Jonathan chegou a ser detido e levado a um tribunal em Martorell, na comunidade autónoma da Catalunha, na terça-feira, 19, mas pagou uma fiança de 1 milhão (cerca de R$ 5,8 milhões) para evitar a prisão preventiva.
Isak morreu em 14 de dezembro de 2024, aos 71 anos, após cair de um penhasco durante uma caminhada em uma área montanhosa nos arredores de Barcelona. Jonathan, o mais velho de seus três filhos, era a única pessoa que o acompanhava.
Procurada pela Reuters, a defesa de Jonathan não retornou às tentativas de contato. Um porta-voz da família Andic se recusou a comentar o caso.
O documento ao qual a agência teve acesso faz parte de uma investigação preliminar da Justiça da Catalunha. Até o momento, Jonathan não foi formalmente acusado de nenhum crime.
Em um trecho do despacho divulgado pela Reuters, a juíza Raquel Nieto Galvan afirmou que há "evidências suficientes" para sugerir que a morte de Isak "pode não ter sido acidental" e que Jonathan "desempenhou um papel ativo e premeditado na morte do pai".
Segundo a magistrada, pai e filho tinham uma relação ruim devido à "obsessão por dinheiro" de Jonathan, "a ponto de pedir herança ao pai enquanto ele ainda estava vivo". Em mensagens no WhatsApp, ele expressava "sentimentos de ódio, ressentimento e pensamentos sobre morte, culpando o pai por sua situação".
Ela apontou que Jonathan procurava uma forma de receber a herança enquanto o pai ainda estivesse vivo "ou que a figura paterna deixasse de existir, seja em seus pensamentos ou na realidade".
Raquel escreveu que testemunhas disseram que a crise no relacionamento dos dois começou em 2015, quando o pai deu mais responsabilidades ao filho na Mango, mas depois as retirou sem aviso prévio, o que teria provocado em Jonathan "uma crise em nível profissional, pessoal e familiar, especialmente com o pai".
A Reuters afirmou que, ao ser questionado sobre a situação, Jonathan confirmou que o pai retirou parte de suas responsabilidades, mas negou que existisse qualquer ressentimento entre eles.
Em outro trecho do documento publicado pela agência, a juíza disse que, em 2024, Jonathan descobriu os planos do pai de alterar o testamento para criar uma fundação voltada a ajudar pessoas carentes, o que teria provocado "uma mudança marcante" em seu comportamento.
Questionado sobre o local da morte do pai, Jonathan respondeu que só havia visitado a região uma vez, duas semanas antes do acidente. No entanto, o rastreador de seu carro indicou que ele passou pela local nos dias 7, 8 e 10 de dezembro. No dia da queda de Isak, ele havia chamado o pai para fazer uma trilha e conversar a sós.
Segundo o despacho, Jonathan também apresentou versões conflitantes dos acontecimentos em duas ligações aos serviços de emergência e em depoimento à polícia.
Após quatro simulações do caso, os investigadores concluíram que a marca deixada no local e a forma como o corpo caiu eram incompatíveis com um escorregão. Eles apontaram que Isak caiu primeiro com os pés e descartaram a hipótese de que ele tivesse tropeçado, já que não havia ferimentos nas palmas das mãos.
Jonathan disse aos policiais que o pai caiu ao parar para tirar fotos. No entanto, o celular de Isak foi encontrado no bolso dele e continha apenas imagens feitas no início da trilha.
Ainda segundo o documento, Jonathan também alegou ter perdido o próprio telefone três meses após a morte do pai, durante uma viagem a Quito, no Equador. No entanto, a juíza apontou que a data coincidiu com o período em que foram publicadas matérias sobre a reabertura da investigação.
(Com Agência Estado)
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