Justiça Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011, 09:16 - A | A

Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011, 09h:16 - A | A

TRIBUNAL DO JÚRI

Familiares de servidor morto aguardam ansiosos por decisão do Tribunal do Júri

Julgamento, que começou na quarta-feira, segue durante toda esta quinta-feira; decisão só deve sai no final da tarde

HÉRICA TEIXEIRA
herica@hipernoticias.com.br

Mayke Toscano/Hipernotícias

O cacique Marvel é apontado como executor do servidor público, Floriano Márcio Guimarães, em setembro de 2001, no município de Água Boa

O julgamento do cacique Marvel Tsowoon Xavante foi retomado na manhã desta quinta-feira (17). Para a defesa da família do servidor da Funai Floriano Márcio Guimarães, o júri deve acontecer durante todo o dia e a decisão só deve sair no final da tarde de hoje. Familiares da vítima acompanham julgamento.

O júri popular do indígena começou na manhã de quarta-feira (16) e seguiu até pouco mais das 20h30. Foi suspenso pelo juiz federal da 5ª Vara, José Pires da Cunha, que preside o julgamento, que acontece na sede da Justiça Federal, na Capital.

Marvel é julgado pelo assassinato do servidor da Funai Floriano Márcio Guimarães, executado com um golpe de canivete no pescoço. O crime aconteceu em setembro de 2001, no município de Água Boa.

Para o advogado de defesa da família, Tarcísio Cardoso Tonhá, o julgamento foi suspenso devido a demora para ainda concluir o júri. A previsão é de que a decisão saia só no final da tarde desta quinta-feira (17). Hoje acontece o debate entre defesa e acusação.

“O julgamento só vai terminar no final da tarde (hoje), pois serão pouco mais de cinco horas de debate entre defesa e acusação. E ainda os jurados poderão pedir para ouvir mais alguma testemunha”, ressaltou.

O último ato do júri na noite desta quinta-feira foi o depoimento do cacique Marvel, que mais uma vez se diz inocente do assassinato do servidor da Funai. Xavante culpa o outro índio, Aristeu Tserene'ewe Xavante, pelo crime.

Tarcísio definiu o depoimento de Marvel como “confuso” e houve a clara tentativa de colocar culpa a outro índio. “Mais uma vez o índio negou fatos, imputou culpa a Aristeu. Ao final do julgamento o cacique já estava se enrolando nas respostas”, apontou.

O advogado informou que a família saiu do julgamento muito aborrecida com o depoimento do indígena. “Eles estão tristes, as declarações ouvidas ontem foram muito fortes”, resumiu.

Nesta quinta-feira foram ouvidos testemunhas de acusação, Aristeu Tserene`ewe Xavante, Dorgival Vieira dos Santos, Pedro Serenhu-Bru-Xavante, Adevertino Soares (comum a defesa) e a esposa de Floriano, Noemi Leite Moraes (informante).

As testemunhas de defesa foram Euvado Gomes da Silva e Aloir Pacini.

O CRIME

Floriano Márcio Guimarães foi morto em 26 de setembro de 2001. Segundo a denúncia, ele foi à aldeia Tritopa, pela manhã, para fazer a demarcação das terras. Em sua companhia, seguiram o cacique Marvel e mais um índio da aldeia, identificado como Aristeu Tserene'ewe Xavante.

O trio seguiu até a cidade de Nova Nazaré (269 km a Leste da Capital), onde permaneceu até às 22 horas. Ao retornar, o chefe da Funai parou o carro a 100 metros da aldeia para que os índios descessem, quando, segundo a denúncia, foi degolado pelo cacique com um canivete.

Antes de morrer, Guimarães teria dito a algumas pessoas que sofria ameaças. Seu corpo foi encontrado pelo índio Ari Mahaio.


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