Artigos Segunda-feira, 03 de Outubro de 2011, 09:00 - A | A

Segunda-feira, 03 de Outubro de 2011, 09h:00 - A | A

Sociedade condenada

Será que a nossa sociedade está condenada ao ostracismo, à escravidão, ao fracasso, às desigualdades esmagadoras que ferem a dignidade da pessoa humana? Refletir sobre isso é o primeiro passo para se provocar mudanças ...... ........ ...........

JANETE GARCIA

 

Divulgação

 

“Será que estamos vivendo em uma sociedade condenada?”

Fiquei intrigada quando li uma opinião emitida por uma filósofa russo-americana Ayn Rand (judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos em 1920), de como detectar se uma sociedade está condenada. Disse ela: “Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência mais que pelo trabalho e que as leis não nos protegem deles mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”.

Refleti, então, sobre a história sócio-política do nosso país e nem quero dizer a que conclusão cheguei porque se eu perder a esperança de um Brasil melhor eu terei perdido toda a ternura e toda a força que impulsiona o meu viver. A estratégia é acreditar e contribuir de alguma forma para que haja uma reflexão sobre o nosso papel no contexto social e afastar o desânimo que insiste em lutar com a esperança.

A promulgação da Constituição Federal em 88 trouxe essa esperança. Foi o grande marco para a instalação do estado democrático de direito. Definiu os direitos e garantias fundamentais do cidadão assegurando o exercício pleno da cidadania. Depois vieram as leis, as emendas, as mudanças, o desrespeito aos ditames da carta magna, os corruptos, o comodismo e tudo isso abriu espaço para o desânimo.

Muita coisa evoluiu, mas faltou a evolução do caráter de muitos homens públicos – em cargos eletivos ou não – que sem medo de errar, não conseguem trabalhar para garantir ao povo uma vida mais digna até porque entram na vida pública para seu proveito próprio e de seus protegidos. Se assim não fosse a miséria e a insegurança social não teriam atingido esse caos. Estou sendo dura? Então, reflitam sobre o que aconteceu no cenário político nas últimas décadas.

Passamos 20 anos ouvindo que a direita roubava muito e que tudo era oculto já que não tínhamos acesso a nada porque a informação vinha a cavalo. Aí a tecnologia virtual chegou e com ela as informações em tempo real. Com um discurso de moralidade já, o grande partido de oposição, aquele que gritou 20 anos contra a corrupção, assumiu o poder. Que maravilha. Convenceram-nos de que aquela realidade mudaria, que seria um Brasil novo, que a corrupção e o desmando até então existentes, seriam coisas do passado.

Era a chance da virada. E o que vimos? Um mar de corrupção recompensadora já que todo mundo soube e mesmo assim permitiu que navegantes espertalhões se transformassem em homens riquíssimos em poucos anos. Mas como o povo é movido pelo discurso bonito e pela emoção, reconduziu o mesmo grupo na direção do país. E o que temos presenciado nos últimos meses? Um mar de corrupção que alimenta a instabilidade social. Quem mesmo que detecta que estão metendo a mão no dinheiro público? É a chefia? Não, a mídia. Quando a bomba estoura, aparecem os pilotos do barco em discursos bem escritos, apontando as providências contra os piratas, mostrando moralidade. Cai ministro, entra ministro, há prisões, solturas, e vira um “converseiro” só. O povo se espanta, fica chocado, se reúne no boteco para criticar e... a vida continua. Nós aqui embaixo nadando em águas turbulentas para sobreviver e os expropriadores do erário público no barco, lá em cima, bem alicerçados pelo poder.

Aí vem um jornalista correspondente do Jornal espanhol El País, em meados de julho e pergunta, cheio de razão: “Que país é este que junta milhões numa marcha gay, outros milhões numa marcha evangélica, muitas centenas numa marcha a favor da maconha, mas que não se mobiliza contra a corrupção?”

Será que a nossa sociedade está condenada ao ostracismo, à escravidão, ao fracasso, às desigualdades esmagadoras que ferem a dignidade da pessoa humana? Refletir sobre isso é o primeiro passo para se provocar mudanças.

(*) JANETE GARCIA DE OLIVEIRA VALDEZ é Advogada militante em Pontes e Lacerda, Professora Licenciada em Letras e colaboradora de HiperNotícias. E-mail: janetegar@hotmail.com

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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Janete Garcia de Oliveira Valdez 05/10/2011

Obrigada pela leitura e comentário, Mário. É bem por aí mesmo. Abraços

Mario 04/10/2011

Em resumo: A Constituição trouxe a esperança, mas o Governo nao governa. A Educação não educa. A Segurança não segura. A Saúde não cura. O Judiciário não judicia. "Que País é esse?" Parabéns Dra. Janete pela matéria.

2 comentários

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