Em apenas três anos, a Fifa gastou mais de US$ 60 milhões (R$ 197,4 milhões) em honorários de advogados para se defender e viu uma fuga importante de empresas parceiras, temerosas em ver seus nomes relacionados com uma entidade símbolo da corrupção.
Por dois anos, a Fifa não moveu uma só ofensiva contra Del Nero, mesmo com ele indiciado.
O presidente Infantino o visitou no Rio, ganhou do cartola uma camisa da seleção com seu nome, inaugurou uma placa, nomeou seus afilhados para comitê da Fifa e até liberou US$ 100 milhões (R$ 329 milhões) como parte do legado da Copa de 2014.
Questionado pelo Estado no início de dezembro sobre a situação do brasileiro, Infantino ainda pediu que a "tolerância" fosse adotada em relação aos acusados. Mas, nos bastidores da Fifa, uma decisão foi tomada por seus advogados. Ninguém seria protegido se evidências de corrupção viessem à tona.
Assim, quando os procuradores norte-americanos inundaram a corte de Nova York com evidências da corrupção de Del Nero, foi a vez da equipe legal da entidade mandar um recado claro a Infantino: manter o brasileiro na "família do futebol" havia se tornado "insustentável".
A cúpula da Fifa, então, passou a viver um dilema. De um lado, punir Del Nero significaria um golpe político contra um cartola que havia dado apoio a Infantino nas eleições. Mas mantê-lo no futebol brasileiro, diante das provas apresentadas nos EUA, deixaria escancarado às autoridades o fato de que o combate à corrupção não passava de discurso vazio. Venceu o sentido de sobrevivência da Fifa, mesmo que, para isso, antigos aliados fossem traídos.
(Com Agência Estado)
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.






