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Terça-feira, 16 de Junho de 2026, 08h:30 - A | A

Cúpula do G-7 altera rotina dos Alpes; Ucrânia é o foco das reuniões desta terça, 16

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

Entre o Lago Léman, que separa a Suíça da França, e estações de esqui, os líderes das sete maiores economias do mundo se reúnem em Évian-les-Bains, cidade nos Alpes Franceses, onde ocorre a cúpula do G7. A cidade parece sitiada por um reforçado esquema de segurança que atinge todas as cidades ao redor. Os impactos atravessam a fronteira e chegam à cidade suíça de Genebra, onde o trânsito está limitado e manifestantes protestam.

A cúpula começou nesta segunda-feira, 15, e se estende até quarta, 17, com a participação dos líderes da Alemanha, do Reino Unido, do Canadá, da França, da Itália, do Japão e dos Estados Unidos, junto de líderes convidados de outros países. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado em fevereiro pela presidência francesa, mas só aceitou o convite no início deste mês. Ele chegou à cidade turística na segunda e já se reuniu com Emmanuel Macron e o presidente da Suíça, Guy Parmelin.

Nesta terça (16), o petista tem duas reuniões bilaterais previstas. Com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e com os líderes da União Europeia, Ursula Von der Leyen e António Costa, com quem há a expectativa de tratar do banimento da carne brasileiro dos países do bloco. Um encontro com o americano Donald Trump já foi considerado difícil pelo governo.

O encontro de líderes tem irritado alguns moradores locais que reclamam das limitações de deslocamentos. Os presidentes e premiês estão hospedados no Hotel Royal, onde estão concentrados os eventos da cúpula. Ao redor, poucos jornalistas têm acesso, com a circulação limitada a imprensas oficiais dos países membros e convidados.

Évian-les-Bains, Publier, Le Gets e Morzine parecem vazias com as restrições. Moradores só circulam de carro com um passe especial. Os ônibus locais estão restritos. Corredores matinais e pessoas passeando com seus cachorros estão convivendo com comboios oficiais cruzando de uma cidade para outra, às vezes parando o trânsito a depender da importância da comitiva. A passagem de Volodmir Zelenski nesta terça perturbou a circulação de Évian, conhecida pela água mineral, mundialmente famosa.

Protestos

Na véspera do fórum, cerca de 20 mil pessoas marcharam sob um forte esquema de segurança pelas ruas da capital suíça, convocadas pela coalizão No-G7, entoando palavras de ordem anticapitalistas, pró-palestinas, feministas e em defesa da ação climática.

Embora a manifestação tenha começado de forma pacífica, ela começou a sair do controle no final da tarde. Moradores de Genebra lamentaram. "Há várias vidraças quebradas, mesmo com os tapumes. E nós não temos nada a ver, é lá na França o evento", lamentou um morador vizinho ao aeroporto internacional de Genebra.

Pequenos grupos de manifestantes - muitos vestidos de preto e com o rosto coberto - lançaram garrafas, pedras, pedaços de concreto e rojões contra as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogêneo. Vários edifícios também foram atacados, entre eles os escritórios da PricewaterhouseCoopers e a sede da União Internacional de Telecomunicações.

Zelenski é recebido na cúpula

O ucraniano Volodmir Zelenski foi recebido por Macron nesta terça antes de uma sessão de trabalho matinal com os líderes do G7 para discutir a guerra na Ucrânia. Intitulada "Construindo a paz e a segurança para a Ucrânia e a Europa" a reunião com o ucraniano começou às 10h locais (5h do Brasil) e durou mais de uma hora.

Donald Trump chegou atrasado para a reunião e não cumprimentou Zelenski, que foi recebido com um abraço do secretário de Estado Marco Rubio no corredor. O ucraniano foi recebido calorosamente, com muitos abraços e beijos, pelos outros líderes do G7.

Embora o subtexto desta cúpula seja que a Europa está cada vez mais se preparando para um futuro com um parceiro menos confiável como os Estados Unidos, Trump e Zelenski sentaram-se em lados opostos de Macron à mesa, indicando que o objetivo da sessão de trabalho é, pelo menos, manter os EUA engajados.

As negociações com a Ucrânia acontecem logo após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre um acordo para encerrar a guerra de três meses e meio entre os EUA e o Irã. Trump disse ter tido boas conversas no domingo com Zelenski e Putin ."Agora que isso (o Irã) acabou, vamos nos concentrar nisso", disse ele na cúpula do G7.

Nas últimas semanas, o conflito com o Irã ofuscou a guerra na Ucrânia, iniciada pelo presidente russo Vladimir Putin. Macron afirmou que buscará persuadir Trump a continuar apoiando a Ucrânia e a aumentar a pressão sobre a Rússia para que esta ajude a alcançar um acordo de paz.

Horas antes do início da cúpula do G7, a Rússia lançou centenas de drones e dezenas de mísseis contra as maiores cidades da Ucrânia, num ataque que matou 11 pessoas e incendiou um importante local religioso.

Nesta terça, os líderes do Grupo dos Sete recebem os países convidados, incluindo o Brasil. Haverá uma foto dos líderes do chamado G7 ampliado.

(Com Agência Estado)

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