Economia Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011, 09:00 - A | A

Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011, 09h:00 - A | A

QUEDA

Empresas brasileiras têm queda de 51% no lucro no terceiro trimestre

As companhias com alto endividamento na moeda americana foram responsáveis pelos principais impactos negativos na compilação

ESTADÃO

imagem da internet

De acordo com a Economática, a moeda americana acumulou alta de 18,8% frente ao real entre julho e setembro
O terceiro trimestre foi um período de forte retração dos resultados das empresas nacionais. Um estudo da consultoria Economática, que reúne 127 balanços divulgados até ontem, mostra que o lucro acumulado por companhias brasileiras ficou em R$ 7 bilhões entre julho e setembro de 2011 - uma queda de 51% em relação aos R$ 14,3 bilhões contabilizados em igual período do ano passado.

Os dados, que excluem o lucro de R$ 7,9 bilhões obtido pela mineradora Vale, para evitar que apenas uma companhia distorça o cenário geral, são fortemente afetados pela valorização do dólar no terceiro trimestre. De acordo com a Economática, a moeda americana acumulou alta de 18,8% frente ao real entre julho e setembro. O dólar, lembra a consultoria, afeta os resultados das companhias por dois lados: aumenta os custos dos insumos importados e também o valor das dívidas tomadas no exterior.

As companhias com alto endividamento na moeda americana foram responsáveis pelos principais impactos negativos na compilação. Somente a produtora de celulose Fibria, que carrega um grande endividamento em dólar - ainda reflexo dos prejuízos da Aracruz com derivativos cambiais em 2008 -, viu seu resultado sair de um lucro de R$ 302 milhões, no terceiro trimestre de 2010, para um prejuízo superior a R$ 1,1 bilhão em igual período deste ano.

Empresas dos setores químico e de papel e celulose - segmentos que incluem gigantes como a Braskem e a Suzano Papel e Celulose, além da Fibria - também fecharam o trimestre no vermelho. Somadas, as empresas do setor químico tiveram prejuízo de R$ 779 milhões entre julho e setembro, enquanto as papeleiras perderam quase R$ 1,8 bilhão no mesmo período.

Câmbio

Para o economista Alexandre Mendonça de Barros, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), um alto passivo em moeda estrangeira pode anular o efeito positivo da valorização do dólar para as empresas exportadoras. "As exportadoras faturam mais quando o dólar sobe, mas o efeito do câmbio geralmente é mais forte nas dívidas", afirma Barros. Ele ressalta, porém, que o dólar já começou a ceder, o que deve contribuir para melhorar os balanços neste final de ano.

O movimento do real no terceiro trimestre foi um "solavanco" pontual, na avaliação do economista Silvio Campos Neto, da consultoria Tendências. O dólar iniciou o mês de julho a R$ 1,56 e fechou setembro a R$ 1,85, mas chegou a ser negociado a R$ 1,95 durante o trimestre. No início do quarto trimestre, com a situação europeia parecendo estar caminhando para uma solução - cenário que, agora, voltou a ser uma incógnita -, a moeda americana voltou a ceder frente ao real. A desvalorização acumulada é de quase 5% desde o início de outubro - ontem, o dólar fechou cotado a R$ 1,76.

"O movimento de depreciação do real foi muito rápido. Muitas empresas não fizeram ‘hedge’ (seguro) para se proteger e foram pegas na contramão", diz Campos Neto.

Margens

Embora o câmbio tenha tido forte contribuição para a piora dos resultados das empresas brasileiras entre julho e setembro, ele não foi o único "vilão" nos resultados das companhias nacionais. Os dados da Economática mostram também que houve redução de margens no terceiro trimestre em relação a igual período de 2010. Isso porque a receita das 127 empresas analisadas cresceu 11,4% na comparação, atingindo R$ 131 bilhões, enquanto o lucro operacional (antes do pagamento de impostos e taxas) caiu 4,8%, somando R$ 19,2 bilhões.

Para a consultoria, isso significa que as margens estão mais apertadas, influenciadas por um mercado mais competitivo. A noção é corroborada por análise da corretora Planner, que aponta um aumento generalizado nos custos das empresas que não pôde ser repassado integralmente aos preços. "Existe uma grande concorrência nos mercados e as empresas estão com dificuldades em repassar os custos para os preços. A consequência é que as margens estão mais apertadas", afirma a Planner.

Se os analistas dizem que os problemas cambiais não devem se repetir com a mesma intensidade nos balanços do quarto trimestre, eles alertam que as margens de lucro devem permanecer em patamares mais baixos do que os percebidos em 2010.
Segundo a análise da Planner, a retração dos ganhos deverá refletir o novo patamar da economia global, que caminha para uma desaceleração, afetando também o Brasil. O PIB brasileiro, que teve crescimento de 7,5% em 2010, deve ter expansão abaixo de 4% este ano, segundo as projeções mais recentes do mercado financeiro.

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