O uso da inteligência artificial (IA) no ambiente de trabalho ganhou espaço entre os brasileiros no último ano. Segundo a pesquisa Datafolha divulgada em junho, cerca de 24% das pessoas que conhecem a tecnologia já utilizam ferramentas de IA em suas atividades profissionais, percentual superior aos 17% registrados em 2025. Ao mesmo tempo, caiu o medo de substituição: quase metade dos entrevistados (49%) afirmou não temer perder o emprego para a tecnologia, contra 41% na edição anterior da pesquisa.
Na indústria, a mudança de percepção acompanha uma transformação que já está em curso. Se antes a automação era vista como ameaça aos trabalhadores, hoje ela representa um novo desafio: encontrar profissionais qualificados para operar equipamentos inteligentes, integrar sistemas digitais, interpretar dados e manter processos produtivos cada vez mais automatizados.
O mesmo cenário também reflete em Mato Grosso. À medida que empresas ampliam investimentos em automação industrial, robótica, sensores inteligentes, internet das coisas (IoT) e sistemas de monitoramento em tempo real, cresce a necessidade de trabalhadores preparados para atuar em um ambiente onde tecnologia e conhecimento caminham lado a lado.
Para a diretora regional do Senai MT, Fernanda Campos, a transformação digital reforça um movimento que a indústria já vivencia: a tecnologia amplia as oportunidades para quem investe em qualificação.
“A inteligência artificial está mudando a forma como a indústria produz, mas ela não substitui a capacidade humana de analisar, decidir e inovar. Pelo contrário, quanto mais tecnológicos se tornam os processos industriais, maior é a necessidade de profissionais preparados para operar essas soluções e transformá-las em produtividade”, afirma.
Segundo a gerente de Transformação Digital e Inovação Educacional do Senai MT, Elena Ferreira, essa mudança também transformou a maneira de ensinar. “Os ambientes de aprendizagem do Senai reproduzem situações encontradas nas indústrias para que o aluno desenvolva competências alinhadas às novas tecnologias. Trabalhamos com automação, robótica, programação, análise de dados e sistemas inteligentes porque essa é a realidade de boa parte das empresas. Nosso objetivo é formar profissionais que não apenas utilizem a tecnologia, mas compreendam como ela pode tornar os processos mais eficientes, seguros e competitivos”, destaca.
A gerente pontua que as formações devem ir além do que ensinar a operar máquinas, mas, também, passar a desenvolver competências voltadas à integração entre tecnologia e tomada de decisão. “O profissional da indústria hoje precisa compreender processos automatizados, interpretar informações geradas por equipamentos inteligentes e atuar de forma colaborativa com sistemas digitais”, complementa.
Formação alinhada às novas profissões
A mudança no perfil das vagas abertas pela indústria confirma essa transformação. No banco de oportunidades do Emprega.Ind - plataforma de recrutamento do IEL MT -, empresas de diferentes regiões do estado buscam profissionais que, além da formação técnica, dominem competências relacionadas à automação industrial, programação de controladores lógicos (CLPs), interpretação de diagramas elétricos, integração de sistemas, manutenção preditiva e análise de falhas em equipamentos automatizados.
Esse cenário evidencia uma mudança no perfil da mão de obra demandada pela indústria. Se antes as empresas concentravam suas exigências na operação e manutenção de equipamentos, hoje procuram profissionais capazes de atuar em processos produtivos cada vez mais digitalizados, conectando máquinas, sistemas e informações para aumentar a eficiência e a produtividade. Vagas abertas para técnicos em Automação Industrial, Mecatrônica, Eletromecânica e Eletrotécnica ilustram essa realidade ao exigir conhecimentos que dialogam diretamente com os conceitos da Indústria 4.0.
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