Quinta-Feira, 21 de Novembro de 2019, 15h:35

Tamanho do texto A - A+

A vitimização e suas consequências

Por: DUMARA VOLPATO*

Divulgação

Dumara Volpato


Vivemos em um mundo onde inevitavelmente coisas acontecem de maneiras contrárias aos nossos desejos, e o que faz a diferença entre o prejuízo e o aprendizado é a postura que adotamos diante dessas situações. Sim, estou falando aqui daquela conduta que vez ou outra assumimos ante as circunstâncias que permeiam nossas vidas e acontecimentos que não gostamos: o lugar de vítima, ou como alguns estudiosos costumam dizer, a postura de vitimização. Hoje conversaremos um pouquinho a respeito desse assunto e quais as consequências da prática dessa conduta.

A palavra vítima tem sua origem no latim “victios” ou “victimia”, e quer dizer “dominado” ou “vencido”. Partindo desse contexto, podemos perceber que a postura de vitimização é adotada por aquele que se sente dominado ou vencido por algo ou por uma determinada situação, ou seja, essa conduta de vitimização nos tira a força de ação, nos coloca como um fracassado no jogo da vida. E eu lhe pergunto: você de fato acredita nisso? Você acredita que um ser com a capacidade que temos de pensar, compreender e nos desenvolver tem a sua função traduzida em ser um sofredor, um sacrificado? Você já nasceu vencedor só pelo simples fato de você existir, de resultar de uma fecundação, um nascimento bem sucedido e chegar até aqui. Entretanto, se ainda assim você pensa que é vitima de um sistema econômico, de uma sociedade, de crenças familiares, eu lhe convido a uma reflexão.

Pense em alguma situação na qua você se considerou vítima. Olhe para os fatos sem emoção. Você acha que se você tivesse agido diferente diante do que aconteceu, o resultado poderia ser diferente?! Pela minha experiência, eu acredito que sim. Sempre teremos o direito de pensar e agir de várias maneiras diante de um fato, e cada escolha que fizermos, cada ação que movimentarmos nos trará um resultado diferente. Digo isso aqui não com a intenção de fazê-lo se arrepender ou se martirizar por ter feito da maneira que fez. Estou dizendo isso para que reflita e veja que é possível fazer escolhas. O meu trabalho aqui hoje é mostrar a você o que a postura de vítima pode trazer para a sua vida e dizer que ainda é tempo de agir, de transformar a sua realidade.

A vitimização não possibilita o desenvolvimento, pois a pessoa passa para o outro o controle da situação, deixa o poder da ação sobre os fatos para o outro, culpando este pela sua condição atual. Afirma que o que determina a sua realidade é algo externo, abrindo mão do controle da sua realidade. A postura de vítima leva a lamentação e distorce a verdade. A pessoa supervaloriza situações que nem são tão grandes, terminado por desenvolver uma hipersensibilidade, fazendo a famosa tempestade em copo d’agua. A pessoa se torna agressiva e intolerante com os erros de outras pessoas. E não é tão difícil assim cair nessa postura. Praticamos o vitimismo quando adotamos pensamentos tais como: Por que isso foi acontecer comigo? Ou, porque fizeram isso comigo?

Nesse sentido ensina Bert Hellinger: “Toda pessoa que lamenta não quer agir. Todo consolo para alguém que se lamenta apoia a sua não ação.”

E mesmo sabendo de todas essas consequências, por que então ainda adotamos essa postura? Porque temos a ilusão que assim seremos cuidados e amados por alguém, mas isso é só uma ilusão, pois o amor verdadeiro que mais precisamos é o amor próprio e esse amor está presente quando assumimos a responsabilidade por nossos atos e fazemos algo com isso. Quando assumimos a capacidade de transformar nossas vidas pela nossa prática, quando dedicamos um tempo a nos conhecer, conhecer nossas fraquezas e nossas virtudes. Assumindo a responsabilidade de todas as escolhas que fizemos em nossa caminhada, e suas consequências. Quando passamos a entender que as perguntas que temos que fazer são: o que faço de agora diante de tudo isso? Quais as lições que aprendi com todas essas consequências?

Ainda há tempo de fazer algo diferente, há situações em que realmente não escolhemos passar, entretanto, o que nos dá força é como reagimos diante delas. Enfrentar os obstáculos que, vez ou outra, se apresentam em nosso caminho é que nos faz fortes e o que nos dá a capacidade de superação. Faz parte do percurso as perdas e os ganhos desse jogo infinito do ciclo da Vida.

 

(*) DUMARA VOLPATO é advogada e Terapeuta em Constelação Familiar com Curso em Hellinger Sciencia pelo Instituto Hellinger do Brasil; Formação em Constelação Familiar pelo Instituto CreSer de Campo Grande – MS; Curso de Aprofundamento em Novas Constelações e Curso de Análise Transacional pelo Instituto de Constelações Familiares Brigitte Champetier; e Praticante Profissional de Cura Reconectiva e Reconexão, pelo The Reconection, Califórnia – EUA. E-mail: dumaravolpato@gmail.com

 

Avalie esta matéria: Gostei +1 | Não gostei - 1







Mais Comentadas