Cerca de 860 famílias de Cuiabá e Várzea Grande viveram o drama em 2013 de ter um parente desaparecido. Desse total, 178 deles não se tem noticia alguma. Os demais foram encontrados ou retornaram por vontade própria aos seus lares. De janeiro a maio deste ano foram registrados 303 casos de pessoas desaparecidas, sendo que 235 foram localizadas e 68 continuam sem dar pistas para os familiares, aumentando a angústia de quem os procura. Do total, 58 são relativos especificamente do mês de maio, sendo 38 deles do sexo masculino e 21 do feminino. Somados, o número de desaparecidos chega a 257.
Os números gerais de 2014 se assemelham aos do mesmo período do ano passado, quando foram 325 casos, dos quais 246 foram localizados e 79 não localizados. Os números são da Polícia Civil.
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Conforme Janaína Brito, responsável pelo Núcleo,os motivos são traçados com base nos registros. “Existem os casos antigos de afastamentos em que a pessoa perde o contato e depois a família busca ajuda para reencontra-los. Outros que saem de casa, mas depois por alguns motivos são impedidos de voltar.E o desaparecimento enigmático, que se dá quando a pessoa sai para algum lugar, não volta e não dá mais notícias”.
SEM ESTRUTURA
A capital mato-grossense não tem um banco de dados específico com o número de pessoas desaparecidas. Os motivos são a falta de recursos técnicos e humanos. Apenas o registro dos casos é feito pelo Núcleo de Pessoas Desaparecidas.
A equipe está reduzida a uma policial civil e uma estagiária e mesmo com as dificuldades estruturais, as investigações são realizadas logo que o registro é efetuado, com a identificação dos hábitos da pessoa desaparecida.
“Quem são os amigos, com quem esteve a última vez, ou seja, esse primeiro levantamento a gente faz durante o registro. Depois a gente tenta via telefone auxiliar nas investigações. A maioria que retorna é adolescente”, frisou Janaína Brito, do Núcleo de Pessoas Desaparecidas.
Janaína revelou que um dos casos mais recentes foi de uma pessoa que restabeleceu o contato com a família sendo que há mais de 30 anos não tinha notícias. Ela foi localizada no Pará.
“Antes era possível fazer diligências e investigação. Agora a investigação continua, mas com investigador de outro cartório, aqui da DHPP. Fazemos o possível usando o telefone, muito do trabalho ficou comprometido com a redução dos profissionais”, pontuou Janaína Paula Brito, escrivã de polícia e coordenadora do Núcleo de Pessoas Desaparecidas da DHPP.
CASOS
Thelma Corrêa de Oliveira é mãe de Tallissa Oliveira Ormond, 24 anos. A jovem saiu para o trabalho e nunca mais deu notícias. O caso foi registrado em 3 de julho do ano passado.
Há 3 anos a família de Joane Glória de Macedo, 19 anos, não sabe de seu paradeiro. Ela saiu para encontrar com uma pessoa em 28 de março, também em 2013 e desde então, nenhuma notícia. A mãe Joanice Francisca de Macedo foi quem procurou ajuda na DHPP.
Ofélia Francisca Lopes Santos, 59 anos, também está desaparecida. Segundo a família, desde o dia 13 de outubro do ano passado. Ela morava com um filho no bairro Coxipó, em Cuiabá, mas tinha ido para a chácara de uma amiga onde ficou uma semana e depois veio de carona com um desconhecido que a deixaria na Avenida Julio Campos, em Várzea Grande. No entanto, nunca mais a família teve informações.
A dona da chácara já foi interrogada no Núcleo de Desaparecidos da DHPP, mas também não soube quem era o homem que a trouxe.
Há suspeitas de que ela sofria maus tratos em casa. Um familiar que prefere não se identificar acredita que Ofélia tenha desaparecido para não ser maltratada pelo filho, com quem ela morava.
Quando questionada sobre o fato, Ofélia nunca quis falar nada, apenas que eram alguns puxões de cabelo. O tal filho também já foi chamado para prestar esclarecimentos.
“Já tivemos informações de que a viram, ou pelo menos que parecia muito ser ela, vivendo na rua. Quando alguém diz que vê, a gente corre atrás e não encontra nada. São muitas informações desencontradas. O que não perdemos é a esperança de encontrá-la”, diz a parente.
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