Da abertura ao ajuste final, prevalecia a percepção de risco geopolítico. O ultimato dos EUA ao Irã, que termina às 21h desta terça-feira, pesava sobre a confiança dos investidores que, em geral, venderam ações na sessão, desde os horários de negócio na Ásia até os da Europa e dos Estados Unidos.
Contudo, em Nova York, os principais índices mostraram alguma reação perto do fechamento, sem sinal único, com variações de -0,18% (Dow Jones), +0,08% (S&P 500) e +0,10% (Nasdaq) no encerramento do dia. Relatos da mídia internacional de que tanto o Irã como os Estados Unidos estariam avaliando uma proposta de cessar-fogo de duas semanas, apresentada pelo Paquistão, resultaram em melhora do humor em Nova York e, por consequência, também na B3 na reta final de sessão.
A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, foi informado da proposta de cessar-fogo com o Irã, e que "uma resposta virá". Por sua vez, o Irã estaria avaliando positivamente a proposta mediada pelo Paquistão.
Assim, na B3, o Ibovespa defendeu os 188 mil pontos no fechamento, com giro a R$ 26,4 bilhões, fortalecido na reta final. Nas duas primeiras sessões da semana, o índice agrega 0,11%, o que o coloca no mês a +0,43%. No ano, sobe 16,84%. Na ponta ganhadora nesta terça-feira, destaque para Braskem (+7,26%), Rumo (+2,95%) e RD Saúde (+2,25%). No lado oposto, MRV (-9,45%), Suzano (-6,39%) e Cyrela (-5,65%).
Entre as blue chips, Petrobras sustentava ganhos na primeira etapa da sessão, na contramão da maioria das ações de primeira linha, mas inverteu o sinal com a virada do Brent, para baixo. Os investidores também tomaram nota da saída do diretor de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Schlosser - uma mudança que volta a levantar questões sobre eventual retomada de indicações de cunho político na estatal, reporta do Rio a jornalista Gabriela da Cunha, do Broadcast ( sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) em conversa com o professor Rafael Chaves, da FGV-EPGE.
No fechamento, Petrobras ON mostrava perda de 0,28% e a PN, de 0,88%. Principal ação do Ibovespa, Vale ON subiu 0,72%, ganhando força no ajuste final. Entre os grandes bancos, a variação, no fechamento, ficou entre -0,97% (Santander Unit) e +0,87% (BTG Unit).
Embaixadas do Brasil nos países árabes do Golfo estão recomendando aos brasileiros que avaliem deixar a região diante da possibilidade de intensificação dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, e das possíveis retaliações iranianas a alvos nas nações vizinhas.
"O conflito regional dá sinais de escalada e não há como prever sua evolução", afirmam as embaixadas nos Emirados Árabes Unidos e no Kuwait em alertas postados em seus perfis nas redes sociais. As representações diplomáticas brasileiras no Bahrein e no Catar fizeram manifestações semelhantes, reporta o jornalista Alexandre Rocha, do Broadcast.
Em outro desdobramento, o Paquistão solicitou ao governo dos Estados Unidos que estenda o prazo de negociação de acordo com o Irã em duas semanas. O primeiro-ministro do país, Shehbaz Sharif, disse que os esforços estão em progresso estável e que os resultados podem vir "num futuro próximo". "Pedimos que o Irã reabra Ormuz como gesto de boa fé nas próximas duas semanas", afirmou Sharif, pedindo ainda que Irã e EUA cumpram um cessar-fogo nesse intervalo.
Uma fonte militar iraniana disse à agência de notícias Tasnim que Teerã adicionará as instalações de petróleo da Aramco e de Yanbu, na Arábia Saudita, e o oleoduto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, aos seus alvos se o presidente dos EUA, Donald Trump, atacar as usinas de energia do país. "Caso Trump cometa um crime, o Irã não hesitará em impor custos pesados aos Estados Unidos e seus aliados", disse. A fonte ainda acrescentou que, se o republicano colocar suas ameaças em prática, deverá "esperar um preço do petróleo de US$ 200 nos próximos dias".
"O prazo imposto até hoje, às 21h, para um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, acompanhado de um tom agressivo, elevou significativamente o nível de tensão global", diz Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain. "Esse tipo de fala não apenas assusta, como paralisa o apetite por risco. E é exatamente isso que estamos vendo, refletido na queda das bolsas ao redor do mundo e, consequentemente, no Ibovespa", acrescenta.
"Os primeiros sinais do impacto macroeconômico da guerra apontam para estagflação na Europa, importadora de energia, e uma reação mais resiliente nos EUA, autossuficientes", diz Matthew Ryan, head de estratégia de mercado global da Ebury. "Os investidores claramente buscam uma narrativa coerente à medida que ativos de risco se recuperam. Mas os preços do petróleo continuam subindo e o Estreito de Ormuz permanece fechado pelo Irã", acrescenta.
Na avaliação de Ryan, Donald Trump tem alternado ameaças com adiamentos de prazos. Como resultado desta tática de avanços e recuos, "os ativos financeiros passam a ignorar cada vez mais sua retórica para se concentrar nos acontecimentos reais", aponta o estrategista. "Assim como ocorreu após as primeiras semanas de turbulência tarifária, há um ano", observa.
(Com Agência Estado)
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