Uma das jornalistas da equipe HNT foi verbalmente agredida na manhã desta segunda-feira (9), em frente à 13ª Brigada do Exército, na Avenida Historiador Rubens de Mendonça, em Cuiabá. No local, militantes bolsonaristas acampam há mais de dois meses. Além das agressões verbais, a profissional de imprensa foi coagida a apagar as gravações feitas na manifestação.
A jornalista foi enviada à 13ª Brigada para averiguar como estavam as mobilizações, uma vez que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou, nesta segunda-feira, a desocupação de todos os acampamentos bolsonaristas no prazo de 24 horas.
Ao chegar no local, a jornalista tentou contato com alguns manifestantes presentes, sendo bem acolhida por um homem que aceitou conversar sobre o acampamento. No meio da conversa, uma senhora interrompeu os dois e informou que os manifestantes não tinham permissão para passar informação alguma sobre os atos.
A mulher ainda foi rude com a jornalista e começou a xingar toda a imprensa, dizendo que os profissionais da comunicação são “covardes e canalhas”. “Se vocês fossem gente, honestos, vocês estariam apoiando nós. Mas são todos comprados”, acusou a senhora. Outro homem que estava presente no acampamento ainda tentou entrar no meio para acalmar os ânimos, mas sem sucesso.
A manifestante chegou a dizer que foi “cachorrada” a repórter ir até o local durante o expediente da manhã. “Olha o horário que você me aparece aqui, garota”, disse ela.
Após as falas, a mulher ainda coagiu a profissional a deletar as gravações que estavam sendo feitas durante as conversas no local. A jornalista, então, disse que não poderia apagar e que precisava passar o material para a editoria. “Você tem sim como apagar, você não tem que passar nada. Você tem que apagar aqui”, refutou a mulher exaltada.
O HNT reforça que a liberdade de imprensa é considerada um direito fundamental de todos os cidadãos, assegurado pelo artigo 5º, inciso IX, da Constituição Federal. Segundo o artigo 220, do capítulo V da Constituição Federal, “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.”
Todas as providências cabíveis já estão sendo tomadas com relação ao ocorrido.
REUNIÃO
Na manhã e na tarde desta segunda-feira acontece uma reunião na do gabinete de gerenciamento de crise da Secretaria de Segurança Pública do Estado de Mato Grosso (SESP-MT). O Gabinete de Crise é formado pelas Polícias Militar, Civil, Rodoviária Federal (PRF), e Federal, Politec, Corpo de Bombeiros e órgãos de inteligência, e também o Ministério Público Estadual.
As pautas do encontro são ações estratégicas que devem ser realizadas para liberar as rodovias em Mato Grosso. O desmonte do acampamento em frente à 13ª Brigada, em Cuiabá, também está na pauta. A discussão ainda traz responsabilizações aos manifestantes que causaram possíveis danos durante os manifestos.
ACAMPAMENTO
Em Cuiabá, o acampamento bolsonarista dura cera de 72 dias. As manifestações antidemocráticas, que pedem intervenção militar, começaram logo após o segundo turno das eleições presidenciais, que consagraram Lula (PT) como presidente pela terceira vez. Insatisfeitos com os resultados das urnas, os bolsonaristas radicais passaram a apostar nas Forças Armadas para subverter o Estado Democrático de Direito.
Na tarde do último domingo, em Brasília, uma escalada terrorista, com ataques violentos às sedes dos Três Poderes, motivou a decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, que determinou a desmobilização de todos os acampamentos no Brasil.
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