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Justiça Quarta-feira, 14 de Outubro de 2026, 10:58 - A | A

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Quarta-feira, 14 de Outubro de 2026, 10h:58 - A | A

OPERAÇÃO GERENTE FANTASMA

Justiça mantém ação contra grupo investigado por lavagem de dinheiro para o CV

Investigado por lavagem de dinheiro queria adiar a defesa até a conclusão de perícias em celulares, mas juiz entendeu que as provas que embasaram a denúncia já estão nos autos

Reprodução

Operação Gerente Fantasma

O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, negou o pedido de Valmir Costa dos Santos para adiar a apresentação da resposta à acusação na ação penal derivada da Operação Gerente Fantasma, na qual ele é acusado, junto com outros réus, de suposto envolvimento com o Comando Vermelho (CV) e lavagem de dinheiro. A decisão é desta terça-feira (13).

Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o processo envolve dez acusados, entre eles estão Marcelo Augusto Moraes Gaspar, o ‘Tim Maia’, Geovanne Bezerra Bastos, Valmir Costa dos Santos e Flavio Miguel de Souza.

Ao analisar a fase inicial do processo, o magistrado decidiu que pedidos de revogação de prisão preventiva feitos por alguns dos réus não serão examinados dentro da ação penal principal. As defesas foram orientadas a apresentar esses requerimentos nos autos da medida cautelar relacionada ao caso, para evitar o que o juiz classificou como "tumulto processual".

Os advogados de Valmir sustentaram que a resposta à acusação só deveria ser apresentada após a juntada de todos os laudos periciais relativos aos celulares apreendidos durante a investigação, sob o argumento de que a falta desse material comprometeria o direito de defesa.

No entanto, o juiz argumentou que a denúncia foi baseada principalmente em informações extraídas de um aparelho celular apreendido na Penitenciária Central do Estado (PCE) e atribuído a Marcelo Augusto Moraes Gaspar. Os dados do aparelho deram origem a relatórios técnicos e ao relatório final da Operação Gerente Fantasma, documentos que já estão incorporados aos autos.

"A ausência da integralidade das mídias relativas às perícias posteriores nesta fase processual não acarreta, por si só, nulidade ou cerceamento de defesa", afirmou o juiz.

Outro argumento utilizado pelo magistrado foi o fato de que a própria defesa de Valmir Costa dos Santos já havia protocolado a resposta à acusação, contestando os elementos utilizados pelo Ministério Público. Por isso, o pedido para reabrir ou restabelecer o prazo foi considerado prejudicado.

GERENTE FANTASMA
A Operação Gerente Fantasma foi deflagrada em 23 de abril de 2026 pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), da Polícia Civil de Mato Grosso, para desarticular um grupo criminoso que atuava em Cuiabá e Várzea Grande. Foram cumpridas 27 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão preventiva, buscas e apreensões e bloqueios de ativos financeiros. As investigações apontaram que a organização mantinha ligação com facção criminosa e atuava simultaneamente com tráfico de drogas, golpes digitais em plataformas de compra e venda pela internet e lavagem de dinheiro.

O principal alvo da operação foi Marcelo Augusto Moraes Gaspar, conhecido como "Tim Maia", apontado pela polícia como líder e gestor financeiro do esquema, inclusive durante o período em que esteve preso na PCE. Segundo a Polícia Civil, os investigados movimentaram valores incompatíveis com atividades lícitas, utilizavam contas de terceiros e empresas para ocultar recursos e chegaram a promover distribuição de cestas básicas e eventos esportivos para ampliar influência em comunidades. Durante a ação, uma mala com cerca de R$ 600 mil em espécie foi apreendida.

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