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Cidades Quarta-feira, 06 de Maio de 2026, 17:45 - A | A

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Quarta-feira, 06 de Maio de 2026, 17h:45 - A | A

"EFEITO CONTÁGIO"

Especialista da ABIN afirma que ataque em escola no Acre pode incentivar outros

Fenômeno chama “efeito contágio”, ataques podem servir de gatilho para novos agressores

ANNA GIULLIA MAGRO
DA REDAÇÃO

O especialista em ataques extremistas violentos em escolas do Departamento de Inteligência Externa (DIEX) da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), que tem a identidade preservada pela instituição, afirmou que o atentado no Acre pode incentivar outros ataques pelo país. É o chamado “efeito contágio”, fenômeno em que ataques recentes podem servir de gatilho para novos agressores. A declaração é desta quarta-feira (7) no Encontro SISBIN Centro-Oeste 2026.

Os ataques em escolas não são explosões passionais, mas crimes premeditados resultantes de um longo processo de radicalização. Para que a prevenção seja eficaz, a inteligência monitora indicadores que vão desde fatores psicossociais e interações em grupos radicalizados até o acesso a meios de violência, mantendo atenção redobrada em datas simbólicas, que servem de gatilho. Como exemplo, o palestrante discorreu sobre as datas simbólicas como o dia 20 de abril. A data marca o Massacre de Columbine em 1999, quando Eric Harris e Dylan Klebold, dois estudantes, mataram 12 colegas e um professor na Columbine High School, no Colorado, EUA, antes de se suicidarem. Este evento é frequentemente referenciado por autores de outros atentados. O dia foi escolhido pelos jovens por ser o aniversário do líder nazista Adolf Hitler.

O Delegado Denis Alves Pinho também participou evento. Durante o painel de apresentação dele ressaltou a importância de evitar o "efeito contágio", também conhecido como fenômeno copycat, e assim prevenir que potenciais agressores busquem notoriedade na mídia, já que frequentemente os jovens autores de massacres acabam se tornando figuras heroicas entre comunidades extremistas. 

Denis contou que o pânico social em volta de 20 de abril atingiu seu ápice em 2023, marcado por um clima de terror generalizado que mobilizou tanto a rede privada quanto o pública. Enquanto escolas particulares optaram pela suspensão das aulas e por investimentos emergenciais em aparatos como detectores de metais e portas giratórias, cujos preços chegaram a triplicar devido à alta demanda, o Governo do Amazonas adotou uma decisão estratégica de resistência, mantendo o funcionamento das unidades de ensino. 

Para sustentar essa decisão, o Estado montou uma verdadeira operação de guerra nos bastidores, envolvendo monitoramento aéreo, equipes de inteligência trabalhando durante a madrugada e uma presença policial robusta, porém focada em garantir que o pânico não paralisasse a educação e o cotidiano das famílias. Compreendendo que muitos agressores agem motivados pela busca de notoriedade e pelo desejo de verem seus atos glorificados na mídia ou em redes sociais, há a política de não divulgação das ações. 

Dessa forma, prisões, apreensões de armamentos e frustrações de ataques ocorreram de forma silenciosa e técnica, privando os potenciais criminosos do palco que desejavam. Ao tratar esses incidentes como dados de inteligência em vez de espetáculos midiáticos, o Estado conseguiu interromper o ciclo de imitação e evitar que a publicidade de um atentado servisse de gatilho para novos agressores, priorizando a segurança real em detrimento da percepção superficial gerada pelo alarde público.

ORIGEM

Foi explicado que o fenômeno está fortemente ancorado em subculturas digitais que promovem o ódio e a exclusão. Destacam-se as vertentes de misoginia e masculinismo e o ressurgimento de ideologias neonazistas e aceleracionistas, marcadas pelo racismo e pela obsessão pela violência. Esses discursos encontram terreno fértil tanto em fóruns online anônimos e sem moderação quanto em redes sociais convencionais, onde algoritmos e o uso de memes acabam por dessensibilizar os jovens e glorificar criminosos, por isso é importante ter responsabilidade com o que é divulgado.

O palestrante da ABIN apontou que as plataformas digitais, ao permitirem uma moderação precária, acabam alimentando esse ciclo de radicalização que atinge indivíduos já propensos ao isolamento e ao discurso de ódio. De forma complementar, o delegado destacou a importância da responsabilidade parental no ambiente digital, alertando que o abandono virtual de crianças e adolescentes em plataformas sem moderação é um dos principais gatilhos para a radicalização. Para ele, a segurança escolar é uma "teia" complexa: se um fio se rompe, seja a psicologia, a polícia, a família ou o parlamento, toda a estrutura desaba.

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