Embora a possibilidade de cortes adicionais da taxa Selic possa diminuir parcialmente a atratividade das operações de carry trade, a melhora do ambiente econômico e a perspectiva de aumento do fluxo de recursos estrangeiros para a bolsa local, com juros menores, podem dar certo amparo à moeda brasileira, afirmam operadores.
Com mínima de R$ 5,0990 no início da tarde, o dólar à vista terminou o dia em baixa de 0,28%, a R$ 5,1084 - menor valor de fechamento desde 17 de junho. A moeda americana recua 1,17% na semana e 1,06% em julho, após ganhos de 2,38% no mês passado. As perdas no ano são de 6,93%.
Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA desacelerou de 0,58% em maio para 0,16% em junho, abaixo do piso das estimativas colhidas por Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), de 0,26%, sobretudo por conta da deflação dos preços de alimentos.
"O IPCA mostrou uma composição qualitativamente mais favorável, com diminuição da inflação subjacente, o que reforça nossa expectativa de mais um corte da Selic", afirma, em relatório, a economista-chefe da Buysidebrazil, Andrea Damico.
Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operou com viés de alta ao longo da tarde, perto do nível dos 101,000 pontos, após mínima aos 100,598 pontos. Apesar da leve alta dos retornos dos Treasuries, a maioria das moedas emergentes ganhou terreno, com destaque para o peso colombiano.
Os preços do petróleo recuaram de forma modesta. O contrato Brent para setembro, que chegou a tocar US$ 80 o barril na última quarta-feira, fechou em baixa de 0,38%, a US$ 76,01. Na semana, subiu 5,35%. No tradicional estilo morde-e-assopra, o presidente Donald Trump disse que o cessar-fogo com o Irã acabou, mas que as partes concordaram em prosseguir nas negociações de paz.
O estrategista de câmbio Francesco Pesole, do banco ING, observa que a moderação nos preços do petróleo nos últimos dias permitiu uma melhora do ambiente global. "A diminuição do risco geopolítico mantém o foco voltado para os diferenciais de taxas de juros", afirma, em nota, Pessole, ressaltando que as divisas emergentes "de alto rendimento" se recuperam após o desmonte, no início desta semana, de operações de carry trade.
Os economistas Dev Ashish e Brendan McKenna, do Société Générale, mantêm uma visão construtiva em relação ao real, dado que as taxas reais de juros seguem elevadas e o Banco Central se mostra cauteloso. Eles alertam, contudo, para riscos fiscais associados às eleições. "Embora o real continue a oferecer um carry atraente, a expectativa é que as incertezas fiscais e políticas levem a uma depreciação, com taxa de câmbio subindo para R$ 5,25 nos próximos meses", afirmam.
(Com Agência Estado)
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