Artigos Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011, 18:48 - A | A

Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011, 18h:48 - A | A

Político: profissão ou missão?

Um grande líder político, diante da sua forma falaciosa, articulada e inteligente, tinha que manter sempre a imagem de honestidade e respeitabilidade diante do povo. E muitas vezes os segredos de gabinete, em nome da imagem, ficam em baixo dos tapetes.

WILSON FUÁ

Divulgação

Um grande líder político, diante da sua forma falaciosa, articulada e inteligente, tinha que manter sempre a imagem de honestidade e respeitabilidade diante do povo. E muitas vezes os segredos de gabinete, em nome da imagem, ficam em baixo dos tapetes. A liberdade nunca é plena, esquecem todos os itens do juramento ao assumir um cargo público. O político investido no cargo público, nunca pode fazer tudo o que quer, a lei o proíbe. Logo, o agente público só pode fazer aquilo que está autorizado em Lei, àquele que prega uma liberdade total das ações, falta com a verdade.

Contam-se histórias não registradas da vida política que por séculos e séculos, que ficaram perdidas no tempo. Um incerto dia, o Poder Central do Estado, recebeu uma denúncia sobre um dos seus Secretários. E a denúncia dizia que esse Secretário, agia de modo muito estranho, e tudo levava a crer que ele guardava alguma coisa muito valiosa dentro de um armário em seu gabinete.

O denunciante relatou que sempre ao aproximar desse armário, era imediatamente impedido de limpá-lo ou abri-lo. Diante dos fatos e atos, esse Auxiliar procurou o grande líder político e lhe disse: o seu melhor Secretário está desviando uma soma muito grande de recurso público, e ele esconde essa fortuna dentro de um armário na sua sala.

Esta denúncia é muito grave, disse o Poder Central do Estado.

Isso pode ser caracterizado, pelo fato de não deixar ninguém chegar perto desse armário encantado, tanto que as chaves ficam em seus bolsos, e ele só abre quando não há ninguém nas proximidades.
Eu acho que tudo que ele está “nhapano” esconde dentro do armário.

Diante da desconfiança do Auxiliar, logo no dia seguinte, o Poder Central, fez uma visita inesperada, disse ao Secretário: o que tem ai dentro desse armário?

- O Secretário diz: são pastas suspensas, ofícios e memorandos. Coisa sem relevância.

Então me dê às chaves.

Com muito medo e com as mãos trêmulas, lágrimas nos olhos, o Secretário obedeceu e passa as chaves ao Poder Central do Estado. Ao cair da noite, o grande líder político, determina ao Auxiliar de confiança, que arremesse armário no fundo no fundo do Lago; e que jamais alguém possa saber o que havia ali dentro, e isso foi cumprido.

Fica a grande interrogação: ou ele tinha medo de perder o amigo de confiança ou tinha segredos que esse Secretário sabia?

O que esse ato representará para o Secretário?

O problema é a culpa que ficará para o resto da vida no íntimo do Secretário. A culpa que ele irá carregar, vai destruí-lo e enfraquecê-lo emocionalmente; a ação mais correta seria reconhecer seu erro, enfrentar o problema.

É lógico que diante dos fatos, mesmo que o Secretário se isole, se afaste, viaje, não vai adiantar nada. O problema está com ele, na sua mente e segue com ele por onde ele for. E a culpa irá atormentá-lo dia e noite por ter sido uma pessoa covarde. E ao contrário, admitindo a culpa, resolve-se o problema, e não prejudica o governo como um todo.

O Poder Central, mesmo diante da autoridade de poder saber os segredos do Secretário, preferiu simplesmente abduzir a razão da responsabilidade de afastar o secretário ou esconder os segredos daquele armário para o resto da vida.

O homem público tem a responsabilidade em administrar com base em recebimento dos sinais diários que define os rumos para o engrandecimento da sua gestão, embora haja tamanha dificuldade em filtrá-los, muita vezes esses dirigentes acham que é melhor deixar passar 10 verdades, e aceitar facilmente 01 mentira.

Mesmo diante da sua grande autoridade, o agente público pode fazer o que quiser, mas se escolher a ação errada será torturado pelo resto da sua vida. Acho que é sempre melhor chorar por uma verdade, do que passar a vida alegre na incerteza.

Que comportamento nobre é esse, que tribunal íntimo é esse que condena sem razão?

Será que foi sábia sua decisão, pois, provou que tinha respeito pela privacidade do seu Secretário, apesar de que não foi honesta e preferiu agir assim?

Ao contrario de tudo, ele poderia se aborrecer com que iria encontrar, e em fúria, hostilizaria seu secretário de forma agressiva e com isso sua dignidade e a razão iria para o espaço, por que naquele armário poderia estar também muito segredo indesejável e que poderia desmascarar suas falcatruas ou simplesmente em nome da lealdade tomou uma decisão de permanecer com uma amizade duvidosa, será?

No mundo dos ordenamentos das ações públicas, existe um instrumento mágico: Inquérito.

É preciso que um inquérito seja concluído para dar o discernimento sobre o que enfrentar e o que afastar. Do contrário, acabamos evitando enfrentamentos fundamentais ao nosso crescimento moral e ético.

Mas não acreditamos que afastando nossos problemas de nós mesmo, possamos conseguimos resolvê-los. É desvendando nossos enigmas que derrubamos nossas barreiras.

Muitos pensam que de fato, existem certas coisas que, possam ser resolvidas pela esperteza das experiências políticas, evitando-se que se perpetue um erro pessoal danoso, que contamina toda uma equipe de governo. Geralmente pensam que é melhor simplesmente afastá-las das suas vidas, guardando os “maus feitos” nas profundezas das águas do Lago.

É importante perdoarmos as pessoas, pois nem sempre àquilo que nos prejudicou foi feito por mal. Mas, o perdão não deve ser usado em toda e qualquer situação. Usando-o em demasia faz com que nos tornemos pessoas fracas e permissivas, e com que fiquemos cercados de pessoas que nos farão sempre o mal. Devemos deixar clara nossa insatisfação com alguma situação por pelo menos um tempo, para que isso não volte a acontecer. Desta forma, creio que o princípio geral deve ser de perdoarmos as coisas que nos prejudicam muito pouco, mas como administrador público deve resistir ao perdão em situações mais graves, como: na prática um ato indigno e lesivo ao erário público, constituindo como uma forma de traição a confiança recebida.

E, traição não tem perdão, se bem que nos meios políticos, é regra proceder-se ao contrário: inimigos de ontem, conversações hoje e aliados amanhã.

Portanto, talvez seja por isso que muitas vezes aquelas verdades absolutas que defendemos a olhos nus, na sua essência, não passam de um desses terríveis enganos que se escondem na ignorância de nossos arroubos e que nos leva a ir do céu ao inferno numa fração de segundos, são coisas da política.

Perdoar é um estado de elevação moral e espiritual que muitas vezes por emoções, faz-nos transcender além da vingança ou da justiça.

(*) WILSON CARLOS FUÁ é economista,e especialista em Administração Financeira e Recursos Humanos. E-mail: fuacba@hotmail.com

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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