A Brax manteve no passado um contrato com a CBF envolvendo a Série B que não cumpriu até o fim. Em 2025, a agência comprou os direitos de placas de publicidade da competição, em um acordo estimado em R$ 60 milhões por ano, além de adquirir os naming rights, avaliados em aproximadamente R$ 48 milhões.
Os acordos possuem prazos diferentes. O contrato das placas publicitárias é válido até 2029, enquanto o de naming rights se estende até 2026. No início da semana, a Brax notificou a CBF formalmente e alegou que o torneio teria perdido valor comercial devido à audiência registrada em 2025, inferior em comparação ao ano anterior, o que reduziria sua capacidade de gerar receitas. A informação foi inicialmente publicada pela Folha de S.Paulo.
Questionada pela reportagem, a CBF afirmou que analisa "internamente os impactos do comunicado e as possibilidades contratuais e legais, ressaltando que os contratos vigentes permanecem em pleno efeito".
Segundo a confederação, "qualquer eventual decisão não afetará os repasses financeiros aos clubes da Série B", que, diz a entidade, é estratégica e está sendo valorizada.
Depois, em reunião na sede da CBF quarta-feira, 11, um sócio da Brax repetiu o discurso diante dos clubes. No entanto, a reportagem ouviu de dirigentes de times que disputam a competição que a empresa tinha conhecimento de como seriam distribuídos os jogos para as plataformas e emissoras interessadas em transmitir a Segunda Divisão e que o mercado não mudou substancialmente em tão pouco tempo.
No encontro, a Brax não afirmou explicitamente que haverá rompimento do contrato, mas relatou as dificuldades que estaria tendo nas negociações e fez queixas.
A Brax pediu à CBF para renegociar o contrato comercial porque, segundo argumenta, a Série B teria perdido valor comercial sem transmissão da Globo na TV aberta e fechada. No ano passado, o torneio foi transmitido por ESPN na TV fechada e RedeTV! na TV aberta, além de Desimpedidos (YouTube) e Kwai (aplicativo gratuito).
A CBF diz que as dificuldades comerciais envolvendo a Série B em 2025 e 2026 foram comunicadas pela Brax "acompanhadas de parecer técnico que aponta queda nos índices de audiência" e que recebe os dados "com preocupação".
Neste ano, a Série B será transmitida por Disney (ESPN e Disney+), RedeTV!, XSports, Goat, SportyNet e também pelo Grupo Globo. Mas são poucas partidas, visto que a emissora da família Marinho comprou, em negociação com a CBF, apenas os direitos de transmissão dos jogos de Náutico e São Bernardo como mandantes.
Segundo fontes envolvidas nas conversas, as reclamações da agência de marketing esportivo foram interpretadas como um sinal de pressão. O valor pago pelos naming rights normalmente é usado pela CBF para bancar a logística dos clubes na Série B, como viagem e hospedagem.
Em 2023, a Brax adquiriu direitos de transmissão e de betting dos jogos da Série B. No ano seguinte, decidiu rescindir o contrato e se retirou sem pagar multa, já que não foi cobrada pela CBF. O acordo era válido até 2026 e o dinheiro seria destinado aos clubes, que se irritaram naquela ocasião.
O QUE É A BRAX?
A Brax ganhou projeção em 2023 graças a um acordo que fez com a Federação de Futebol do Rio (Ferj) para a transmissão do Campeonato Carioca. A empresa, depois, negociou os direitos com a Band.
A empresa surgiu da união de três outras com décadas de atuação na área: Printac, Market Sport e Esportecom. Desde que se juntou, o grupo passou a atuar junto a clubes das Séries A e B, CBF, federações estaduais (como a carioca e a gaúcha), Conmebol e até mesmo no Campeonato Chileno.
Em geral, os contratos dizem respeito à publicidade estática nos estádios. O modelo se aproxima ao do que é visto agora nos acordos de transmissão: o clube ou entidade estabelece um valor mínimo pela venda dos espaços e a empresa paga por ele. A partir daí, a Brax busca lucrar em cima da diferença que consegue com os anunciantes.
O jeito encontrado pela empresa para maximizar as receitas, tanto dos clubes quanto a sua própria, é vender pacotes de publicidade fechados e que reúnem diferentes marcas. Antes, era comum as agremiações negociarem os acordos individualmente com as empresas, mas usando diferentes agências intermediárias, que ficavam com um porcentual do acordo.
(Com Agência Estado)
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