Mundo Quinta-feira, 02 de Junho de 2011, 14:54 - A | A

Quinta-feira, 02 de Junho de 2011, 14h:54 - A | A

Premiê do Japão sobrevive a voto, mas promete sair após crise

A oferta de renúncia de Kan lhe dá tempo para preparar um orçamento adicional para custear a reconstrução do país

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O premiê japonês, Naoto Kan, sobreviveu nesta quinta-feira a um voto de desconfiança ao propor renunciar assim que o pior da crise nuclear tenha passado --um esforço de última hora bem sucedido que esfriou uma revolta fervilhante em seu partido.

A oferta de renúncia de Kan, que deve acontecer provavelmente em meados do segundo semestre, lhe dá tempo para preparar um orçamento adicional para custear a reconstrução do terremoto e tsunami de 11 de março, mas é pouco para solucionar a paralisia política duradoura do país.

A moção de desconfiança no Parlamento foi conduzida pela oposição pela maneira como ele lidou com a maior crise do Japão desde a Segunda Guerra. Além de destruir cidades e matar mais de 14 mil, o terremoto danificou o sistema de resfriamento da usina de Fukushima Daiichi, causando o mais grave acidente nuclear desde Tchernobil.

Graças à manobra de Kan, a moção foi derrotada facilmente por 293 votos contra 152.

Koji Sasahara/Associated Press
Premiê japonês, Naoto Kan, sobreviveu ao voto de desconfiança ao prometer renunciar após crise nuclear

Ainda assim, enfraquecido por cisões em seu próprio partido, Kan pode ser visto como um governante com poderes limitados pelos opositores e ter pouca sorte com as reformas tributária e social, que o Japão necessita urgentemente para conter seu deficit crescente e que exigem apoio da oposição em um Parlamento dividido.

Uma autoridade de alto escalão do maior partido oposicionista, o Partido Liberal Democrático, deixou claro não ter intenção de facilitar as coisas para o governista Partido Democrata, apesar da oferta de Kan.

"Planejamos seguir em frente mas mantendo a crença de que a continuidade do governo Kan não é boa para o país ou o povo", disse o secretário-geral, Nobuteru Ishihara, aos repórteres.

Ele reafirmou a posição de seu partido --a de que bloqueará um projeto de lei necessário para financiar 44% do orçamento de US$ 1 trilhão do atual ano fiscal a menos que os Democratas descartem suas promessas de gastos.

Kan, que assumiu quase exatamente um ano atrás como quinto premiê em igual período, luta para conter a crise radioativa da usina de Fukushima, desencadeada pelas catástrofes naturais de março.

Ele também precisa criar um plano para pagar a reconstrução da região nordeste, atingida pelos eventos, sem permitir que a dívida, já o dobro da economia de US$ 5 trilhões, saia do controle.

A maioria das agências de avaliação de crédito alertaram o Japão nas últimas semanas que o país sofre o risco de ser rebaixado se um impasse político tornar impossível tratar os males da nação: estagnação econômica, dívida e custos sociais crescentes em uma população que envelhece e encolhe rapidamente.

Os mercados financeiros ficaram aliviados que um vácuo político tenha sido evitado no momento em que o Japão ainda luta para conter a pior crise nuclear desde Tchernobil e para sair de suas segunda recessão em menos de três anos.

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