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Cuiabanália Domingo, 02 de Fevereiro de 2014, 08:11 - A | A

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Domingo, 02 de Fevereiro de 2014, 08h:11 - A | A

ENTREVISTA DA SEMANA

Lito prevê futuro sombrio para o futebol mato-grossense se os clubes não investirem nas divisões de base

Ex-jogador considera que a qualidade técnica do futebol atual de Mato Grosso está muito longe da fase em que os clubes despertavam a paixão dos torcedores

NELSON SEVERINO






Considerado por Benedito Lisboa, que foi tudo no Mixto – massagista, roupeiro, treinador, preparador físico e até presidente nos momentos de crise do clube, como o melhor centro avante de todos os tempos do futebol de Mato Grosso, pela sua capacidade de domínio de bola e finalização para o gol em diminutos espaços dentro da área – o atacante Lito anda desiludido com o atual futebol mato-grossense.

Ele participou da era de ouro do amadorismo e depois do profissionalismo e considera que a qualidade técnica do futebol atual de Mato Grosso está muito longe da fase em que os clubes despertavam a paixão dos torcedores, que lotavam os estádios Presidente Dutra e Verdão nos memoráveis clássicos que passaram para as história do popular esporte no Estado e principalmente na Grande Cuiabá.

Além dos campos de várzea já não revelarem mais tantos jogadores como acontecia no passado, Lito atribui o baixo nível técnico do futebol à falta de compromisso de alguns dirigentes para com seus clubes, o que desestimula os torcedores que sumiram dos estádios nos últimos anos. E lembra também que a várzea não produz mais craques que jogavam com amor à camisa e se dedicavam mesmo as cores do uniforme que defendiam.

Para Lito, que trocou a promissora carreira de jogador de bola pela Medicina Veterinária, embora recebesse proposta para ir para a escolinha do São Paulo FC, e depois para jogar no Botafogo, do Rio de Janeiro, se os clubes mato-grossenses não investirem pesado nas divisões de base para formar seus próprios craques, decididamente o futebol mato-grossense não tem muito futuro pela frente.

Arquivo Pessoal

HiperNotícias – Como jogador que participou da fase de transição do futebol amador para o profissionalismo em Mato Grosso, como o senhor vê o futebol mato-grossense da atualidade?

Lito – Gostaria de ver o futebol de Mato Grosso, com aquele encanto e brilho de outrora, não só no que se refere aos jogadores como também aos torcedores da época. Era comum ver o Estádio Presidente Dutra (Dutrinha), abrigando em todas as suas partidas um número considerável de torcedores, ávidos pelos bons espetáculos que eram proporcionados ao público presente, principalmente na transição do amadorismo para o primeiro período da profissionalização que se inicia em 1967 e vai até o final da década de 80, quando o futebol de Mato Grosso teve o seu apogeu. Entretanto, atualmente, vejo o futebol de Mato Grosso tentando se reafirmar sem, contudo, lograr o êxito desejado, havendo necessidade urgente de estímulo empresarial para todas as equipes, no sentido de buscar a verdadeira condição de esporte das multidões que o torcedor mato-grossense estava acostumado a ver.

HiperNotícias – Apesar dos altos investimentos dos clubes, principalmente do Cuiabá, Luverdense e Clube Esportivo Operário Várzea-grandense, o futebol mato-grossense tem hoje jogadores do nível técnico de Ruiter, Adilson, Gilson Lira, Mosca, Bargas, Bife, Mão-de-Onça, Pelezinho e tantos outros?

Lito – Infelizmente, na nossa ótica futebolística, não conseguimos visualizar atualmente, jogadores que reúnam qualidades técnicas não só dos já mencionados, como também se me permite acrescentar outros craques de qualidade similar que desfilaram pelos gramados de Mato Grosso, como é o caso do fenomenal Almiro, que saiu aos 16 anos do Mixto E.C. para brilhar no Santos de Pelé; “Professor” Poxoréu, verdadeiro maestro da bola; Edmundo Barriga, lateral direito cujo futebol refinado estava acima do seu tempo; Franklin, Damasceno, Portela, Baicere,Wilsinho, do “Pantera do Leste”; Fernando Fulepa, goleiro que jogaria em qualquer time do Brasil, Glauco, Tom, Nato, Ariel, Acácio, Ademir Moreira, Rômulo e tantos outros com os quais tive a oportunidade de jogar e que na atualidade, salvando algumas exceções dos que hoje atuam, dificilmente se produzirá safra tão abundante com os mesmos recursos técnicos de jogar futebol, exibidos por eles naquela época.

HiperNotícias – O nível técnico do futebol de Mato Grosso dos últimos anos pode ser comparado ao da época de ouro das décadas de 70/80? Qual a diferença entre os dois?

Lito – O nível técnico do futebol das eras 70/80 em Mato Grosso, dificilmente será superado, sendo temeroso até mesmo fazer comparações, mesmo porque os jogadores dessas décadas, salvo raras exceções, surgiam em campos de várzea, em colégios, logradouros, mas sempre exibindo já uma técnica apurada que se aliava a paixão futebolística, amor à camisa e que antigamente era nata do jogador, da mesma forma não se dava valor para cifras financeiras reclamadas pelos jogadores, como ocorre nos dias de hoje. É bem verdade, que atualmente, com algumas ressalvas, o que sobressai em maior intensidade é o preparo físico do jogador, aliado a tática moderna imprimida pelos seus respectivos treinadores.

HiperNotícias – Como artilheiro do Mixto que brilhou no Verdão, como o senhor se sentiu vendo o palco de tantas decisões que passaram para a história do futebol de Mato Grosso ser simplesmente demolido sem nenhum respeito para com o seu glorioso passado?

Lito – Acredito que quando houve o sorteio para Cuiabá figurar como uma das sedes do mundial de futebol, fatalmente já estava deliberada a decisão de infelizmente virar, sem critérios, uma importante página da história do futebol mato-grossense com a demolição iminente do Verdão. Vimos, com tristeza, a queda dessa base histórica do nosso futebol, principalmente quando ela representou reminiscências futebolísticas tão bem vividas por jogadores e torcedores mato-grossenses nos bons tempos de intensas multidões que lotavam aquela bela praça esportiva. Faltou, salvando melhor juízo, pelo menos um plebiscito voltado para a transformação do já velho Verdão em Arena Pantanal, obtendo dos seus verdadeiros donatários que é o povo, a anuência legal para que essa decisão não ocorresse à revelia como assim aconteceu.

HiperNotícias – Em sua a opinião, a construção da majestosa Arena Pantanal, uma obra cujo custo já saltou dos R$ 342 milhões iniciais previstos para mais de R$ 720 milhões, pode ajudar a revigorar o futebol de Mato Grosso, apesar dos seus altos custos de manutenção?

Lito – É lamentável que as distorções de superávit financeiro evidenciados no planejamento inicial das obras da Arena Pantanal atingiram patamares diferenciais nessa magnitude, o que consequentemente tende a trazer sérios prejuízos operacionais como um todo. Entretanto, como sou uma pessoa otimista, acredito que se os mentores do esporte em Mato Grosso voltarem suas vistas para um planejamento estratégico que carregue doravante em seu bojo a competência e a responsabilidade atreladas a dirigentes idôneos e compromissados com a licitude da coisa pública em detrimento da causa que abraçar, seguramente poderemos sim reativar uma era promissora no futebol de Mato Grosso.

HiperNotícias – Antes do recente surgimento do Cuiabá Esporte Clube e da decisão do Luverdense de investir pesado no futebol profissional, com o objetivo de projetar nacionalmente o município através da grande imprensa, o futebol de Mato Grosso amargou um longo período de ostracismo. O que está havendo com o futebol da Grande Cuiabá?

Lito – Os torcedores, via de regra, são fiéis as suas equipes. Entretanto, quando eles percebem que o dirigente não tem compromisso com o seu clube, tende a se afastar dos estádios, criando às vezes longos períodos de ostracismo que é sempre prejudicial ao futebol como um todo. Há que se ressaltar, porém, que na época do futebol amador e mesmo durante a sua transição, tivemos dirigentes que orgulhavam os seus torcedores pelo empenho, garra e dedicação que emprestavam aos seus clubes, como verdadeiros escudeiros fora das quatro linhas. Não podemos deixar de citar figuras ilustres do futebol de Mato Grosso como o professor Ranulfo Paes de Barros, Joaquim de Assis, Macario Zenagape, os irmãos Matoso, Fioravante Fortunato, Rubens Baracat entre outros que davam tudo de si em prol de suas agremiações.

Arquivo Pessoal

HiperNotícias – Na condição de ex-profissional, que conhece bem os meandros do mundo da bola, o senhor acha que o futebol mato-grossense tem futuro pela frente se não investir nas divisões de base?

Lito – O ponto nevrálgico para o sucesso do futebol não só de Mato Grosso, está exatamente aqui nessa pergunta: se não houver uma programação futebolística voltada para a formação do jogador na sua fase incipiente onde começa a emergir suas habilidades com a bola, tudo se tornará mais difícil e mais dispendiosa a obtenção de bons jogadores nas diversas equipes. Eu costumo dizer sempre aos meus amigos: se você perceber algum membro da sua família com tendência ao futebol diferenciado, pode investir que a aposentadoria da família está garantida...(rsrsrsrs).. Portanto, acredito piamente que a rendição positiva do futebol mato-grossense, passa sim obrigatoriamente pelo investimento maciço nas divisões de base.

HiperNotícias – No seu tempo de jogador, muitos clubes apelavam para macumbeiros, alguns dos quais se tornaram famosos, para tentar ganhar jogos. O centro-avante Lito, que vivia machucado por causa das pancadas que levava de zagueiros, acreditava na influência da macumba no futebol?

Lito – (Rsrsrsrsrs...) quer saber a verdade? Houve uma época que as contusões começaram a me perseguir de tal forma que me levou a crer que forças externas poderiam estar interferindo na minha performance de jogar futebol. Por ser muito jovem ainda, confesso que cheguei até mesmo a imaginar que algo fora da minha concepção de vida religiosa de onde sou oriundo, pudesse estar interferindo naquelas contusões. Mas depois vi que não era o que imaginava e cientifiquei-me plenamente disso quando fui estudar em Goiânia e pouco tempo depois, através de uma cirurgia de menisco no joelho, resolvi definitivamente o problema que me atormentava nesse campo das ciências ocultas..rsrsrsr..!

HiperNotícias – O hoje doutor Lito arrepende-se de ter trocado o futebol pela Medicina Veterinária?

Lito – Arrependimento não tenho mesmo porque tive a minha carreira profissional de médico veterinário marcada basicamente pelos princípios de idolatria à ética e moralidade da profissão que abracei. Entretanto, confesso que não sei se seria um profissional da bola à altura das expectativas daqueles que acreditavam em mim à época, como foi o caso do saudoso padre Raimundo Pombo, que chegou a solicitar, embora com a negativa de minha saudosa mãe, que me liberasse para eu ir jogar futebol na escolinha do São Paulo F.C. da capital paulista. E depois o professor Paulo Vilá quis me levar para o Botafogo, do Rio, sem contudo alcançarem sucesso no seu convencimento à minha genitora, visto que o estudo para ela era a prioridade precípua do caminho que eu deveria seguir.

HiperNotícias – Qual a diferença em geral entre os profissionais da bola do seu tempo e os da atualidade?

Lito – Acho que o companheirismo desprovido de vaidade, aliado até certo ponto a ingenuidade da maioria dos atletas egressos da minha geração, é que fazia a diferença em detrimento aos profissionais de hoje. Claro, com algumas exceções, mas é bem verdade também que os espaços para se vencer no futebol de hoje estão cada vez mais restritos e exigentes quer pela performance técnica exigida, quer pela condição física intensiva que se cobra atualmente do atleta,sem falar que a densidade populacional de hoje, possibilita uma triagem muito mais acurada e de difícil escolha dos futuros craques de nosso futebol.

HiperNotícias – O senhor teve alguma grande decepção na vida como jogador de futebol amador e profissional ou foi só alegria...?

Lito – Felizmente, não tive nenhuma grande decepção em minha trajetória no futebol mato-grossense.Tive sim, muitas alegrias, principalmente aquelas da boa convivência com os companheiros de clube, como o Atlético Mato-grossense, Mixto Esporte Clube e seleção cuiabana de futebol, quer a nível das concentrações que antecediam os jogos, quer nas excursões as localidades como Campo Grande-MS Corumbá-MS Porto Velho-RO, além das viagens pelo interior de Mato Grosso, sempre nos remetendo ao passado com alegria e boas lembranças desse período. A parte, excursionamos uma vez a Porto Velho-RO com o time do Mixto E.C. já campeão mato-grossense de 1965, e tivemos uma exibição primorosa e inédita.Jogamos com os quatro principais times da capital e vencemos todas as partidas.A viagem foi em um DC 3 da Vasp sobre a mata amazônica com direito a pouso em Vilhena-RO, tudo isso em um clima de muita amizade, euforia e descontração do grupo mixtense que vivenciou esse período áureo e singular de suas vidas.

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Eduardo povoas 02/02/2014

Realmente Lisboa tem toda razão. Tive muitos minutos de gloria jogando ao lado do Lito. Quem o viu jogar e hoje vê um Obina, um Hernane ou um Alan Kardec, chora de raiva ao ver o tratamento que estes dão a bola hoje. Lito conseguia chamar a bola de você hoje a chamam de vossa. Excelência.

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1 comentários

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