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OUTROS FATORES

Além da guerra: economista dá detalhes sobre alta nos preços dos alimentos

“Não é acidente ou coincidência e sim resultado de uma cadeia de efeitos interligados, explica economista

ANNA GIULLIA MAGRO
DA REDAÇÃO

O último levantamento de preços da cesta básica realizado pelo Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT) verificou que o preço da cesta básica na capital atingiu um novo recorde, chegando a custar em média R$ 874,47, número que mantém Cuiabá entre os maiores preços do país. O professor e diretor adjunto da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Mato Grosso, Guilherme Jacob Miqueleto, explicou porque a compra de mercado do cuiabano está tão alta.

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Em resumo, é um conjunto de fatores. Para ele, a alta não é acidente ou coincidência e sim resultado de uma cadeia de efeitos interligados: custo do combustível, capacidade logística, elasticidade da oferta alimentar, vulnerabilidade de renda e incerteza econômica. Tudo isso somado a um estado dependente do transporte rodoviário gera uma conta de mercado alta. O Hipernotícias explica em detalhes.

De onde vem a comida em Mato Grosso?

Outro economista, Alexandro Ribeiro, também professor da UFMT, estima que 70% dos alimentos que são consumidos em Mato Grosso vêm de outros estados, e são vendidos por grandes distribuidoras. Dependemos, portanto, das estradas e dos caminhões para que os alimentos cheguem. Quando há impacto em qualquer parte do caminho que o alimento percorre até as prateleiras, o consumidor sente no bolso.

A pesquisa divulgada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) na terça-feira (21) verificou que o preço do diesel atingiu o maior preço dos últimos quatro anos em março. Foi apenas na semana passada que o valor do combustível registrou queda. Os números da Petrobrás referentes a este período (12/04/2026 a 18/04/2026) verificaram que o preço médio do diesel no estado chegou a R$7,55, pouco maior do que o preço médio do país, R$ 7,49.

Essa variação tem origem no preço do barril do petróleo, que tem sofrido aumento de preços devido aos conflitos no Oriente Médio, líder na captação da substância mundialmente. A tensão elevou o preço internacional do petróleo, o que fez o diesel saltar de preço em Mato Grosso, já que ele é feito de petróleo.

“Quando o custo do diesel sobe, o frete sobe e quando o frete sobe, o preço de praticamente tudo que circula por caminhão sobe junto. O preço final de um produto reflete todos os insumos que foram necessários para produzi-lo e entregá-lo. Para alimentos básicos, o transporte pode representar fatia expressiva desse total, especialmente em regiões distantes dos centros produtores de hortaliças e dos grandes centros de distribuição”, explicou o professor Guilherme.

Quando o preço de uma parte da cadeia produtiva sobe muito repentinamente, a tendência é que o produtor diminua o próprio lucro para que o preço não dispare. Mas no caso dos alimentos, essa “elasticidade”, como o fenômeno é chamado na economia, é curta. As verduras, frutas e grãos já foram produzidos e todo o preço de plantio, água, luz, crédito e mais está embutido neles, o resultado é a alta do preço final.

“O produtor não consegue expandir rapidamente sua produção para diluir o impacto e o consumidor, por sua vez, também não consegue deixar de consumir alimentos. O resultado é que o choque de custo se converte, quase integralmente, em aumento de preço ao consumidor”, afirmou.

Há a questão da instabilidade também, que Guilherme chamou de “custo da incerteza”, quando o ambiente econômico volátil faz com que o produtor e o comerciante precifiquem o risco e aumentem o preço para terem uma margem de segurança contra variações inesperadas de custo.

A menor renda sente mais

Guilherme explicou que o impacto não é distribuído de forma igual entre as famílias. O princípio da economia chamado de Lei de Engel diz que quanto menor a renda de uma família, maior a proporção gasta com alimentação. 

É o que pudemos ver na Análise Mensal da Cesta Básica de Alimentos de março, realizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Tendo como base o salário mínimo atual, R$ 1.621,00, o custo da cesta básica foi de R$ 838,40 na capital e chegou a comprometer 56% do salário líquido do trabalhador, exigindo quase 114 horas de trabalho. 

Na prática, isso significa que o trabalhador cuiabano trabalha do dia 1º até o meio do dia 15 de cada mês apenas para colocar comida na mesa. Só a partir do 16º dia é que ele começa a ganhar dinheiro para o aluguel, luz e outras contas. 

Aplicando a mesma lógica do valor médio da cesta básica verificado pela Fecomércio na última semana de abril, R$ 874,47, o trabalhador cuiabano agora dedica do dia 1º até o fim do expediente do dia 17 apenas para pagar a comida.

“Uma família de classe média pode substituir um corte de carne por outro mais barato, ou reduzir saídas a restaurantes. Uma família de baixa renda já está, muitas vezes, na fronteira das escolhas possíveis’, disse o professor.

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