Na busca do dinheiro fácil, sem ligar para os danos que estão causando à natureza, as pessoas fazem de tudo para se dar bem. É o caso de quem vive do mercado clandestino do pescado na região: pescadores, que não respeitam a piracema; intermediários, que transportam o peixe inteiro sem a nota de procedência; o tráfico ‘formiguinha’, que transporta em pequenas quantidades de pescado já em filé - o que é proibido por lei, pois impede a fiscalização de identificar se o peixe capturado estava dentro do tamanho fixado pela legislação pesqueira - e coloca no mercado toneladas de produtos oriundos da natureza.
O caso mais recente de tráfico ‘formiguinha’ foi denunciado por um comerciante do ramo de alimentos da Baixada Cuiabana, através do site HiperNotícias: há anos uma grande quantidade de filés de cacharas, pintados e jaús está saindo de Santo Antonio de Leverger de ônibus no período da piracema, em insuspeitas mochilas, para abastecer peixarias, restaurantes e até churrascarias da região.
Os diferentes modos de atuar das pessoas que vivem do mercado clandestino do peixe muitas vezes criam situações até hilariantes, como os narrados por integrantes da Coordenadoria de Fiscalização da Pesca da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, que combatem sem tréguas a pesca predatória nos rios mato-grossenses e outras irregularidades da atividade pesqueira.
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Faz muitos anos, fiscais da extinta Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fema) pararam um ônibus da Tut Transportes na MT-040, que fazia a linha Barão de Melgaço-Cuiabá. Em seguida, pediram ao motorista para abrir o bagageiro para uma inspeção de rotina.
De cara, chama a atenção do pessoal da Fema a beleza de umas malas naquele compartimento do veículo. Ao notar, a reação dos fiscais, uma mulher se apresentou como dona delas e até se justificou: ia passar uns dias em Cuiabá e precisava de roupas...
Os fiscais pedem para a passageira abrir uma das malas e comprovam a suspeita: dentro dela, ao invés de roupas, muito peixe em filé. Nas outras malas também.
“Como a senhora explica isso”, perguntou-lhe um dos fiscais.
“Bem, quando eu saí de lá de Barão tinha carne de porco nas malas. Agora, se no caminho a carne de porco virou peixe, isso eu não sei explicar”, foi a resposta da senhora.
‘PACIENTES’ ESTAVAM PASSANDO MAL
De outra feita, fiscais pararam uma ambulância que vinha da região de Barão de Melgaço para Cuiabá. O motorista pediu, aflito: “Deixem-me ir embora, os pacientes estão passando mal, tenho pressa de chegar a Cuiabá...”
Os fiscais notaram umas caixas de isopor na parte de trás do veículo e foram checar o que tinham dentro delas, que certamente não eram medicamentos. Estavam abarrotadas de pintados e cacharas, que por falta de água e oxigênio, já estavam nos estertores... daí a pressa do motorista em completar a viagem
Só aí é que os fiscais se deram conta que os ‘pacientes’ a que se referia o condutor da ambulância eram os peixes, que de fato já estavam morrendo por falta de ar...
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