As pesadas chuvas que tem atingido várias regiões do Estado este ano já afetaram 500 mil hectares de soja em virtude da impossibilidade dos equipamentos entrarem nas lavouras para colher a oleaginosa, conforme revela o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso – Famato, Rui Prado, com base em levantamentos feitos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária – Imea.
Até agora, a região mais prejudicada pelas chuvas é a do médio-norte, enquanto o município que mais perdeu soja – em algumas áreas os grãos já estão nascendo dentro das vagens por causa da umidade causada pela água – é Sorriso, justamente o maior produtor de grãos do Estado. Além de prejudicar a colheita, as chuvas têm danificado também estradas e pontes, prejudicando o transporte da soja para os portos de exportação.
De acordo com o presidente da Famato, a situação ainda não é de desespero, mas a entidade está acompanhando atentamente o difícil momento que a oleaginosa está passando, pronta para sair em defesa dos sojicultores, se for preciso. A Famato está de olho também nas chuvas na região pantaneira diante da perspectiva da planície enfrentar outra enchente de grande porte neste 2014. Por enquanto, porém, a situação está sob controle.
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HiperNotícias – A Famato já tem uma estimativa das perdas dos produtores rurais de Mato Grosso com as chuvas que estão impedindo a colheita da soja da safra 2013/2014?
Rui Prado – Temos uma estimativa sim. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) fez uma estimativa do potencial de perdas com as chuvas na semana passada, que impossibilitaram a entrada das máquinas nas lavouras. Verificamos um impacto de perda de 2% até o momento. Ainda é cedo para avaliar toda a safra, pois a colheita ainda não terminou. O Estado colheu até esta semana 58,5% da safra de soja.
HiperNotícias –Todas as regiões produtoras da oleaginosa estão amargando prejuízos ou apenas alguns municípios onde as chuvas caem com maior intensidade?
Rui Prado – Não são todas as regiões que estão amargando prejuízos. As mais afetadas foram o médio-norte e o oeste do Estado, em especial o município de Sorriso e seus vizinhos, que, além de vários dias com chuvas, as precipitações foram mais intensas e também prejudicaram o escoamento da safra. Várias pontes foram destruídas com a força da água e tem algumas estradas em situação precária. Para os próximos dias, a região nordeste, que é uma das maiores regiões produtoras do Estado, começará a ter uma colheita maior. Se as chuvas persistirem até lá, poderemos contabilizar perdas também.
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HiperNotícias – Há muitos casos de sojicultores que já perderam irremediavelmente a safra pela impossibilidade da entrada de máquinas nas lavouras para colher a soja?
Rui Prado – Há propriedades em que a situação é um pouco mais complicada, onde verificamos talhões em que os produtores não vão conseguir retirar a soja pelo fato de ela já estar brotando no pé. Porém são situações isoladas e não demonstram a real situação de todo o Estado até o momento.
HiperNotícias – Mesmo que o tempo dê uma trégua nos próximos dias, com a diminuição das chuvas, o prejuízo dos produtores rurais já é irreversível, com a umidade causando o apodrecimento e até o nascimento dos grãos dentro das vagens?
Rui Prado – Sem dúvida é um prejuízo irreversível para os produtores. Segundo levantamento do Imea, até esta semana 500 mil hectares foram afetados pelas chuvas, com avarias de até 30% em algumas áreas.
HiperNotícias – Nesses casos de perdas causadas por fatores climáticos existe algum seguro, como nos tempos do Proagro, que garante o ressarcimento do produtor rural?
Rui Prado – Existe sim. Mas a cobertura das apólices de seguro não contempla as perdas ocorridas. Inclusive, para o Plano Agrícola e Pecuário 2014/2015, o setor produtivo solicitou ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa uma intervenção junto ao Banco Central do Brasil – Bacen para impedir a obrigatoriedade do seguro agrícola a partir de 1 de julho deste ano, conforme Resolução 4.235, de 18/06/2013, do Bacen. Apesar de o seguro rural ser um instrumento importante, ele ainda não está adequado à realidade do produtor rural, pois a cobertura é muito baixa e não contempla todas as culturas. Somos contrários a essa obrigatoriedade nos moldes atuais.
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HiperNotícias – Associações de classe, entre as quais a Famato, naturalmente, já estão se mobilizando para buscar junto ao Governo Federal saídas para os problemas que fatalmente advirão com a impossibilidade do produtor rural pagar as parcelas das dívidas renegociadas?
Rui Prado – Nós nos reunimos na última quinta-feira (27), com o governador do Estado, Silval Barbosa, justamente para solicitar ações para contornar os problemas de logística do Estado. O governador se comprometeu em disponibilizar cinco milhões de litros de óleo diesel para as prefeituras dos municípios de Mato Grosso para ajudar na recuperação das estradas prejudicadas pelas chuvas. Também alinhamos para, a partir do período da seca, firmar parcerias entre o governo, prefeituras e produtores rurais para manutenção, pavimentação e conservação de 22 mil quilômetros de estradas.
HiperNotícias – E como vai ficar a situação dos produtores rurais que venderam antecipadamente parte da safra 2013/2014 para multinacionais de sementes, adubos, defensivos agrícolas? É muito grande o número de produtores rurais de todos os níveis de Mato Grosso que estão nessa corda bamba? A Famato já tem esses números?
Rui Prado – Os produtores que não conseguirem honrar seus compromissos por causa da produção prejudicada em virtude do clima desfavorável vão ter que renegociar suas dívidas. Mas não é grande o número de produtores rurais na corda bamba como você perguntou. Os problemas ocorreram em algumas regiões do estado. Algumas com mais intensidade e em outras com menor intensidade. Mesmo onde houve problemas, existem produtores que conseguiram colher em função do cronograma de colheita. A Famato ainda não tem todos esses números detalhados. Mas temos os números gerais, como mencionei anteriormente. Registramos 500 mil hectares de áreas afetadas até o momento.
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HiperNotícias – O atraso na retirada das lavouras do que restou de soja de ciclo tardio pode comprometer a safra do milho, a safrinha, que é plantada em seguida à colheita da oleaginosa para aproveitar os resíduos da adubação?
Rui Prado – O atraso na colheita da soja significa dizer que também haverá atraso no plantio do milho. E isso certamente contribui para reduzir a produtividade, mas ainda é muito cedo para quantificarmos isso.
HiperNotícias – As chuvas estão prejudicando apenas os produtores rurais? E os criadores de gado, principalmente do Pantanal Mato-grossense, estão sofrendo suas conseqüências? Como entidade que agrega também os criadores de gado, a Famato, tem acompanhado os problemas das cheias na vasta região? Ou a situação atual dos produtores de gado pantaneiro ainda não preocupa?
Rui Prado – Esta situação não atinge apenas os produtores, mas a sociedade como um todo. Nas estradas, além das cargas, circulam pessoas e a vida é o nosso bem mais precioso. Em relação ao Pantanal Mato-grossense, certamente é uma região que também sofre bastante com o excesso de chuvas. Nesse caso, o Pantanal enche e quem cria gado na região precisa ir para áreas mais altas. Isso pode comprometer algumas fazendas que estão nas áreas mais baixas. A Famato também se preocupa com esta situação, pois o gado sofre e isso também reflete numa menor produtividade dos rebanhos.
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