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Brasil Segunda-feira, 08 de Junho de 2026, 08:30 - A | A

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Parada LGBT+ entre o colorido de leques e o amarelo da Seleção

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

A Parada do Orgulho LGBT+ reuniu milhares de pessoas na Avenida Paulista no domingo, 7, em um clima que misturou a animação pela proximidade da Copa do Mundo 2026 e protesto político em defesa do voto consciente. O tema da 30.ª edição foi "A rua convoca, a urna confirma", com foco nas eleições de outubro e no aniversário de 30 anos do uso da urna eletrônica no País.

A concentração ocorreu perto da Rua Peixoto Gomide, nos arredores do Masp. Os trios elétricos se movimentaram no sentido da Rua da Consolação, e os desfiles tiveram como ponto final a Praça Roosevelt, já no centro.

Além dos já consagrados e barulhentos leques coloridos, muitos em versão gigante, chamou atenção ao longo da parada deste ano a quantidade de pessoas com camisetas da seleção brasileira ou com roupas que faziam alusão à competição. A poucos dias do início da Copa - e faltando menos de uma semana para o Brasil fazer sua esperada estreia contra o Marrocos, em 13 de junho -, a inspiração usada por muitos participantes na hora de criar a fantasia foi clara.

"Neste ano, estou homenageando a Copa do Mundo, o Estado de Pernambuco e, claro, a própria comunidade", afirmou o bancário Amaral de Paula, de 52 anos. Ele vem do Recife, em Pernambuco, para participar da parada paulistana há mais de 20 anos. E faz questão de montar a própria fantasia.

Sonho

Já o artista Davi Bandeira, que participou pela primeira vez do evento, não escondeu a emoção ao ouvir o público bater o leque e cantar com a multidão na avenida. "Hoje, realizei um sonho. Vi a multidão vibrando e as pessoas se abraçando", conta Bandeira. "Foi incrível."

Entre as artistas que marcaram presença, Gloria Groove foi uma das que mais agitaram o público durante o seu show. Pabllo Vittar e Melody também puxaram o trio elétrico e garantiram a animação do público na Paulista.

O evento da capital é considerado vital na luta por direitos da população LGBT+ no Brasil. "Não é só festa, é luta por direitos. Sem esse tipo de mobilização de ruas, os direitos simplesmente não avançariam", reflete Nelson Matias Pereira, fundador da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, entidade responsável pela organização.

Como o Estadão mostrou, no entanto, neste ano a parada sofreu uma queda de 60% na receita de patrocínios de empresas privadas. Em um espaço de dois anos, o festival saiu de 12 marcas patrocinadoras e apoiadoras para apenas três.

Segundo a organização e especialistas ouvidos pelo Estadão, o recuo indica que o setor privado vem cedendo às pressões globais. "Se a tentativa era tirar as pessoas da rua, o efeito foi contrário", afirmou Pereira, antes da parada. "Pessoas de outros Estados estão se mobilizando para vir. Pais falando que virão com os filhos."

É o caso da autônoma Vanessa Simplicio, de 40 anos. Ela participou do evento na companhia da mulher, Aline Lima, e dos filhos, Enzo Gabriel e Marya Vitorya. A família escolheu usar roupas pretas, com desenhos dos personagens Minions e Stitch.

Vanessa defende a importância de estar no evento em família para ampliar a inclusão. "Eu trago meus filhos para a parada sem medo do que eles vão ver. Mas eu não levo para o carnaval de jeito nenhum."

Nos trios elétricos, além de artistas marcaram presença políticos e pré-candidatos ligados à esquerda, que criticaram a aprovação em primeira votação na Câmara Municipal de São Paulo, no mês passado, de um projeto de lei que proíbe a presença de crianças e adolescentes em eventos que "façam alusão" à temática LGBT+ ou a "fomentem".

Para virar lei, o texto ainda precisa ser aprovado em uma segunda votação e sancionado pelo prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). Juristas ouvidos pelo Estadão, no entanto, avaliam que a medida é inconstitucional, abrindo brechas para ser contestada na Justiça.

Segurança

Para conseguir entrar na Avenida Paulista, era necessário contornar gradis de metal que controlavam o acesso à marcha. Apesar de haver fiscais disponíveis para auxiliar o público, os participantes não eram revistados para verificar, por exemplo, a entrada com garrafas ou objetos cortantes.

(Com Agência Estado)

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