"O assunto de fato surgiu hoje. A possibilidade de que nosso próximo passo possa ser um aumento foi, sim, levantada na reunião, tal como ocorreu no encontro anterior", disse ele, em coletiva de imprensa, no período da tarde desta quarta.
Segundo ele, a grande maioria dos dirigentes do FOMC não considera a possibilidade de aumento das taxas em seu cenário-base. E, naturalmente, não descartam nenhuma opção, acrescentou.
Powell explicou que os dirigentes tiveram uma conversa sobre os riscos dos dois lados do mandato da autoridade. No encontro, ele afirmou que vários dirigentes mencionaram que as expectativas de inflação de curto prazo subiram. No entanto, a maioria dos itens analisados ainda estão "sólidos", segundo ele.
"Creio que todos concordam, de fato, que continuaremos a monitorar esses indicadores com extrema atenção, à medida que observamos a materialização dos efeitos do conflito sobre os preços", disse o presidente do Fed.
Conforme ele, muito será aprendido até o próximo encontro. "O que acontecer no Oriente Médio será um grande fator", projetou Powell. "É tudo muito incerto", avaliou. Ele afirmou ainda que o choque no fornecimento de energia é um "evento isolado".
Estagflação nos moldes da década de 70 não é o caso
O presidente do Federal Reserve disse ainda que não há uma situação de estagflação nos Estados Unidos, como ocorreu na década de 70. "Existe uma tensão entre os dois lados do mandato, certo? O risco de alta para a inflação e o risco de baixa para o emprego. E isso nos coloca em uma situação diferente", afirmou.
De acordo com ele, a situação atual é "muito difícil", mas não tem nada a ver com o que os EUA enfrentaram nos anos 1970, "uma época em que o desemprego estava na casa dos dois dígitos, a inflação estava realmente alta e o índice de miséria estava altíssimo". "Ao somar esses fatores, obtém-se o índice de miséria. E não é esse o caso agora", disse.
Na prática, avaliou, o desemprego nos EUA está muito próximo do que seria o nível normal de longo prazo, e a inflação que está um ponto porcentual acima desse nível. "Portanto, chamar isso de estagflação... eu reservaria o termo estagflação para - sabe - um conjunto de circunstâncias muito mais graves. Essa não é a situação em que nos encontramos", reforçou. "O que temos é uma certa tensão entre os mandatos, e estamos tentando gerenciar a situação para superá-la", acrescentou.
Powell disse ainda que a economia dos EUA se manteve forte apesar de uma série de desafios. Na visão do dirigente, inflação é aumentos de preços, não um aumento isolado. O dirigentes também defendeu a necessidade de humildade frente ao cronograma de repasses das tarifas para a economia norte-americana.
Cargo
O presidente do Federal Reserve disse que não tem intenção de deixar o conselho da autoridade monetária antes do fim da investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ, na sigla em inglês). "Não tenho intenção de deixar o conselho até que a investigação esteja bem e verdadeiramente concluída com transparência e finalidade", comentou.
Questionado sobre vai continuar como membro do conselho do Fed após o término do seu mandato e após a conclusão da investigação, Powell disse que ainda não tomou essa decisão. "Tomarei essa decisão com base no que acho que é melhor para a instituição e para as pessoas que servimos", disse.
Ele afirmou ainda que se nenhum presidente do Fed for confirmado até fim do seu mandato, continuará servindo à autoridade monetária.
O mandato de Powell termina em maio próximo. Caso o futuro presidente do BC dos EUA, Kein Warsh, tenha seu nome aprovado até lá, abril será a última reunião capitaneada pelo atual presidente do Fed.
(Com Agência Estado)
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