ASSISTA AO HNT ENTREVISTA COM ADRIANA PAULINA
Da Redação
CAMILA RIBEIRO
O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) vai muito além dos esquecimentos e da chamada 'névoa mental', explicou a neuropsicóloga Adriana Paulina ao HNT Entrevista. Conforme a especialista, a condição afeta diversas áreas da vida e pode provocar sintomas que comprometem a rotina, os relacionamentos e o desempenho profissional e escolar.
"O TDAH também a tendência de procrastinar. Ou seja, o paciente sabe que tem uma semana para fazer alguma atividade, ele espera até o último dia para começar a desenvolver aquilo ou simplesmente não faz", disse a neuropsicóloga ao podcast.
O TDAH também a tendência de procrastinar
Adriana disse que o transtorno pode se manifestar de formas diferentes. A desatenção é que o predomina na maioria dos pacientes, enquanto outras convivem também com hiperatividade e impulsividade. Além da dificuldade para manter o foco, são comuns esquecimentos frequentes, irritabilidade, procrastinação, sensibilidade a sons, cheiros e texturas, além da sensação de pensar muito, mas conseguir executar pouco.
A especialista destacou que um dos principais desafios é justamente o diagnóstico. Isso porque nem todos os pacientes apresentam a hiperatividade física mais conhecida. Em muitos casos, a agitação acontece apenas no pensamento, fazendo com que a pessoa inicie diversas tarefas, mas tenha dificuldade para concluí-las, acumulando frustrações ao longo da vida.
Na fase adulta, você já tem muitas máscaras
A neuropsicóloga também chamou atenção para os casos diagnosticados apenas na fase adulta. Segundo ela, muitas pessoas desenvolvem mecanismos para mascarar os sintomas desde a infância e acabam convivendo durante anos sem compreender que as dificuldades têm relação com o transtorno. Quando finalmente recebem o diagnóstico, conseguem entender comportamentos que antes pareciam apenas características da personalidade.
"Quando você chega na fase adulta, você já tem muitas máscaras, comportamentos aprendidos para levar a sua vida de uma forma mais tranquila e não consegue identificar o que é do TDAH pois a doença já está cristalizada na vida desse paciente", explicou Adriana Paulina.
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