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Artigos Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2014, 10:10 - A | A

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Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2014, 10h:10 - A | A

Conferências

Lembro-me da primeira palestra em que estive presente. Foi no Hospital Miguel Couto, à noite, no Rio de Janeiro

GABRIEL NOVIS NEVES






Steffano Scarabottolo

Há cinquenta e nove anos venho assistindo conferências, palestras, seminários, defesas de teses, aulas sobre assuntos médicos.


Lembro-me da primeira palestra em que estive presente. Foi no Hospital Miguel Couto, à noite, no Rio de Janeiro. O palestrante foi o professor Nova Monteiro, com o tema “Traumas”.

Era o ano de 1955, e marcou o início de uma interminável rotina que cumpro até os dias de hoje.

Nesse pacotão incluo temas interessantes defendidos com brilhantismo por muitos mestres, e outros não tão atrativos.

Dia desses, aqui no nosso Conselho Regional de Medicina (CRM-MT), tive a oportunidade de presenciar a uma das mais brilhantes conferências da minha carreira médica.

Foi o relato da tese de doutorado do nosso conterrâneo, o médico José Pedro Rodrigues Gonçalves.

“Cuidado original. Ética e técnica no final da vida.” Era o tema.

Didaticamente, durante setenta e cinco minutos, o erudito conferencista demonstrou todo o seu conhecimento de como exercer a medicina no século XXI.

Propôs mudanças avançadas, pregando uma nova relação do ser humano com a ética, a técnica, a vida e a mente.

No mundo dominado pela tecnologia, onde a medicina está impregnada com a ideia da sua eficiência, poucos suportarão que este é o momento de abandonar a medicina dos protocolos fabricados pelas universidades, incentivadas pelas indústrias de equipamentos e medicamentos.

Tratar de um corpo doente não é atividade médica prioritária e, sim, cuidar do indivíduo para salvá-lo da doença.

Superar vulnerabilidades humanas inibe as doenças. Vida saudável é aquela que incorpora valores úteis à nossa qualidade de vida.

O médico moderno é aquele que consegue a aceitação do seu paciente.

O humanismo está sendo vencido em um setor onde nem sempre a tecnologia resolve.

Felizmente temos ilhas de avanços, como o grupo que trabalha com o tratamento compartilhado, onde a doença não é vista com uma patologia individual, e sim, do grupo familiar.

Para tentar alcançar a sua eficácia, todos os familiares devem se tratar com uma equipe multidisciplinar, ou dificilmente haverá a possibilidade de se recuperar a saúde perdida.

A educação mal conduzida produz neuróticos com sentimentos de culpa, e a dignidade das pessoas é um bem inegociável.

Lembrei-me muito do sábio Einstein. Dizia ele que não suportaria vivenciar o dia em que o humanismo fosse derrotado pela tecnologia.

Esse dia chegou. Só a educação de qualidade e para todos poderá nos salvar.


* GABRIEL NOVIS NEVES é médico, professor fundador da UFMT e colaborador de HiperNotícias. E-mail: [email protected]

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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