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Artigos Quinta-feira, 24 de Abril de 2014, 09:44 - A | A

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Quinta-feira, 24 de Abril de 2014, 09h:44 - A | A

País dos conchavos

Infelizmente há uma confusão entre o que é público e privado aqui no em terras tupiniquins...

JOEL MESQUITA



Divulgação

Como diria Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, o “Brasil é o país dos conchavos, do tapinha nas costas”. Assim como Barbosa, eu não suporto essa cultura de fundo de quintal, essa coisa de resolver os problemas cotidianos pelas portas dos fundos, esse hábito bairrista e provinciano de achar que alguns podem mais, pelo fato de ser amigo da família.

Lamentavelmente esse comportamento esdrúxulo e destoado de ética profissional é perceptível também nas polícias país afora. Nessas há dois tipos de público a ser atendido; diga-se, o cidadão comum, composto por pessoas pouco escolarizadas que no geral são as principais vítimas da violência difusa nesta sociedade marginalizada.

Logo estas são aquelas que podem ser colocadas em segundo plano na escala de prioridades, deixadas de lado com seus problemas característicos das classes exploradas e tidas como subalternas; doutro lado, estão àqueles cidadãos que merecem maior atenção, por pertencerem a um estrato social diferenciado; no geral, esse grupo minoritário, quando vítima de alguma violência, tem tratamento personalizado no atendimento.

Certamente que essa realidade é rotineira e aceita como normal ou justificada como cultural. Seria minimamente uma deselegância intelectual considerar tais condutas como sendo aceitáveis num Estado Democrático de Direito, que in tese se sustenta no principio da isonomia.

É visível que as instituições ligadas à Justiça Brasileira, fracassaram no intento de defender a Constituição Federal de 1988. A meu ver, não é possível evoluir diante de tal quadro de deterioração moral e até mesmo intelectual. Considero que a sociedade se tornou vítima dos Agentes do Estado que em parcela considerável prezam pela ineficiência e corrupção.

Evidentemente, que não há motivos para acreditar em mudança comportamental. É visível o apoderamento por parte de grupos de interesses com o objetivo exclusivo de desvirtuar a coisa pública, fazer com que ela fracasse em sua razão de existir. Falta ao brasileiro a cultura do público.

Infelizmente há uma confusão entre o que é público e privado aqui no em terras tupiniquins. As pessoas acham que podem mais pelo fato de ter se tornado um Agente do Estado. Seguindo este diapasão, adotam condutas eivadas de irregularidades com o objetivo claro, de atender interesses escusos e destoados dos princípios de uma sociedade pluralmente democrática.

O Brasil é um país com futuro questionável, simplesmente porque se perdeu no presente. Não há clareza no rumo a ser tomado. Penso que seremos sempre essa massa marginalizada de ignorantes alheios aos rumos que o Estado brasileiro tem tomado; somos observados lá fora com um olhar de estranhamento e incompreensão.

Somos o que somos e de certa forma nem nos envergonhamos dessa identidade, ao contrário temos orgulho dessa condição, porque evidentemente nos identificamos com essa cultura mesquinha, individualista e medíocre, onde a sua conta bancária, diz mais sobre você do que seu currículo acadêmico.

Conviver com essas anomalias é certamente uma tarefa árdua. Parece-me que pouca gente enxerga o óbvio. Assim, às vezes o silêncio diz muito mais do que expor devaneios. Na verdade quem ousa a refletir, acaba por ser incompreendido por essa massa que vive embalada ao som do lepo-lepo e do beijinho no ombro, músicas que, aliás, diz muito sobre a alma do brasileiro.


* JOEL MESQUITA é Bacharel em Ciências Sociais pela UFMT.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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