Apesar da acomodação do mercado no dia, os movimentos foram bem pouco expressivos vis-à-vis a performance de segunda-feira entre os setores. O setor financeiro (IFNC) caiu 0,58%, mas puxado principalmente por Banco do Brasil, que recuou mais de 6%, enquanto Itaú, Bradesco e Itaúsa seguiram avançando.
Já o setor de utilities (UTIL: +0,16%), elétrico (IEEX: +0,04%), varejo e consumo (ICON: +0,81%), imobiliário (IMOB: +2,53%) e small caps (SMLL: +1,83%) esboçaram força para subir um pouco mais.
Isso sugere que o mercado segue posicionado para uma potencial continuidade do rali conforme o candidato Flávio Bolsonaro (PL) ganhe ainda mais força até o segundo turno. Depois de um desempenho do senador no primeiro turno muito melhor do que mostravam as pesquisas eleitorais até então, o mercado seguirá observando o "trade eleitoral", segundo o analista da AGF, Pedro Galdi.
Os investidores têm grande expectativa de que uma alternância de poder venha acompanhada de austeridade fiscal, o que abre espaço para um ambiente de juros menores - efeito favorável sobretudo para as companhias cíclicas domésticas.
"Normalmente, após um movimento muito forte de alta, o mercado tende a embolsar parte do lucro. É normal alguns ativos caírem sem nenhuma notícia aparente", afirma o chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, Gabriel Magno.
Profissionais de mercado ponderam que o otimismo pode ter prazo de validade. Segundo o analista de mercados da Ebury, Diego Barnuevo, caso a vitória de Bolsonaro no segundo turno seja confirmada, a atenção se voltará para a composição do gabinete e, sobretudo, para os anúncios na área fiscal, "que até o momento têm sido notavelmente vagos".
Sem isso, uma eventual decepção dos investidores poderia interromper a forte alta dos ativos locais.
(Com Agência Estado)
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