Terça-Feira, 18 de Fevereiro de 2020, 11h:24

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Renovados temores de desaceleração por coronavírus empurram Ibovespa para baixo

Por: CONTEÚDO ESTADÃO

O Ibovespa sucumbiu nesta terça-feira, 18, ao clima de aversão a risco que contamina o exterior, após o alerta feito pela Apple, depois de fechar na segunda-feira, 17, em alta de 0,81%, aos 115.309,08 pontos. O fabricante do iPhone alertou que não conseguirá cumprir suas projeções de receita para o trimestre até março, por causa dos efeitos do coronavírus, iniciado na China.

O alerta da empresa prejudicou fortemente o setor de tecnologia da Ásia, comprometendo o apetite por risco na região e as bolsas fecharam em baixa. Na Europa e com os índices futuros de Nova York - estes últimos que reabrem hoje após feriado ontem nos EUA - não é diferente.

Às 11h12, o Ibovespa caía 1,014%, aos 114.113,08 pontos.

O temor é de que o contágio na Apple se alastre para outras companhias de outros países, bem como seus respectivos dados de crescimento, diz Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença DTVM. "O problema é se afetar o desempenho de outras empresas e o PIB de vários países", afirma.

Além de impactar os mercados acionários, o alerta da Apple também atinge as moedas de países emergentes. No Brasil, o dólar avança na casa de R$ 4,34 ante o real.

Conforme cita em nota a MCM Consultores, investidores temem que a paralisação da economia chinesa cause vários transtornos às empresas do setor de tecnologia, que apresentam elevada dependência de seus fornecedores chineses.

Os temores não são só em relação à economia chinesa, mas quanto ao ritmo de crescimento da economia mundial.

No Brasil, não é diferente. Nesta terça, o banco francês BNP Paribas reduziu a previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do País este ano, de 2% para 1,5%. Também cortou a estimativa para a taxa básica de juros, a Selic, de 4,25% para 3,5% ao final deste ano, de acordo com relatório obtido com exclusividade pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), assinados pelo chefe global de pesquisa para mercados emergentes, Marcelo Carvalho e pelo economista de mercados emergentes, Luiz Eduardo Peixoto.

Em Nova York, o futuro do índice Nasdaq cedia 0,45%, às 11h13. Conforme avalia em nota o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria Integrada, a despeito dos sinais de estabilização dos novos casos do coronavírus, ainda são incipientes as estimativas de perdas decorrentes do evento. "Cada vez mais os impactos via quebra das cadeias produtivas globais são considerados, situação que amplia os temores com efeitos econômicos maiores que o esperado", afirma.

Diante do cenário de preocupação com a desaceleração mundial, ainda deve ficar no radar dos investidores indicadores e balanços fracos da Europa. Na Alemanha, o índice ZEW de expectativas econômicas caiu de 26,7 pontos em janeiro para 8,7 pontos em fevereiro, ficando abaixo do esperado. Além disso, o britânico HSBC, maior banco europeu, teve forte queda no lucro de 2019 e a mineradora anglo-suíça Glencore teve um prejuízo significativo no ano passado, atribuído a baixas contábeis.

Nessa onda de aversão a risco, o desempenho do balanço da mineradora pode contaminar as ações do segmento na B3, que já abrirá com o minério de ferro em baixa de 0,33%, no porto de Qingdao, na China, nesta terça-feira.

O mercado ainda deve monitorar as ações da Petrobras. A greve dos petroleiros adentra o 18º dia e foi declarada abusiva e ilegal pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), que manteve a cobrança de multas diárias aos sindicatos envolvidos na paralisação.

A Petrobras notificou as entidades sindicais da decisão e "aguarda que os empregados retornem às suas atribuições imediatamente". A categoria marcou um ato para hoje à tarde em frente ao edifício-sede da petroleira no Rio. Outro foco de atenção é a paralisação de caminhoneiros programada para amanhã.

(Com Agência Estado)
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