De acordo com Krugman, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, lançado há quase seis anos, tornou-se amplamente utilizado por oferecer transações gratuitas para pessoas físicas e de baixo custo para empresas. Ele argumenta que classificar o Pix como prática comercial desleal não faz sentido. "Desde quando é uma prática desleal uma empresa perder mercado para um concorrente que oferece um produto melhor e mais barato?", escreve.
Krugman afirma que a exigência de que bancos brasileiros ofereçam o Pix é comparável à obrigação de instituições financeiras americanas aceitarem depósitos e realizarem saques em dólares, rejeitando a tese de que isso conceda vantagem indevida sobre meios privados de pagamento, como cartões de débito.
O economista sustenta que a principal preocupação por trás das críticas ao Pix seria o impacto sobre empresas americanas como Visa e Mastercard e, em menor grau, o temor de que sistemas públicos de pagamentos possam desafiar, no futuro, a predominância internacional do dólar. Ainda assim, avalia que o Brasil é pequeno demais para alterar significativamente esse equilíbrio e vê um desafio mais relevante na eventual criação de um euro digital pelo Banco Central Europeu (BCE).
Krugman também critica a resistência republicana à criação de uma moeda digital emitida pelo Federal Reserve (Fed). Segundo ele, a oposição decorre menos de preocupações técnicas e mais do receio de que um dólar digital reduza a demanda por stablecoins e outros criptoativos. "A verdadeira preocupação é que funcionaria bem demais", escreve.
Na avaliação do Nobel, a reação ao Pix se assemelha à postura do governo Trump em relação às energias renováveis: em ambos os casos, interesses ligados aos setores de criptomoedas e de combustíveis fósseis rejeitam inovações que ameacem seus modelos de negócio.
Krugman conclui que as tarifas dificilmente atingirão seu objetivo. Politicamente, afirma que a medida tende a fortalecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Economicamente, argumenta que Washington terá alcance limitado para elevar tarifas sobre produtos como café, suco de laranja e carne bovina, devido ao risco de pressionar preços nos EUA. Além disso, cita a economista Monica de Bolle, do Peterson Institute for International Economics, segundo quem o redirecionamento do comércio global provocado pelas tarifas americanas acabou fortalecendo a posição exportadora do Brasil.
(Com Agência Estado)
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