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Artigos Terça-feira, 13 de Maio de 2014, 07:34 - A | A

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Terça-feira, 13 de Maio de 2014, 07h:34 - A | A

A Copa e a violência

Dados de várias pesquisas vêm demonstrando de forma clara que a violência continua aumentando no Brasil

JUACY DA SILVA



Hugo Dias/HiperNotícias

Na última quarta feira, 07 de maio, houve uma grande euforia no Brasil devido ao anúncio dos 23 jogadores que farão parte do elenco brasileiro, cujo objetivo único é a conquista do tão sonhado hexacampeonato e ao mesmo tempo afastar o fantasma que ronda nosso país, principalmente o Maracanã, desde a derrota do Brasil para o Uruguai em 1950.

Apesar do povo e das autoridades saberem que esta copa seria disputada em solo brasileiro há vários anos, a falta de planejamento, de eficiência, os descasos dos irresponsáveis pela execução das obras relacionadas a este grande evento e também as várias denuncias de superfaturamento e corrupção atrapalharam.

Muitas dessas obras foram prometidas como verdadeiras “joias da coroa”, como são os casos das trincheiras, VLT, aeroporto e outras relacionadas à mobilidade urbana em Cuiabá e Várzea Grande. Vão ficar para as calendas, Deus sabe quando serão concluídas. Talvez farão companhia para o esqueleto do edifício que seria o Hospital Regional de Mato Grosso, situado no coração do CPA, bem pertinho do Palácio do Paiaguás. Creio que este deveria ser eleito como símbolo do descaso e da incompetência dos vários governos que se sucederam no poder nos últimos 22 anos em nosso Estado.

Essas são obras físicas que nossos governantes tanto adoram, pois junto às mesmas podem colocar grandes placas de propaganda, mesmo que enganosa, e, além disso, como os constantes e eternos aditivos podem superfaturar e desviar recursos vultosos - que fazem falta à segurança, saúde, meio ambiente, educação e outros mais - também ajudam no financiamento das campanhas eleitorais.

Dados de várias pesquisas vêm demonstrando de forma clara que a violência continua aumentando no Brasil como um todo e também nas cidades-sede da Copa, como São Paulo (local da abertura), Rio de Janeiro (local da final) e Cuiabá, onde serão realizados quatro jogos.

Entre 2004 e 2007, em pleno Governo Lula, que foi seguido por Dilma, foram assassinados no Brasil 192.804 pessoas. No mesmo período foram mortos 208.349 pessoas em sete países que estavam sofrendo com conflitos armados e guerras - Afeganistão, Iraque, Israel, Palestina, Colômbia, Sudão e Somália.

Dados recentes demonstram que os índices de violência no Rio de Janeiro e São Paulo, que haviam caído nos últimos cinco anos, voltaram a crescer assustadoramente, entre 25% a 45%, dependendo do tipo de crime. Praticamente os mesmos de períodos anteriores.

Da mesma forma, a criminalidade tem aumentado em todos os Estados, incluindo MT e a região metropolitana de Cuiabá, que, se continuar neste mesmo ritmo, deverá ultrapassar a marca de mais de 40 assassinatos por cem mil habitantes até o final deste ano. As projeções indicam que até final de 2014 deverão ser assassinadas entre 54 a 55 mil pessoas, além de aproximadamente 53 mil que perderão suas vidas em acidentes de trânsito, e pelo menos oito mil em acidentes de trabalho. Além do aumento de outros crimes como latrocínio, roubos, furtos, assaltos, estupros, roubos de veículos. Um verdadeiro genocídio. Enfim, estamos vivendo sob o clima do medo e do terror.

Apesar de tudo isso, povo e governo estão eufóricos com a Copa e, logo a seguir, com as caravanas políticas à cata de voto, com as já manjadas promessas do que cada postulante se compromete a realizar pelo bem do povo e do país. Pena que a grande maioria dos candidatos costumeiramente se esquece dessas promessas. E o povo continua sendo enganado!





Hugo Dias/HiperNotícias

No final do mês de abril, em um encontro no Rio de Janeiro para debater os jogos da Copa, o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República foi publicamente hostilizado por vários participantes, demonstrando o desencanto desses grupos com a situação atual.

Dois dias depois, na abertura da Expo-Zebu, em Uberaba, uma das maiores feiras agropecuárias do país, frequentada por grandes nomes do agronegócio, foi a vez da presidente Dilma ser interrompida em seu discurso por três vezes. Foram vaias bem claras, que demonstravam que a presidente não está com esta bola toda junto aos setores produtivos.

No dia seguinte, com certeza ainda mais temerosa de ser novamente vaiada, cancelou sua participação em uma reunião com empresários de vários setores na Bahia, alegando ter outro compromisso já agendado, para estar presente no encontro nacional do PT, que acabaria por ter seu nome lançado oficialmente como pré-candidata de seu partido e de outros que ainda estão em sua base de apoio.

Apesar do governo Dilma ter gasto mais de R$ 2,3 bilhões em propagaganda e publicidade em 2013 - boa parte matéria paga - e mais de oito bilhões ao final de seus quatro anos de governo, aos poucos as meias verdades do Governo vão caindo por terra e por certo devem estar amedrontando Dilma em relação à sua presença em atos públicos.

Segundo noticiário recente, a presidente cancelou presença no maior evento de tecnologia e comércio do setor agropecuário nacional, o Agrishow, que acontece todos os anos em Ribeirão Preto, designando o ministro da Agricultura, do PMDB de MT, para representá-la. Com certeza além do temor de ser vaiada novamente, a ausência também pode decepcionar tremendamente um dos únicos setores que tem contribuído para o desempenho da economia, reduzindo as frustrações quanto ao crescimento pífio do PIB durante o governo Dilma.

Só para se ter uma ideia, desde a Proclamação da República, incluindo o atual governo, o Brasil terá experimentado ao final de 2014, nada menos do que 30 diferentes governos. Os índices de crescimento do PIB durante o Governo Dilma só estão melhores do que durante os governos de Collor e Floriano Peixoto, quando ocorrerem severas recessões e “crescimento negativo”. Este é o 27º pior índice de crescimento do PIB em 115 anos de vida republicana. Mesmo assim, Dilma deseja ser reeleita.
O desempenho econômico, medido pelos índices de crescimento do PIB, durante os quatro anos de Dilma será de 2,0%, bem menor do que do PIB mundial que será de 3,5% e dos países emergentes de 5,4%. Talvez esses índices possam explicar, pelo menos em parte, as quedas constantes de Dilma nas pesquisas de opinião pública, indicando que a probabilidade de um segundo turno está muito mais certa do que imaginam os estrategistas do Palácio do Planalto.

Os índices de avaliação negativa do governo Dilma já estão praticamente superando os índices de aprovação e tudo leva a crer que a situação econômica nacional, incluindo a inflação, as denúncias de corrupção no governo e as deficiências gritantes em todos os setores devem contribuir para a erosão de uma “aura” que durante anos o governo tentou construir em torno da presidente.

Se, dentro de mais um ou dois meses, as próximas pesquisas continuarem demonstrando que a popularidade da Presidente continua caindo, com certeza muitos de seus aliados vão pular do barco, como alguns setores de vários partidos aliados que já dão sinais de que vão deixar a presidente e o PT a ver navios. Mais de 50% da população deseja o fim deste governo e à medida que os debates sejam realizados com os demais candidatos, com certeza as coisas podem piorar para o lado do atual governo. Com certeza Dilma deverá fugir da maior parte dos debates com os demais candidatos!



*JUACY DA SILVA é professor universitário, aposentado UFMT, mestre em sociologia. Email: [email protected] Blog: www.professorjuacy.blogspot.com Twitter: @profjuacy

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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Gilmar Maldonado Roman 14/05/2014

Volto a parabenizar o professor Juacy pelo extraordinário artigo mostrando a realidade do Brasil e de Mato Grosso.

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1 comentários

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