Artigos Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011, 09:59 - A | A

Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011, 09h:59 - A | A

Desconstrução

Faz parte da nossa cultura política a desconstrução da imagem daqueles que um dia ocuparam um cargo público importante. Aqui em nosso Estado ela inicia-se já na reta final do mandato, especialmente dos governadores, prefeitos e outros eleitos pelo povo.

GABRIEL NOVIS

Steffano Scarabottolo

Faz parte da nossa cultura política a desconstrução da imagem daqueles que um dia ocuparam um cargo público importante.

Aqui em nosso Estado ela inicia-se já na reta final do mandato, especialmente dos governadores, prefeitos e outros eleitos pelo povo.

Durante os seus mandatos, com a caneta e o Diário Oficial, todos eles, sem exceção, são chamados de estadistas.

Apeados do poder, entram para a história sem essa qualificação. Por respeito, especialmente aos que já nos deixaram, deixo de citar como a história os reconhecem.

Diante dessa cultura, que não mudará nos próximos séculos, tenho uma sugestão: o ocupante de um cargo público de grande visibilidade, teria que ser um idoso em início de carreira. Exerceria o seu mandato e, ao terminá-lo, entraria para uma associação da turma da melhor idade. Tenho certeza que a história o acolheria melhor.

Deixar o poder jovem, não é um bom negócio. Os fatos estão aí para comprovar o que digo.

Estamos assistindo à desconstrução da imagem do nosso ex-governador. Seus discípulos vão sendo afastados gradativamente do poder, de uma forma não muito agradável.

O até então estadista e imbatível líder, senão tivesse um mandato protetor, estaria na vala comum lambendo as feridas da ingratidão dos mamíferos que o cercaram durante quase oito anos.

Rei posto, rei morto - diz o ditado popular -, mas nem tanto.

Os últimos atos do seu reinado estão sendo desfeitos pelos mesmos súditos que o aplaudiram e o apoiaram quando foram criados. Como por exemplo, o caso da Agecopa. Deixou o ex-governador com a imagem de gastador e megalomaníaco, assim como a sua última decisão sobre a escolha do modal para Cuiabá.

Neste caso, queimaram o filme de um governador do atraso, pois a modernidade desconhecida por ele, e que lemos nas sublinhas, era que optar pelo BRT significava sinal de data vencida diante do moderníssimo VLT.

Está acontecendo com o agora ex-estadista, aquilo que ele mais temia.

Sempre recomendou ao escalão do primeiro time do seu governo, muito cuidado com o bem público.

“Não gostaria de deixar o governo e depois ficasse o resto da minha vida sendo importunado por problemas judiciais".

Era a premonição do nosso ex-governador que, infelizmente, trabalhou com um governo politicamente loteado e com amigos do poder.

Os resultados começaram a aparecer para perturbar a sua paz e desconstruir a imagem de governador de quebra de paradigmas.

Agecopa, Dnit, maquinarias, home-car, meio ambiente e tantos outros aborrecimentos, que realmente são desconfortáveis.

A divulgação da atual situação da nossa educação, segurança pública, infra-estrutura, do desmonte total da herança da saúde pública, entre outras intervenções, no mínimo, é um atestado de incompetência. Não esquecendo o abandono das políticas públicas com relação às crianças, idosos, menores infratores e dependentes químicos, onde nada foi feito nos últimos anos.

A faxina pioneira no ministério do seu partido, resultou no seu afastamento da presidente, o que é muito ruim para o Estado que representa.

A desconstrução feita pelos seus amigos não precisou de dois anos, do grande estadista sem caneta e Diário Oficial.

E assim caminha a humanidade em direção aos próximos.

Desconstruíram a minha imagem, é a queixa que ouvimos no silêncio do respeito.

(*) GABRIEL NOVIS NEVES é médico, professor universitário fundador da UFMT e colaborador de HiperNoticias. E-mail: borbon@terra.com.br

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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