Em segundo plano, a ata do Federal Reserve (Fed) nesta tarde mostrou que os dirigentes estão divididos sobre a trajetória de juros nos EUA, o que fez o mercado reduzir levemente as apostas de que o banco central eleve os juros na reunião de setembro, ainda que a hipótese siga predominante, segundo a ferramenta do CME Group.
O economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, destaca que o evento de cauda relacionado aos EUA e ao Irã voltou a pressionar o petróleo e "bota água no chope" para a renda variável, com maior aversão a risco por conta dos receios com a inflação.
O petróleo Brent, que chegou a subir a US$ 80,59 na máxima, mas moderou a alta à tarde e fechou em US$ 78,02 (+5,20%), provocando a abertura da curva de DIs. "Ao ver os juros em nível elevado, o investidor se pergunta porque deveria tomar risco na Bolsa. Além disso, juros mais altos são contracionistas para a atividade econômica, o que pode afetar o lucro futuro das empresas", nota Perri.
O head de renda variável da Veedha Investimentos, Rodrigo Moliterno, concorda que o cenário geopolítico voltou a causar instabilidade aos mercados, trazendo de novo o fantasma de uma inflação mais elevada. Contudo, nota que ao longo do dia os investidores conseguiram digerir melhor as notícias e calibrar as probabilidades de quanto o conflito pode se intensificar ainda. "O grande ponto, que é o Estreito de Ormuz, permanece aberto. Trump também falou que não quer negociar, mas ao mesmo tempo disse não querer que o conflito continue - então é algo meio dúbio", afirma.
O recuo do Ibovespa também foi limitado pela alta de 2,79% (ON) e 3,15% (PN) das ações da Petrobras, mas ainda assim foi afetado pela queda de 4,59% das ações da Vale após o rebaixamento do Morgan Stanley e do recuo em bloco dos papéis de bancos.
Em terceiro plano, pesquisa Datafolha de São Paulo mostrou um empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro para eventual segundo turno. Para Perri, da Forum, "o empate técnico, na verdade, é uma má notícia em termos de fiscal que reforça o favoritismo do Lula", visto que SP é um antro antipetista, avalia.
Na quinta-feira, 9, a agenda doméstica de indicadores econômicos é enxuta, apenas com a divulgação da primeira prévia do IGP-M de julho às 8h. Apesar de funcionar, a Bolsa deve ter liquidez reduzida por conta do feriado da Revolução Constitucionalista em São Paulo. No noticiário internacional, destaque para dados de auxílio-desemprego nos EUA, às 9h30, e declarações de dirigentes do Fed pela manhã e à tarde.
(Com Agência Estado)
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