"A projeção indicava que a inflação retornaria a 2% apenas no último trimestre de 2027, o que, por sua vez, estava condicionado a um ajuste da política monetária", explicou Lagarde em discurso preparado para um evento do BCE na cidade de Sintra, em Portugal. "Nossa análise mostrou que manter as taxas de juros inalteradas teria deixado a inflação acima de 2% em 2027 e 2028."
Lagarde também ligou diretamente a tensão geopolítica à inflação na zona do euro. Segundo ela, a guerra no Oriente Médio gerou "pressões inflacionárias significativas", em linha com a sensibilidade do bloco a choques de energia e custos de transporte, que podem contaminar preços ao consumidor e expectativas de inflação.
A presidente do BCE acrescentou que a durabilidade de um cessar-fogo entre EUA e Irã "está longe de estar assegurada", mantendo no radar do BCE a possibilidade de novos episódios de alta do petróleo, gás e fretes como fatores que podem dificultar o retorno da inflação à meta de 2%.
Na avaliação de Lagarde, o ambiente macroeconômico tende a continuar marcado por volatilidade.
Ela disse que é provável que a economia tenha de lidar com choques que afastem a inflação da meta nos próximos anos, sugerindo uma política monetária preparada para reagir a episódios recorrentes de pressão inflacionária.
(Com Agência Estado)
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