Marcos Lopes/HiperNotícias |
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Entretanto, a data só passou a ser celebrada na década de 1960, momento que a fábrica de Brinquedos Estrela decidiu fazer uma promoção em conjunto com a Johnson & Johnson, com o lançamento da “Semana do Bebê Robusto” que tinha por objetivo aumentar as vendas de brinquedos. A partir daí, o Dia da Criança, se tornou a segunda data mais importante para o comércio, perdendo somente para o Natal.
Evidentemente, que toda criança gosta de receber um brinquedo de presente, entretanto, penso que a data do Dia da Criança deva servir também para refletirmos sobre a cotidiana violência contra as crianças que machuca seus corpos e suas almas, deixando marcas para o resto de suas vidas.
Criança que sofreu violência física, psicológica ou moral torna-se um adulto inseguro, com baixa auto-estima e, com alguma freqüência, quando não é reorientado, também apresenta propensão a ser um agressor. Transmitirá aos seus filhos a violência que herdou da família e da sociedade. Romper esse velho jeito de educar as crianças é condição para construir uma nova humanidade, menos triste, mais harmoniosa e com sentimentos mais positivos diante da vida.
Em minha infância, havia um canto que todos sabíamos decorado: “Criança feliz/feliz a cantar/alegre a embalar/seu sonho infantil/Oh! Meu bom Jesus/que a todos conduz/ olhai as crianças de nosso Brasil”.
Ainda que sob o encanto da poesia e da música, agrade-nos ou não, é preciso reconhecer que vida de criança no Brasil nunca foi fácil. O julgamento do casal Nardoni será um desses “tempos da memória” que jamais cairá no esquecimento. O casal, da classe média paulistana, maltratou e jogou pela janela a própria filha. Mato Grosso não tem ficado para trás nas atitudes de perversidade contra as crianças, pois praticamente todos os dias a mídia local estampa noticias de violência contra as nossas crianças. Infelizmente, assim tem sido, também, com boa parte da infância brasileira.
Vulneráveis e indefesas, as crianças são as primeiras vítimas, de doenças e morte pela ausência de saneamento básico, ruas sem asfalto, do trabalho infantil nas carvoarias, da exposição humilhante nos sinaleiros, da prostituição nas estradas, da pedofilia, da desnutrição, do analfabetismo, dos isolamentos provocados pelas novas tecnologias, do craque e das demais drogas que atingem faixas etárias sempre mais precoces.
Apesar do triste quadro apontado, felizmente temos acontecimentos positivos a favor das nossas crianças que precisamos seguir e enaltecer. Lembro aqui a brasileira Zilda Arns, exemplo de ícone da ética do cuidado e do respeito às crianças. Ela foi uma incansável lutadora pela criação do Estatuto da Criança e do Adolescente e dos Conselhos Tutelares que avançaram na defesa e proteção dos direitos da infância.
Zilda Arnas lutou também por programas sociais que vinculou a concessão de bolsas e benefícios à freqüência da criança na escola. Certamente, a luta da Zilda contribuiu para que muitos de nós aprendessemos que o melhor caminho para educar nossos filhos é na base do diálogo e do amor.
Sim, avançamos. Mas ainda há muito para mudar Portanto, precisamos seguir o exemplo da luta da Zilda Arns. Para garantirmos um futuro melhor para nossas crianças é fundamental exigirmos que os governantes invistam cada vez mais em políticas públicas que de fato protejam e eduquem as crianças brasileiras.
Neste dia 12 de outubro todas as crianças vão ficar felizes ao receber um presente, como uma bola, uma boneca, um carrinho, uma bicicleta. Mas como dito, vamos nos conscientizar, de que o melhor presente é garantir a elas, todos os dias do ano, respeito, amor, proteção e educação.
*DILEMÁRIO ALENCAR é vereador pelo PTB em Cuiabá
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Luiz Marcos 15/10/2014
Parabéns Dilemário por nos presentear com uma matéria séria e que gera uma reflexão necessária. Muito há por fazer para garantirmos um futuro diferente, sem violência e sem omissões conduzido por adultos maduros e serenos - as crianças de hoje.
1 comentários