Quarta-Feira, 13 de Novembro de 2019, 19h:33

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Justiça Militar estende "liberdade" a tenente acusado de fraudar arma

Por: LUIS VINICIUS

O Conselho Especial de Justiça Militar concedeu no fim da tarde desta quarta-feira (13) extensão de liberdade ao tenente da Polícia Militar Cleber de Souza Ferreira no âmbito da “Operação Coverage”, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), no dia 21 de agosto.

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 Tenente Cleber de Souza Ferreira

No entanto, o oficial continuará preso por estar cumprindo outros três mandados de prisão em relação a “Operação Mercenários” que investiga homicídios (tentados e consumados) em que o policial estaria envolvido. As ordens foram expedidas pelo juízo do município. Cleber está preso no 3º Batalhão da Polícia Militar, localizado bairro CPA, na Capital.

A extensão da liberdade do tenente foi definida durante audiência de instrução da Operação Coverage, realizada na tarde desta quarta-feira (13), no Fórum de Cuiabá. O procedimento foi presidido pelo juiz da 11ª Vara Militar, Marcos Faleiros, acompanhados dos juízes militares, tenente coronel PM Darwin Salgado Germano, tenente coronel PM Andreia Vital Costa, tenente coronel PM Celso Benedito Pinheiro ferreira e tenente coronel Robson Fernando Antonietti.

Da Operação Coverage, são réus: o tenente coronel PM Marcos Eduardo Ticianel Paccola, tenente coronel PM Sada Ribeiro Parreira, o tenente Thiago Sátiro Albino, o tenente Cleber e o sargento Berison Costa e Silva.

Destes, apenas Cleber estava preso. Diante disso, após a audiência de instrução, o advogado Ricardo Monteiro, que patrocina a defesa do tenente, solicitou a extensão dos efeitos de liberdade dos demais acusados a Cleber.

Na votação, o juiz relator Marcos Faleiros votou contra a extensão devido Cleber estar sendo investigado em outros crimes. Já os juízes coronéis foram a favor da “soltura” do oficial. O Ministério Público, representado pelo promotor Allan Sidney do Ó, deu parecer favorável à “liberdade” de Cleber.

“Ele foi liberado do processo da Coverage, mas continuará preso por estar respondendo processo em Várzea Grande. A extensão foi correta, tanto é, que o próprio Ministério Público foi favorável a extensão da liberdade, pois é injustificável a permanência da prisão dele”, disse Monteiro ao HNT / HiperNotícias.

Operação Coverage

Alan Cosme/HiperNoticias

major paccola

 Tenente coronel Marcos Eduardo Ticianel Paccola

Os militares são suspeitos de utilizar seus cargos e funções de relevância para adulterar o registro de uma pistola 9 mm, mediante falsificação documental e inserção de dados falsos em sistema informatizado da Superintendência de Apoio Logístico e Patrimônio da Polícia Militar.

O revólver pertence a Ferreira. De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), as fraudes foram descobertas após a apreensão da pistola e do celular do tenente na Operação Assepsia, deflagrada pela GCCO.

Depois da apreensão, o aparelho foi encaminhado à Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), onde foram realizadas extrações de conversas do aplicativo WhatsApp.

Desses diálogos, os policiais descobriram um suposto grupo criminoso composto pelo próprio tenente Cleber, Albino, Paccola e Parreira.

A Polícia Civil descobriu que essa pistola teria sido usada por Cleber em crimes de homicídios ligados aos inquéritos da "Operação Mercenários".

A arma foi encaminhada à Perícia Técnica e Identificação Oficial (Politec) pela Polícia Militar, para exame de balística por conta de o tenente ter, em tese, efetuado um disparo de arma durante uma festa junina da Rotam, em 2018.

Depois, em 2019, a DHPP pediu perícia em todas as armas calibre 9 mm, que tinham passado pela Politec, nos últimos dois anos, para conexão a eventuais crimes de homicídios.

A Politec constatou em laudos periciais de balística a utilização da pistola em três homicídios consumados e quatro tentativas de homicídios, ocorridos entre os anos de 2015 e 2016. A suspeita é de que os militares fariam parte de um grupo de extermínio.

Nessa fase da investigação, a DHPP apurou que a arma pertencia ao tenente Cleber na data dos crimes, com registro no Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma).

Quando da prisão do tenente na operação Assepsia, a GCCO verificou que havia diversas fraudes praticadas por ele com objetivo de dar legalidade a uma arma 9mm, a mesma que foi descoberta recentemente vinculada aos inquéritos da operação Mercenário.

 

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