Duas contas vinculadas à Defesa Civil do Pará foram utilizadas para disparar ao menos dez alertas falsos de nível extremo para celulares de seis capitais, três estados e do Distrito Federal. As mensagens, que continham termos como "misantropia" e até referência a um suposto "ataque alienígena", levaram a Polícia Federal a abrir uma investigação por suspeita de ataque cibernético ao sistema nacional de alertas.
As informações constam em um documento do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional encaminhado à Polícia Federal. Segundo o relatório, houve acesso indevido à Interface de Divulgação de Alertas Públicos (IDAP), plataforma responsável pelo envio de avisos oficiais da Defesa Civil à população em situações de emergência.
Os primeiros disparos ocorreram entre 23h41 e 23h45 de sexta-feira (19). Após identificar a irregularidade, a equipe técnica do ministério bloqueou a credencial utilizada, vinculada a um agente da Defesa Civil do Pará. Apesar disso, novas mensagens foram enviadas entre 1h20 e 1h23 de sábado (20), utilizando outra conta da mesma instituição.
O documento aponta que os dois usuários possuíam autorização para atuação apenas no Pará, mas conseguiram emitir ou tentar emitir alertas para localidades fora de sua área de competência, o que reforça a suspeita de comprometimento da plataforma.
Ao todo, foram identificados dez envios indevidos. Nove ocorreram por meio do sistema Defesa Civil Alerta, que utiliza antenas de telefonia para enviar notificações aos celulares em determinada região, e um foi encaminhado por mensagem de texto (SMS). Todos foram classificados como de nível "extremo", categoria reservada para situações de alto risco que exigem ação imediata da população.
Os alertas falsos faziam referência a eventos como alagamentos, tornados e deslizamentos, mas não correspondiam a nenhuma ocorrência real. As mensagens foram direcionadas para São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Rio Branco, além dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal.
O conteúdo chamou a atenção das equipes técnicas. Em Belo Horizonte, um SMS mencionava um suposto "ataque alienígena". Já nos demais disparos apareciam palavras como "misantropia", "misantropo" e variações escritas com números no lugar de letras, sem qualquer relação com protocolos oficiais da Defesa Civil.
Após o incidente, o Ministério da Integração bloqueou as permissões utilizadas, restringiu termos considerados inadequados na plataforma e acionou a Diretoria de Tecnologia da Informação para adoção de novas medidas de segurança. A Polícia Federal instaurou investigação preliminar para identificar os responsáveis pelo acesso indevido ao sistema.
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