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Quinta-feira, 21 de Abril de 2011, 21h:00

O que fazer quando nem o Palácio do Governo está protegido dos assaltos?

Em um mês duas secretarias do Estado foram alvo de bandidos armados, que assaltaram caixa eletrônico e pertences pessoais dos servidores, uma abaixo do gabinete do governador. Casa Militar anuncia providências para combater a prática, cada vez mais comum

ALIANA CAMARGO

 

Mayke Toscano/Hipernotícias
Cel Antonio Moares, Secretário da Casa Militar, anuncia providências para conter violência na sede do Governo do Estado
A criminalidade em Cuiabá está avançando que já atingiu o Palácio Paiaguás, sede do governo do Estado, localizado no Centro Político Administrativo, mais conhecido como CPA - prédios que abrigam a maioria das secretarias e órgãos importantes do governo estadual, além de vários do judiciário, Ministério Público e entidades de classe diversas. Somente no mês de abril, foram registradas duas ocorrências de roubo e furto nesta região da Capital.

Na manhã do dia 5 de abril a Secretaria de Planejamento (Seplan) foi assaltada. Cinco homens armados e vestidos com uniforme da Polícia Militar (PM) invadiram a secretaria e levaram cerca de R$ 400 mil do caixa eletrônico instalado no local para atender os servidores.

Já no dia 12 do mesmo mês, homens armadas entraram no prédio onde funciona o Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) para roubar pertences de funcionários, como celulares e carteiras, entre outros.

As duas ocorrências relatadas acima foram a menos de 100 metros da Casa Militar, órgão responsável pela segurança pessoal do governador do Estado e também do Palácio Paiaguás.

Hipernoticias conversou com o Chefe da Casa Militar, coronel Antônio Moraes, para saber quais providências estão sendo tomadas após o registro dessas ocorrências que deixaram os servidores em alerta, e o que os cidadãos podem esperar da Segurança Pública, quando nem a sede do governo está seguro.

Coronel Moraes apresentou de início duas vertentes para os fatos ocorridos: a primeira hipótese é de falha no procedimento. Os policiais deveriam ter feito a ronda de hora em hora e verificar junto ao vigilante se estava tudo bem. A segunda hipótese é a conivência de alguém para que os bandidos agissem livremente.

A primeira vertente já foi confirmada por  Moraes. Segundo ele, os policiais responsáveis pela ronda não fizeram o serviço de acordo com o procedimento operacional padrão (POP). Em relação a isso o coronel está tomando medidas e já abriu investigação interna para estudar a fundo o que ocorreu no dia do roubo aos caixas da Seplan.

A hipótese de conivência é mais delicada, explica Moraes, porque se houve conivênvia pode ter partido tanto dos policiais como das empresas terceirizadas que também são responsáveis por vigiar a instituição. Moraes revela que se reuniu com as empresas, no total cinco, que fazem o trabalho terceirizado de segurança de todas as secretarias do centro político.

O militar toca num ponto frágil da burocracia brasileira. Segundo ele, como em todos os contratos há licitação, onde quem ganha geralmente tem o menor preço, isso pode indicar que nem sempre quem tem o menor preço tem as melhores condições e equipamentos para atuar no ramo da segurança.

“O processo de economicidade da gestão pública não passa pela questão de não gastar, passa pela questão de gastar bem. Eu não sei como esses vigias são selecionados, por isso, precisamos de vigias com qualidade. Eu não quero que eles tenham posturas de policial, não quero que eles usem armas, eu quero que eles vigiem”.

Sobre o roubo no Intermat, Moraes diz que foram dois garotos que ficaram perambulando pelas imediações, e aproveitaram a troca de turno para roubar e pegar as armas dos vigias. “Eles levaram os pertences, mas o objetivo que eles tinham era justamente levar a arma dos vigilantes. Nós já recuperamos uma arma na mesma noite, no Pedra 90”, diz.

As medidas tomadas pela Casa Militar de agora em diante serão no reforço do policiamente, através da colaboração dos policiais da Rotam em momentos de chegada e saída dos funcionários ao Centro Político Administrativo. A polícia também fará mais abordagens em pessoas “suspeitas” que estiverem perambulando na região.

MANCHA DE CRIMINALIDADE

Cuiabá está vivendo um fenômeno na criminologia que é chamando de “deslocamento de mancha de criminalidade”. Para o coronel Moraes, “o crime ocorre o tempo todo. Os órgãos de segurança pública trabalham para controlar porque não vai conseguir acabar com o crime, porque o crime é uma manifestação de violência”.

As organizações criminosas estão agindo intensamente em Cuiabá e interior nos arrombamentos à caixas eletrônicos. A influência é tamanha que no dia 6 de abril a Policia Federal prendeu dois policiais militares, lotados em Várzea Grande, que tinham participação numa quadrilha especializada na modalidade roubo à caixas. Veja matéria aqui.

Coronel Moraes acrescenta que “temos um traço cultural, como furar fila, avançar o sinal. São traços culturais muito fortes. E isso vai ganhando proporções quando volta para a sociedade”.