa
O governo brasileiro nega, por isso, que tenha tomado providências para antecipar a viagem do presidente para o dia 14, a fim de encontrar Trump. O petista deve chegar à França na tarde do dia 15.
A Presidência da República diz que a chegada de Trump, estimada pela organização francesa, deve ser ocorrer após a do próprio Lula, no dia 15 à noite - o republicano celebra aniversário no dia 14.
O que pode ocorrer em Évian-les-Bains, cidade dos alpes que sedia o G7, é apenas uma espécie de "trombada" nos corredores ou na sala das reuniões de líderes, porque ambos devem compartilhar o mesmo ambiente, segundo diplomatas.
Seria algo como ocorreu na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), os "39 segundos" de "química" nos bastidores reservados aos chefes de Estado, e não uma reunião de trabalho com equipes ministeriais, como a recente visita do petista à Casa Branca, em Washington, ou ainda a reunião realizada em Kuala Lumpur, na Malásia, no ano passado.
Nesses dois encontros prévios, houve discussão detida sobre assuntos e inclusive troca de documentos e propostas dos dois lados, além de acerto de métodos e prazos para discussões de interesses da pauta bilateral.
Lula vai ter reuniões bilaterais com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.
Há mais quatro encontros em avaliação, entre eles, com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e com os líderes da União Europeia, Ursula von der Leyen (Comissão Europeia) e António Costa (Conselho Europeu).
Com os europeus, Lula vai falar sobre a preocupação e pressionar por uma revisão da exclusão do Brasil como exportador de carne e produtos de origem animal ao mercado do bloco.
Com Japão e Canadá, o governo pretende discutir assuntos comerciais ligados ao Mercosul. O objetivo é formalizar o lançamento de uma negociação de acordo de comércio Japão-Mercosul e manter contato com vistas à conclusão das negociações do acordo Canadá-Mercosul.
Lula também participará de um almoço, no âmbito do G7, com representantes das principais big techs e chefes de Estado e de governo. O petista vai falar da proposta de regulação no País e do Eca Digital.
Discurso oficial
O presidente se prepara para fazer ao menos dois discursos públicos, em sessões de debate dos líderes sobre desequilíbrios macroeconômicos globais e parcerias globais para o desenvolvimento.
Neles, Lula vai falar contra tarifas e decisões unilaterais, entre elas guerras e intervenções militares, e falar da necessidade de reforma das instituições internacionais.
O discurso está sendo calibrado, mas responderá a ações do governo Trump, para não demonstrar "fraqueza política". O governo entende que a resposta se justifica por causa da disputa pré-eleições e a campanha no exterior do pré-candidato e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Parte dos conselheiros do presidente recomendou que ele não use o mesmo tom mais agressivo que faz para o público interno no Brasil.
O presidente deve adotar a linguagem mais diplomática e falar contra o unilateralismo e o protecionismo.
(Com Agência Estado)
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