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Artigos Sexta-feira, 01 de Agosto de 2014, 15:17 - A | A

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Sexta-feira, 01 de Agosto de 2014, 15h:17 - A | A

IDH: Ainda falta muito

Apesar do progresso e dos avanços sociais e econômicos que o Brasil tem experimentado nas últimas cinco décadas, nosso país ainda figura entre os dez países com pior distribuição de renda, riqueza e oportunidades...

JUACY DA SILVA




Hugo Dias/HiperNotícias

Uma das questões mais complexas em relação ao desenvolvimento econômico e social, e com repercussões na política ao longo de mais de cem anos, tem sido o que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) cunhou, há mais de 20 anos, como IDH, ou Índice de Desenvolvimento Humano.

Este indicador tem o propósito de mensurar o grau de desenvolvimento, levando em consideração renda, saúde, educação e longevidade da população. Neste sentido, é um indicador que revela os níveis de desigualdade social e permite também a comparação entre os diversos países, ao estabelecer tanto a pontuação quanto o “ranking” (classificação) entre os mesmos.

Como um indicador composto, o IDH consegue captar nuances que a renda per capita acaba mascarando. Além deste aspecto, existe uma elevada correlação entre o IDH e o Índice de Gini, por exemplo, que é um dos indicadores mais utilizados para mensurar a desigualdade de renda e a proporção em que cada grupo se apropria da renda nacional. Quanto maior o Índice de Gini, mais desigual é a sociedade ou o país.

Apesar do progresso e dos avanços sociais e econômicos que o Brasil tem experimentado nas últimas cinco décadas, nosso país ainda figura entre os dez países com pior distribuição de renda, riqueza e oportunidades, bem distante da sétima posição que ocupa quando o referencial é o PIB nacional. Isto significa que vários outros países que há quatro ou cinco décadas estavam praticamente iguais ao Brasil em nível de desenvolvimento humano, experimentaram transformações estruturais muito mais profundas que o Brasil. Exemplos típicos são a Coréia do Sul, a China, a Índia, a Turquia e o que vem ocorrendo com a Indonésia e África do Sul, nossos mais próximos concorrentes no contexto internacional.

O último relatório do PNUD (2014), com o IDH mais recente, coloca o Brasil na 79ª posição, pouco melhor do que a 80ª posição ocupada em 2013, e muito pior do que a 63ª de 2005. Entre 2005 e 2013 (dados que serviram de base para o último relatório) o Brasil aumentou apenas 39 pontos, saindo de 705 para 744. Ou seja, a média anual foi de apenas cinco pontos.

No mesmo período, a Turquia, por exemplo, passou de 687 para 759 pontos. O mesmo aconteceu com a China que pulou de 645 para 719 (aumento de 74 pontos), a Argentina, que passou de 758 para 808 (aumento de 50 pontos), ou a Índia, que saiu de 483 para 586 (aumento de 103 pontos).

Esses e outros países têm experimentado mudanças mais profundas de suas estruturas econômicas, políticas e sociais e melhoria de ranking no IDH mais rapidamente do que o Brasil. Se considerarmos o ritmo dessas mudanças no Brasil e o que acontece em diversos outros, nosso país vai precisar de 37,8 anos para atingir a pontuação que a Austrália conseguiu em 2014; 34,0 anos em relação aos EUA; 25 anos quando comparado com a Espanha; 29,4 anos em relação à Coréia do Sul; 15,6 anos em relação ao Chile; e 12,8 quando a referência é a Argentina. Isto demonstra que ainda temos um longo caminho para atingir os patamares que esses países já alcançaram há anos.

O PNUD apresenta também em seu último relatório o Índice Global de Desigualdade Humana (IGDH), utilizando a proporcionalidade entre os grupos dos 20% de maior renda e os 20% na parte de baixo da pirâmide econômica e social. O índice de desigualdade humana do Brasil é 26,3, significando que a camada dos 20% mais ricos em nosso país possui 26,3 vezes mais renda e riqueza do que o total abocanhado pelos 20% mais pobres.

Na verdade, os dados utilizados pelo PNUD em 2014 diferem bastante dos dados da UNICEF, relativos a 2008, quando o grupo dos 20% mais ricos do Brasil abocanha praticamente 58.7% do PIB, enquanto os 20% mais pobres ficam com apenas de 3% do PIB. Isto significa que a desigualdade no Brasil, em certos aspectos, tem piorado, apesar das políticas compensatórias do governo.

Quando desdobrados pelos três componentes do IDH, verificamos que nosso índice de desigualdade em termos de expectativa de vida é de 14,5 (a longevidade dos mais pobres é muito menor do que dos mais ricos), refletindo níveis diferentes de acesso aos serviços de saúde e saneamento; de educação é de 24,7 (da mesma forma a escolaridade média dos ricos é muito mais elevada do que dos pobres). No entanto, a maior desigualdade é de renda, com índice de 39,7, resultado muito semelhante ao índice de Gini, que para o Brasil, em 2013, foi de 54,7.

Nesta dimensão o Brasil ostenta a 10ª pior posição entre 182 países em termos de concentração de renda e de desigualdade econômica, muito pior do que países considerados atrasados, como Senegal, Etiópia, Serra Leoa, Burundi. Entre os 102 países que integram os grupos de desenvolvimento humano ‘muito alto’ e ‘alto’ (onde o Brasil está incluído), nosso país é o penúltimo em termos de índice de Gini (100ª posição), e também perde para vários outros dos grupos com ‘médio’ e ‘baixo’ IDH.

Este é um enorme desafio, que só será vencido se houver uma mudança muito profunda de modelo de desenvolvimento, de políticas públicas e ações correspondentes. Mudança só de discurso não altera a realidade nacional.


*JUACY DA SILVA é professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia. Email [email protected] Blog: www.professorjuacy.blogspot.com Twitter: @profjuacy

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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