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Artigos Quarta-feira, 07 de Maio de 2014, 09:16 - A | A

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Quarta-feira, 07 de Maio de 2014, 09h:16 - A | A

Fábrica de inúteis

Pensem: 61.300 milhões brasileiros não trabalham e nem querem trabalhar. Isso é normal?

JOÃO EDISOM




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O trabalho dignifica o homem. Essa é uma das frases mais velhas e mais repetidas em todos os continentes. Acontece que no Brasil ela está entrando em desuso amplamente favorecido por práticas políticas de governos que vendem a alma para ganhar votos e permanecer no poder. E nisso não há diferenças entre a atuação dos oito anos do PSDB e dos 12 anos quase completos do PT. Tanto que, às vésperas do Dia do Trabalhador, a grande notícia no depoimento da presidente foi os 10% de aumento dado ao Programa Bolsa Família. Abaixo da inflação, é verdade, mas foi basicamente a única notícia. Ao trabalhador que paga impostos, nada.

Por outro lado, o IBGE anuncia que há um contingente de 61,3 milhões de brasileiros de 14 anos ou mais que não trabalha nem procura ocupação e, portanto, não entra nas estatísticas do desemprego. Logo, os índices de desemprego comemorados pelo governo são falsos, pois mais de um terço da população não tem emprego.

Trata-se de 38,5% da população considerada em idade de trabalhar pelo IBGE, ou o equivalente à soma do total de habitantes dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro juntos. Grande parte desses potenciais trabalhadores está localizada no Nordeste, com 43,9% do total, Sul (35,7%) e Centro-Oeste (34,8%).

Outro problema é o das políticas de governo que se instalaram a partir de 1998. As escolas são meros depósitos de gente e estatísticas de qualidade elaboradas pelos próprios governos para enganarem o eleitor e a si mesmos, uma vez que o grau de instrução da maioria dos que não trabalham nem procuram emprego, previsivelmente, é baixo: 55,4% não chegaram a concluir o ensino fundamental.

Entre os que chegaram à qualificação, o aprendizado é insuficiente em função da péssima qualidade ofertada no ensino. Em um levantamento realizado pelo site de empregos ‘trabalhando.com’, baseado na análise de 6.272 currículos e mais de 2.000 vagas abertas durante os meses de fevereiro e março deste ano, revela que 82% dos profissionais que se candidataram para as oportunidades de trabalho não tinham o perfil desejado pelas empresas.

O reflexo desta baixa qualidade faz com que o Governo Federal invista em formação profissional de mão de obra. Segundo pesquisa da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), em 2013 foram investidos R$ 1,7 bilhões de reais nos programas Projovem e o Pronatec, com o objetivo de diminuir as dificuldades no setor. Mas este mesmo governo federal, segundo sua própria fonte, gastou R$ 2,3 bilhões só em publicidade em 2013. Isto é a prova que querem apenas permanecer no poder e não estão preocupados em melhorar o país e seu povo.

Não sou contra o Bolsa Família, sou contra a forma que é feito. Se olharmos para os dados veremos que este país não tem jeito, pelo menos não com estas políticas de governo; seja a que foi implantada pelo PSDB, a partir de 1994, ou sua continuidade, com o aperfeiçoamento feito pelo PT a partir de 2002. O triste é que não enxergamos luz no fim do túnel. Os candidatos à presidência do país, incluindo a mal fadada atual presidente, não apontam nem um planejamento para superar essas mazelas. Ao contrário, o que vemos são políticas eleitoreiras de tomada de poder, do poder pelo poder e de protecionismo à bandidagem.

Por tudo isso, há tanta gente dependente de políticas de assistência e outros tantos roubando. Já somos o país dos espertos e dos otários: os otários trabalham, os espertos levam para casa. O pior é que estamos perdendo a capacidade de nos indignar, de analisar e de protestar. Somos o país das mentiras oficiais.

O panorama é ruim. O futuro é nebuloso. Mas nós temos nossa enorme parcela de culpa, pois aceitamos o crime, a corrupção e a mentira como normal. Falta exercício de cidadania e compromisso com a vida em sociedade.

Enquanto não mudarmos, vamos formando aqui um país de inúteis que sobreviverão do suor dos poucos que trabalham. Seja sugando o dinheiro do investimento público, seja roubando ou assaltando, afinal todos querem conforto. Pensem: 61.300 milhões brasileiros não trabalham e nem querem trabalhar. Isso é normal?


*JOÃO EDISOM DE SOUZA é analista político, professor universitário em Mato Grosso e colaborador de HiperNotícias.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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Arcilio Barros 08/05/2014

O professor exagerou, pois o contingente de 61,3 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais não trabalham; como fica o ECA? Outro exagero é dizer que "não tem jeito" um país tão jovem, com pouco mais de 120 anos de república saindo do regime escravocrata. Quanto às bolsas tanto do PSDB quanto do PT, trata-se de dar provisão para manter esses brasileiros vivos, pois alimento é vida e achar que está errado, é o mesmo que dizer que o regime soviético da cortina de ferro estava certa.

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Carlos Nunes 07/05/2014

Ninguém até agora contou a história da Bolsa Família, que surgiu no país como Bolsa Escola, Vale Gás, etc.; e o marketeiro pegou tudo isso é só melhorou. Dizem que a idéia foi inspiração do Betinho, outros atribuem à Irmã Dulce. Naturalmente alguma pessoa mais evoluída deve ter tido essa idéia. Atualmente a Bolsa Família virou só uma moeda de troca por votos - quanto mais bolsa família mais votos. MAS...O QUE É MAIS IMPORTANTE REALMENTE PARA UMA FAMÍLIA? Receber o peixe eternamente ou aprender a pescar? Aprendendo a pescar ele ganha muito mais para sustento. Outro dia o Sílvio Santos, na parte de Gincanas de seu programa, disse que "estava pagando mais do que a bolsa família" - as pessoas desempregadas, que participam desse quadro, chegam a receber por mês 800 reais. O triste é que para um mês de Copa do Mundo, gastaram BILHÕES DE REAIS para qualificar principalmente as pessoas que receberam os turistas. E para qualificar as pessoas que recebem a bolsa família, de maneira que aprendam uma profissão e ganhem um bom salário? Limitaram até o seguro-desemprego, que é oriundo do FAT - fundo de amparo ao trabalhador, portanto dinheiro do próprio trabalhador. Agora o desempregado recebe o seguro, e tem que se qualificar urgentemente, pois não vai receber mais. Espero que o novo presidente da república, com a renovação do Congresso Nacional, aplique a bolsa família como deve ser aplicada: para atender as necessidades emergenciais de combate à pobreza (dar o peixe), mas qualifique urgentemente o pai ou mãe de família, para que ela aumente sua renda (ensinar a pescar). Quem aprende a pescar (tem uma profissão), consegue muito mais peixe (dinheiro).

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2 comentários

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