Terça-Feira, 22 de Setembro de 2020, 16h:00

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Assembleia de Deus acusa pastor de rebeldia e tenta descredenciá-lo por discordar de reunião

Por: RAYNNA NICOLAS

A Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Mato Grosso pediu o descrenciamento do Pastor Nelson Barbosa Alves, nesta segunda-feira (21). O então 1º secretário da subsede da Igreja em Cuiabá foi acusado de ter se rebelado contra decisões de outros pastores. Em agosto, Nelson foi contra a realização de Assembleia Geral durante a pandemia de Covid-19, em decorrência do risco de aglomerações. 

Reprodução

Pastor Nelson Barbosa

 Pr. Nelson Barbosa.

"Consta das inclusas atas de reunião do dia 10 de julho de 2020 realizada no Templo Sede desta igreja bem como das imagens gravadas no dia 04 de agosto de 2020 realizada no Grande Templo, o denunciado supra qualificado promoveu acusações contra o Ministro do Evangelho regularmente credenciado junto a COMADEMAT, bem como promoveu dissidências, manifestou e se rebelou contra decisões de Pastores credenciados do Ministérios da Igreja e Convenção Estadual e Geral. Além disso, ajuixou ação contra atos da Igreja e gestores desta Organização Religiosa", diz trecho do documento assinado pelo vice-presidente da Igreja, Enézio Barreto, obtido com exclusividade pelo HNT/Hipernotícias.

As tensões começaram após a morte do Pastor Sebastião Rodrigues, que permaneceu à frente da Assembleia de Deus de Cuiabá e Várzea Grande até julho deste ano, quando faleceu em decorrência das complicações do coronavírus.

O nome mais cotado para assumir o comando da Igreja na região metropolitana era o de Silas Paulo de Souza que, posteriormente, foi homologado como presidente.

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A preocupação de Nelson Barbosa, no entanto, era em relação ao artigo 49º do estatuto da igreja, que diz textualmente que “o Ministério é o órgão de deliberação espiritual da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, e é composto de membros vocacionados ao sacerdócio para a propagação do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, denominados de: Pastores, Evangelistas, Presbíteros e Diáconos”. Todos essas pessoas totalizariam, segundo fontes do site, mais de 3 mil pessoas.

Durante o impasse, a Igreja ficou sob o comando do Administrador Provisório Enézio Barreto Rondon, hoje vice-presidente da Assembleia de Deus em Cuiabá e Várzea Grande.

Na ocasião, o ex-primeiro secretário da Igreja chegou a ingressar com ações judiciais para que o evento não fosse realizado.

No dia 30 de julho, Barbosa chegou a pedir que Assembleia Geral só fosse convocada após  a edição de Decreto Municipal de Cuiabá classificando como de baixo risco a contaminação no município, ou, alternativamente, após a liberação de aglomerações pelas autoridades competentes, aguardando pelo prazo mínimo de 180 dias. 

Contudo, a deliberação foi realizada no dia 4 de agosto, no Grande Templo da Igreja Assembleia de Deus, localizado na Avenida do CPA, mesmo diante de decisão judicial que suspendeu o evento. No local, foram adotados os procedimentos de contenção ao coronavírus, como uso de máscara, distanciamento, uso de álcool e aferição da temperatura. 

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O Pastor Silas Paulo de Souza foi reconhecido por aclamação como Presidente da Assembleia de Deus do Campo de Cuiabá e, em seguida, indicou Enézio Barreto como vice. 

A eleição, no entanto, foi marcada por polêmicas. Ao HNT/HiperNotícias membros da Igreja relataram insatisfação com a condução do processo eleitoral. Segundo eles, muitos fiéis não puderam participar da votação por questões cadastrais.

"Foi um verdadeiro atropelo, às 17h30 as pessoas já não podiam mais entrar e vários membros foram barrados pois estão com os cadastros desatualizados e não constavam na lista de presença", pontuou um fiel, que preferiu não ser identificado. 

Pouco mais de um mês depois, o vice-presidente da Assmebleia de Deus, Enézio Barbosa, encaminhou para a homologação o descredeciamento do Pastor Nelson Barbosa.  

Outro lado

O Pastor Nelson Barbosa informou que encaminhará sua defesa para a Comissão de Ética da Covenção de Ministros das Assembleias de Deus no Estado de Mato Grosso (Comademat). 

No entanto, o líder religioso, ressaltou que sua manifestação durante a Assembleia Geral foi legítima, pois, como membro da Igreja, tinha o direito de se manifestar. 

"Principalmente como secretário eleito, eu tinha todo o direito de me manifestar em uma Assembleia, isso está no Estatuto da Igreja. Eu queria falar que aquela Assembleia tinha sido cancelada pela Justiça, o oficial de Justiça foi até lá e notificou o Pastor Enézio de que aquela Assembleia estava suspensa por motivo da pandemia de coronavírus. A Igreja não podia fazer uma reunião daquelas em plena pandemia, que estava muito grave naquela época", declarou. 

Durante a reunião, Barbosa tentou subir ao púlpito, mas foi impedido pelos colegas. Segundo ele, sua única intenção era avisar aos fiéis de que a Assembleia Geral estava temporariamente suspensa, até que fosse emitida uma nova decisão judicial. 

"Quanto a ação judicial que eu fiz, eu não fui contra a Igreja. Eu fui a favor da Igreja, não queria que a Igreja fosse exposta ao perigo de os membros serem contaminados pela Covid-19. Não é uma ação contra a Igreja, eu queria defender a membresia. A reunião poderia ser adiada para um momento como agora, que a questão está mais tranquila. Muitos membros não puderam participar porque estavam com medo, inclusive", concluiu. 

 

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