Cidades Segunda-feira, 22 de Agosto de 2011, 07:00 - A | A

Segunda-feira, 22 de Agosto de 2011, 07h:00 - A | A

CENAS DE CUIABÁ

‘Flanelinhas’ apavoram motoristas e pedestres na Avenida do CPA

Muitos deles usam drogas, são agressivos e quem não pagar pelo estacionamento é ameaçado; comerciantes contratam seguranças particulares, mas guardadores não se intimidam

DA REDAÇÃO

 

Mayke Toscano/Hipernotícias

Órgãos de Segurança da Capital cadastraram "flanelinhas" mas parece que a medida não surtiu efeito pois muitos motoristas continuam sendo ameaçados

 

A presença de flanelinhas numa das avenidas mais movimentadas de Cuiabá, a Rubens de Mendonça, tem causado uma série de problemas aos motoristas, pedestres e comerciantes no trecho entre o viaduto, perto da Polícia Federal, até próximo do Pantana Shopping.

Enquanto alguns deles sobrevivem do dinheiro que recebem para guardar carros, a maioria utiliza o pagamento para comprar drogas e usa o entorpecente durante a noite. Os mais ousados fumam crack e pasta-base à luz do dia, nos sábados e domingos.

Comerciantes, como os donos da panificadora Los Angeles e Estação do Pão, contratam seguranças para dar tranquilidade aos clientes, mas às vezes são insuficientes para travar a ação dos flanelinhas, que causam temor aos motoristas por causa da agressividade motivada pelo uso de drogas.

Nem monitores do projeto Faixa Verde (criado para controlar estacionamento publico nas principais vias) escapam da agressividade dos motoristas. Várias queixas dos “verdinhos”, como são conhecidos os trabalhadores, já foram acolhidas pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Cuiabá.

Os flanelinhas sempre despertam desconfiança de motoristas. A maioria dorme nas calçadas de lojas, drogarias e bancos. Passando próximo ao Banco do Brasil, a consultora gráfica Luciana Mendes Martins, 34 anos, avalia como triste a cena de um flanelinha dormindo e complementa dizendo que falta base na família.

“Triste porque tenho por mim que tudo isso é falta de base familiar. Ao mesmo tempo tenho medo, a gente fica com medo por ficar passando perto deles. Cuiabá cresceu muito, se desenvolveu, em compensação os problemas da cidade moderna também aumentaram”, avalia Luciana.

Mas a triste realidade também atrapalha os serviços dos “verdinhos”, que são monitores que observam a rotatividade e o pagamento do controle dos veículos que estacionam na avenida, considerada pela Secretaria Municipal dos Transportes Urbanos (SMTU) como a que tem mais fluxo de carros e motos da cidade.

A monitora Regiane Santos, 26 anos, disse que quatro colegas de trabalho relataram alguns problemas com os “flanelinhas” em maior ou menor grau de desavença. “Uma vez, um chegou a atirar pedras no meu supervisor”, comentou.

Regiane também conta a história de uma motorista que ao chegar em seu carro, próximo ao Procon, foi abordada por um flanelinha. “Ela já havia comprado um tíquete e mesmo assim ele pediu para ela pagar pelo tempo que ficaria estacionada. Ela disse que já tinha o controle e ele a intimidou, dizendo que já tinha anotado a placa do seu carro. Ela ficou com medo e deu dinheiro a ele”, conta Regiane.

A monitora também comenta que é frequente encontrar flanelinhas drogados ao longo da avenida. “O que jogou pedra no meu supervisor estava muito drogado”.

GERENCIAMENTO

Os 64 “verdinhos” que trabalham nas principais vias de Cuiabá são gerenciados pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). Nelson Soares, diretor executivo do Faixa Verde, disse que atrapalha muito a falta de efetivo de policiamento para evitar conflitos entres flanelinhas, monitores e a população.

“Temos percebido tanto da SMTU como da Policia Militar a tentativa de melhorar fiscalização e os trabalhos, mas ainda é insuficiente para Cuiabá”, avalia.

De acordo com o diretor, o programa tenta incorporar os flanelinhas como monitores, inclusive com carteira assinada, mas Nelson avalia que em muitos casos não pode aproveitar alguns porque deve ser uma ação exclusiva da Secretaria de Ação Social.

POLÍCIA MILITAR

O chefe do Comando Regional 1 da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa, avalia que a questão dos flanelinhas é muito mais um assunto de politica social do que da polícia.

“Atuamos quando acontece algum tipo de agressão. Mas muitas vezes quando ocorre a infração a própria vítima não quer denunciar. Essas pessoas (guardadores), em alguns casos, são dependentes de drogas lícitas e ilícitas”.

Mesmo indicando que o assunto é social, coronel Zaqueu Barbosa diz que já foram realizadas reuniões com o serviço social do Município e do Estado para estreitar a ação no sentido de dar mais atenção para essas pessoas que ficam na rua para ser encaminhadas às casas de retaguardas.

A Polícia Civil cadastrou em 2010, 80 flanelinhas na Capital. Em 2011, outros 40. A ideia é fazer um banco de dados que oriente a investigação de roubos e furtos e identificar os flanelinhas que trabalham e cada ponto mapeado da cidade.

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