Gates fez esse comentário em sua declaração inicial perante o Comitê de Supervisão da Câmara, que o questionou sobre suas relações com Epstein em uma audiência fechada. O comitê tem investigado a atuação do Departamento de Justiça nas investigações sobre o financista e seus associados.
Um representante de Bill Gates divulgou uma cópia de sua declaração antes da audiência, que tinha previsão de duração de quatro horas. No depoimento, Gates reiterou comentários anteriores de que lamentava ter tido contato com Epstein, mas que nunca o viu se envolver em qualquer "conduta criminosa". Ele também afirmou que "nunca vitimou ninguém".
As revelações sobre as interações de Gates com Epstein começaram a vir à tona pouco depois da prisão do financista pelas autoridades federais em 2019, sob acusações de tráfico sexual. Essas revelações mancharam a reputação de Gates, contribuíram para o declínio de seu casamento e levaram sua fundação beneficente a autorizar, este ano, uma investigação externa sobre seus laços com Epstein.
"No meu trabalho, a reputação é a base para desenvolver parcerias que salvam vidas. O encontro com Epstein foi um grave erro de julgamento e colocou esse trabalho em risco", disse Gates em sua declaração. "Seu comportamento foi antitético a todos os meus esforços para contribuir para um mundo onde todos tenham a chance de viver uma vida saudável e produtiva."
Como se deu o relacionamento
Os negócios entre eles começaram em 2011, cerca de três anos depois de o financista ter se declarado culpado na Flórida por aliciar uma menor para prostituição. A declaração de culpa ocorreu após um controverso acordo de não persecução penal com os procuradores federais, que interrompeu uma investigação sobre alegações de que Epstein havia abusado sexualmente de dezenas de adolescentes regularmente - algumas com apenas 14 anos de idade.
Quando foi apresentado a Epstein em 2011, Gates disse que deveria ter pesquisado mais sobre o homem com quem ia se encontrar.
"Lembro-me de ter conhecimento de que Epstein havia enfrentado problemas legais anteriores, mas não compreendia totalmente a extensão dos crimes que ele cometeu", disse ele. "Aceitei a apresentação sem a devida análise."
Até 2014, Gates teve vários encontros com Epstein, principalmente para discutir a possibilidade de criar um fundo de doação com aconselhamento - um tipo de fundo filantrópico com vantagens fiscais. Epstein também conversou sobre o fundo com banqueiros do JPMorgan Chase e esperava receber uma remuneração pelo seu trabalho. Mas o fundo nunca se concretizou e, no final de 2014, as conversas sobre o assunto praticamente cessaram.
Gates disse que, depois de ter parado de negociar com Epstein, descobriu que o financista em desgraça estava tentando usar seus problemas conjugais para obter vantagem sobre ele.
O agressor sexual tinha um padrão de tentar coletar informações pessoais sobre algumas das pessoas com quem lidava, a fim de se colocar em uma posição em que pudesse fazê-las perceber que sabia coisas sobre elas.
"Como o público agora pode ver, com base no que foi divulgado nos arquivos, Epstein estava trabalhando para usar informações sobre minhas infidelidades", disse Gates em sua declaração.
O comitê da Câmara já entrevistou diversas pessoas próximas a Epstein, incluindo o ex-presidente Bill Clinton e o magnata do varejo Leslie Wexner. O comitê também agendou entrevistas com James Staley, executivo de Wall Street que durante anos foi o principal defensor de Epstein no JPMorgan, e com Leon Black, o bilionário do setor de private equity que pagou a Epstein US$ 170 milhões por serviços de consultoria tributária e patrimonial.
A convocação ocorreu após a divulgação de documentos pelo Departamento de Justiça americano no âmbito das investigações sobre Epstein. Os arquivos reúnem registros de encontros, trocas de mensagens e fotografias envolvendo empresários, políticos e outras personalidades que mantiveram contato com o financista ao longo dos anos.
Parlamentares democratas também defendem que o presidente Donald Trump seja ouvido, citando sua antiga relação com Epstein. Republicanos, por sua vez, afirmam não ter encontrado evidências de irregularidades envolvendo o atual presidente.
Epstein foi indiciado pelo governo federal americano em 2019 por acusações de tráfico sexual de menores e conspiração para exploração sexual. Os promotores afirmaram que ele manteve, entre 2002 e 2005, uma rede de adolescentes, algumas com apenas 14 anos, para fins de abuso sexual. O financista morreu na prisão em Nova York enquanto aguardava julgamento.
*Com informações de agências internacionais.
(Com Agência Estado)
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